(Foto: Divulgação/Warner Bros.)
Se conseguir aplicar à televisão a mesma ousadia de Pecadores, Ryan Coogler vai redefinir a ficção científica na era moderna
A ficção científica vive há anos sob o domínio das tramas fechadas, cheias de mistérios que exigem maratonas completas. Agora, um dos nomes mais fortes da temporada do Oscar 2026 quer mexer nessa lógica. O novo Arquivo X, comandado por Ryan Coogler, surge como uma tentativa ambiciosa de resgatar um formato quase abandonado pela TV moderna.
O diretor chega ao projeto em seu momento mais poderoso na indústria. Seu thriller Pecadores (2025) se tornou o filme com o maior número de indicações na história da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, consolidando Ryan Coogler como favorito ao prêmio de Melhor Diretor na cerimônia de 2026. Caso vença, ele pode fazer história na categoria, reforçando sua posição como um dos cineastas mais influentes da geração.
Esse peso artístico muda completamente o status do reboot. O original Arquivo X (1993-2018) marcou os anos 1990 ao combinar procedural policial com horror paranormal e conspirações alienígenas. A dinâmica entre Dana Scully (Gillian Anderson) e Fox Mulder (David Duchovny) permitia que a série alternasse episódios independentes com uma mitologia maior envolvendo governo, extraterrestres e figuras como o enigmático Homem Fumante.
Desde então, o cenário televisivo mudou radicalmente. O modelo de narrativa contínua, popularizado por Lost (2004-2010), passou a dominar a ficção científica. Produções como Ruptura, Fallout e Fundação exigem acompanhamento integral para compreensão de suas tramas complexas.
A proposta do novo Arquivo X é justamente romper esse monopólio. A expectativa é que Coogler entregue uma série que mantenha episódios fechados e acessíveis, mas integrados a um arco maior, equilibrando tradição clássica e ambição moderna. O formato híbrido, que a própria série original já experimentava nos anos 1990, pode ganhar novo fôlego sob uma visão autoral de alto prestígio.
Ryan Coogler nos bastidores de Pecadores, filme com maior número de indicações na história do Oscar
(Foto: Divulgação/Warner Bros.)
Também permanece em aberto o nível de conexão com a série original. Um vínculo sutil com a continuidade anterior poderia criar um cânone unificado, ao mesmo tempo em que abre espaço para novos protagonistas e novas investigações. Essa combinação de respeito ao legado com reinvenção pode ser a chave para que o reboot se destaque em meio à saturação do streaming.
Se conseguir aplicar à televisão a mesma ousadia que levou Pecadores ao topo do Oscar, Ryan Coogler pode não apenas revitalizar uma franquia cult, mas redefinir o espaço da ficção científica na era moderna. E, vindo de um diretor prestes a disputar a maior estatueta da indústria, essa promessa ganha um peso que poucos projetos de TV têm hoje.
O seu primeiro passo foi escalar Danielle Deadwyler, de Bagagem de Risco (2024), como sua protagonista.
Danielle Deadwyler em cena de Bagagem de Risco
(Foto: Divulgação/Netflix)
Agora que saíram os vencedores do Bafta, será que ficou mais fácil palpitar no Oscar, que acontece em 15 de março? É hora de transformar o seu conhecimento em filmes em prêmios reais, no Bolão 2026 da Tangerina.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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