(Foto: Netflix/Divulgação)
Olhos que Condenam transforma um dos casos mais revoltantes da Justiça Americana em uma produção curta, intensa e difícil de esquecer
Quatro episódios poderiam fazer de Olhos que Condenam (2019) uma das séries mais fáceis de maratonar da Netflix. Na prática, acontece justamente o contrário. Com 96% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, a produção dirigida por Ava DuVernay exige disposição para acompanhar uma história real marcada por racismo, falsas acusações e uma das injustiças mais conhecidas dos Estados Unidos.
A minissérie da Netflix acompanha o caso dos cinco adolescentes que ficaram conhecidos como os Cinco do Central Park em 1989. Kevin Richardson (Asante Blackk), Antron McCray (Caleel Harris), Yusef Salaam (Ethan Herisse), Korey Wise (Jharrel Jerome) e Raymond Santana (Marquis Rodriguez) foram acusados injustamente pelo estupro de uma mulher no Central Park, em Nova York.
A produção não transforma o caso em um suspense convencional sobre a descoberta de um culpado. O foco está nas consequências da investigação, das condenações e do período de prisão para os jovens e suas famílias. É justamente essa abordagem que torna os quatro episódios tão pesados, apesar da curta duração.
Jharrel Jerome em cena de Olhos que Condenam
(Foto: Netflix/Divulgação)
Os cinco adolescentes foram presos e processados mesmo sem evidências que comprovassem a culpa deles. Quatro receberam as penas máximas previstas para infratores juvenis, e as condenações só foram anuladas em 2002, anos depois de o verdadeiro responsável pelo crime confessar.
Olhos que Condenam acompanha não apenas o encarceramento injusto, mas também a luta das famílias e o impacto provocado pelo caso ao longo dos anos. Em 2003, os homens processaram a cidade de Nova York. Um acordo foi alcançado em 2014, acontecimento abordado no episódio final na Netflix.
A minissérie também provocou controvérsia pela representação de algumas pessoas envolvidas no caso. Linda Fairstein, ex-promotora interpretada por Felicity Huffman, contestou a maneira como foi retratada e chegou a tentar processar a Netflix. Ela participou da condução dos interrogatórios e continuou defendendo a investigação mesmo depois da confissão do verdadeiro autor do crime.
É por isso que os quatro episódios de Olhos que Condenam estão longe de representar uma maratona leve. A série usa sua duração enxuta para reconstruir uma história de consequências que atravessaram décadas, sem transformar o sofrimento dos envolvidos em simples entretenimento. O resultado ajuda a explicar os 96% de aprovação da crítica e por que, mesmo anos depois da estreia, a produção permanece entre os dramas mais impactantes disponíveis na Netflix.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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