FILMES E SÉRIES

Aidan Gallagher em cena de The Umbrella Academy, da Netflix

(Foto: Divulgação/Netflix)

The Umbrella Academy

Como a Netflix estragou o final de uma de suas melhores séries

The Umbrella Academy deixou a impressão de que anos de acertos foram ofuscados por escolhas equivocadas na conclusão

Victor Cierro
Victor Cierro

A Netflix construiu ao longo dos anos um catálogo poderoso de séries de fantasia e ficção científica, muitas delas elogiadas por ousadia, identidade visual e personagens marcantes. Nem sempre, porém, essas histórias conseguem encerrar suas jornadas com o mesmo impacto do início. Em meio a tantos exemplos discutidos pelo público, The Umbrella Academy (2019-2024) acabou se tornando um dos casos mais emblemáticos desse problema.

Durante três temporadas, The Umbrella Academy foi tratada como uma das grandes joias do streaming. A adaptação dos quadrinhos de Gerard Way (vocalista do My Chemical Romance) e Gabriel Bá (quadrinista brasileiro) conseguiu equilibrar drama, humor ácido e uma estética singular, se destacando em um mercado saturado de histórias de super-heróis. O cuidado com os personagens e a química do elenco ajudaram a criar um envolvimento raro com o público.

Desde o primeiro ano, a narrativa apresentou mistérios instigantes e arcos emocionais bem definidos. Relações familiares disfuncionais, traumas mal resolvidos e viagens no tempo eram explorados com personalidade própria, fugindo de fórmulas previsíveis. Mesmo quando flertava com o caos, a série mantinha coesão e identidade.

A segunda temporada elevou ainda mais esse padrão ao apostar em uma ambientação inesperada e em comentários sociais mais incisivos. O humor ganhou força, os personagens amadureceram e o universo da história se expandiu de maneira orgânica. Foi nesse momento que The Umbrella Academy deixou claro que poderia ir além de seu nicho inicial.

Elliot Page em cena de The Umbrella Academy

Elliot Page em cena de The Umbrella Academy

(Foto: Divulgação/Netflix)

Netflix acelerou e escorregou

O terceiro ano dividiu opiniões, mas ainda sustentou a reputação da série. Mesmo com limitações de produção e mudanças de escala, novas ideias foram introduzidas com criatividade, ampliando o conflito central e preparando o terreno para um encerramento ambicioso. A sensação de que tudo caminhava para um final marcante parecia inevitável.

O problema veio justamente na última temporada. Reduzida a poucos episódios, a conclusão soou apressada e desconexa. Tramas importantes foram abandonadas, decisões criativas surpreenderam negativamente e personagens queridos sofreram retrocessos difíceis de justificar dentro da lógica construída ao longo dos anos.

O desfecho acabou esvaziando o peso emocional da história, transformando revelações importantes em momentos sem impacto e anulando o percurso dos protagonistas. Assim como já aconteceu com outras séries icônicas da televisão, o final de The Umbrella Academy deixou a impressão de que anos de acertos foram ofuscados por escolhas equivocadas na conclusão, mudando a forma como o público passa a enxergar toda a trajetória da produção.

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QUEM FEZ
Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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