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Jibaro é um dos melhores episódios de Love, Death & Robots na Netflix

(Foto: Netflix/Divulgação)

Love, Death & Robots

Netflix tem obra-prima de ficção científica com apenas 17 minutos

Jibaro transforma silêncio, animação e uma relação destrutiva em um dos capítulos mais ousados de Love, Death & Robots

Victor Cierro
Victor Cierro

A Netflix tem um dos experimentos mais impressionantes da ficção científica escondido em um episódio que exige apenas 17 minutos do público. Jibaro, capítulo da terceira temporada de Love, Death & Robots, praticamente elimina os diálogos e aposta na força das imagens para construir uma história brutal sobre desejo, ganância e destruição.

Lançado como o nono episódio da terceira temporada da antologia, Jibaro representa bem a liberdade criativa que transformou Love, Death & Robots em uma produção diferente dentro do catálogo da Netflix. A série passeia por terror cósmico, distopias, cyberpunk e outras vertentes da ficção científica sem precisar manter uma única identidade visual ou narrativa.

A trama acompanha uma criatura semelhante a uma sereia capaz de usar sua voz para atrair homens até a morte. A dinâmica muda quando ela encontra um cavaleiro surdo, imune ao seu principal poder. O encontro desperta uma curiosidade que rapidamente se transforma em uma relação marcada por atração, violência e interesses conflitantes.

Jibaro é um dos melhores episódios de Love, Death & Robots na Netflix

Jibaro é um dos melhores episódios de Love, Death & Robots

(Foto: Netflix/Divulgação)

Netflix conta sua história sem precisar de diálogos

Tudo isso acontece praticamente sem palavras. A única manifestação vocal relevante vem dos gritos da própria sereia, enquanto a surdez do protagonista também permite que o episódio brinque com diferentes perspectivas sonoras. Em determinados momentos, a experiência muda de acordo com aquilo que os demais cavaleiros conseguem ouvir e com o completo silêncio experimentado pelo personagem central.

A ausência de diálogos não impede Jibaro de abordar temas complexos na Netflix. A relação entre os dois personagens passa por desejo, dependência, ganância e destruição mútua. Gestos, movimentos e ações assumem o espaço normalmente ocupado pelas falas, enquanto a dança da sereia ajuda a comunicar suas mudanças de comportamento e intenções.

Visualmente, o episódio também foge do padrão. A animação combina elementos de hiper-realismo com uma abordagem mais próxima da pintura, criando imagens que em alguns momentos podem até ser confundidas com cenas em live-action. Essa estética desconfortável faz parte da experiência desde os primeiros minutos e reforça o caráter experimental da história na Netflix.

Jibaro resume justamente uma das maiores qualidades de Love, Death & Robots: a disposição para testar os limites da ficção científica. Inspirada em parte pela revista Heavy Metal e por sua abordagem adulta e irrestrita ao gênero, a antologia da Netflix usa formatos, estilos e conceitos diferentes para buscar caminhos que produções mais convencionais dificilmente seguiriam.

Com apenas 17 minutos, Jibaro não precisa explicar sua história por meio de longas conversas ou exposições. A combinação entre imagem, movimento e som transforma o episódio em uma experiência que mostra como a ficção científica pode funcionar justamente quando abandona algumas de suas ferramentas mais básicas.

No Rotten Tomatoes, Love, Death & Robots alcançou 89% de aprovação da crítica. Assista abaixo ao trailer da série original da Netflix:

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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