(Foto: Netflix/Divulgação)
Ray Gunn une ficção científica e noir em projeto de Brad Bird desenvolvido há mais de 30 anos
Depois do enorme sucesso de Guerreiras do K-Pop (2025), a Netflix já encontra aquela que pode ser sua próxima grande aposta no mundo da animação. Ray Gunn chega ao streaming com pedigree de sobra: o longa é dirigido por Brad Bird, cineasta vencedor de dois Oscars e responsável por títulos como Os Incríveis (2004) e Ratatouille (2007).
O tamanho do desafio fica ainda mais evidente quando se olha para o fenômeno que veio antes. Guerreiras do K-Pop se tornou o filme mais assistido da história da Netflix, transformando uma animação original em um dos maiores fenômenos da plataforma. O sucesso elevou ainda mais a expectativa sobre qual produção animada poderia ocupar esse espaço a seguir, e Ray Gunn surge como uma das apostas mais fortes para assumir esse posto.
O projeto ainda reúne Brad Bird com um de seus principais parceiros, Michael Giacchino, compositor vencedor do Oscar por Up: Altas Aventuras (2009) e responsável pelas trilhas de produções como Ratatouille e os filmes do Homem-Aranha estrelados por Tom Holland. Em Ray Gunn, ele assina a música de uma história que mistura ficção científica, investigação e elementos clássicos do cinema noir.
Ray Gunn é a nova grande aposta da Netflix
(Foto: Netflix/Divulgação)
A nova animação da Netflix é especialmente importante para Brad Bird. O diretor escreveu o roteiro original ainda nos anos 1990, mas a fusão da Turner Broadcasting System com a Time Warner, em 1996, impediu que o projeto avançasse naquela época. Bird nunca abandonou a ideia, e Giacchino revelou que ouviu falar sobre Ray Gunn pela primeira vez em 2003, durante a produção de Os Incríveis.
A trama acompanha Ray Gunn (Sam Rockwell), um detetive particular que vive em um mundo futurista habitado por humanos e alienígenas. Sua rotina muda quando ele acaba envolvido em um caso relacionado à misteriosa cantora Venus Nova (Scarlett Johansson). Brad Bird também assina o roteiro ao lado de Matthew Robbins, colaborador frequente de Guillermo del Toro.
Apesar do cenário futurista, Ray Gunn busca inspiração no passado. A história se passa em 1939, e a equipe utilizou a Feira Mundial de Nova York daquele ano como uma das referências para criar Metropia, cidade fictícia marcada por Art Déco e retrofuturismo. Mad Men (2007-2015) e Columbo (1971-1998) também aparecem entre as influências citadas pelos responsáveis pelo visual da produção.
Brad Bird também pretende fugir de uma divisão comum no gênero. Em vez de fazer uma animação direcionada especificamente para crianças ou uma produção adulta carregada de conteúdo explícito, o cineasta buscou ampliar as possibilidades do formato.
O noir é outro componente essencial. Ray Gunn recupera elementos como o detetive cínico, personagens moralmente ambíguos, jogos de luz e sombra e a figura da femme fatale. Venus Nova foi concebida a partir de referências como Lauren Bacall (1924-2014) e Veronica Lake (1922-1973), enquanto Chinatown (1974) aparece entre as grandes inspirações cinematográficas do projeto.
Depois de permanecer mais de três décadas no imaginário de Brad Bird, Ray Gunn finalmente estreia na Netflix em 18 de dezembro. Com 119 minutos de duração, a animação combina investigação, alienígenas, ficção científica e estética noir em uma das apostas mais ambiciosas do streaming para encerrar o ano.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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