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Daniel Craig como James Bond em Sem Tempo para Morrer

(Foto: Divulgação/Columbia Pictures)

007

Nova era de James Bond precisa abandonar vícios da fase Daniel Craig

O 26º filme da franquia tem a oportunidade de abrir um novo ciclo com frescor, estilo e direção clara

Victor Cierro
Victor Cierro

A fase de Daniel Craig como James Bond trouxe realismo, peso dramático e uma abordagem mais humana ao personagem. Ao longo dos filmes, 007 ganhou camadas, fragilidades e conflitos internos que renovaram a franquia. No entanto, esse período também consolidou alguns vícios narrativos que agora precisam ser deixados para trás. Com Bond 26 iniciando uma nova era, há um consenso de que certos elementos não combinam mais com o futuro da saga.

Um dos pontos que mais chama atenção é a repetição de vilões com cicatrizes marcantes ou algum tipo de desfiguração facial. Le Chiffre, em Casino Royale; Raoul Silva, em Skyfall; e Safin e Blofeld, em Sem Tempo para Morrer, reforçam a lógica ultrapassada de associar marcas corporais à maldade. Além de desgastado, esse recurso hoje soa reducionista e desnecessário, criando antagonistas cujo visual se torna mais importante que suas motivações.

Outro vício é a insistência na narrativa do James Bond envelhecido, cansado, quase aposentado. A partir de Skyfall, o personagem foi retratado diversas vezes como alguém “fora do auge”, mesmo tendo acabado de começar sua trajetória como 00. Isso fez com que uma parcela importante do potencial de 007 como agente em plena forma nunca chegasse a ser explorada de fato. O herói parecia sempre estar voltando, se provando, ou se despedindo.

James Bond precisa de mudanças

Há também o excesso de vilões ligados ao passado pessoal de Bond. Nos últimos filmes, quase todo antagonista tinha algum vínculo emocional direto com ele ou com alguém próximo. Essa abordagem funcionou pontualmente, mas, quando repetida, reduz a escala global da franquia, limita o drama ao círculo íntimo do protagonista e enfraquece a sensação de que 007 está enfrentando ameaças realmente grandes.

Para a nova fase, o ideal é recuperar o James Bond que opera no auge: eficiente, experiente e plenamente ativo. Os vilões podem voltar a ser movidos por ambição, poder, política e interesses globais, e não por traumas familiares ou mágoas antigas. A franquia sempre se destacou quando parecia maior que a própria vida, e esse é o espírito que ela precisa reencontrar agora.

Desde que a Amazon comprou os direitos da série, mudanças profundas foram feitas. Denis Villeneuve foi confirmado como diretor do 26º filme da saga e Steven Knight, criador de Peaky Blinders, assumiu o roteiro. Mesmo assim, a escolha do próximo James Bond segue empacada, com rumores de que só deve ser definida em 2026.

Bond 26 tem a oportunidade de abrir um novo ciclo com frescor, estilo e direção clara. Basta deixar o passado onde ele deve ficar: atrás.

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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