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Protagonista de Wandinha, Jenna Ortega em cena de Klara e o Sol

(Foto: Divulgação/Sony Pictures)

Nova Camada

Novo filme de Jenna Ortega faz o oposto de Wandinha nos cinemas

Klara é o tipo de personagem que exige da atriz uma combinação delicada entre ingenuidade, presença cômica e impacto dramático

Victor Cierro
Victor Cierro

Jenna Ortega construiu boa parte de sua imagem recente em torno de personagens sombrias, irônicas e emocionalmente fechadas, mas o próximo passo da atriz em Hollywood aponta para a direção contrária. Em Klara e o Sol, ficção científica dirigida por Taika Waititi, ela assume um papel que troca o sarcasmo de Wandinha por delicadeza, curiosidade e afeto, em uma virada que pode revelar um lado ainda pouco explorado de sua carreira.

A mudança chama atenção justamente porque acontece depois de Jenna Ortega se consolidar como o rosto de Wandinha para uma nova geração. Na série da Netflix, a atriz encontrou o tom exato da filha da Família Addams: uma adolescente mórbida, seca, desconfiada e quase sempre protegida por uma camada de cinismo. É um tipo de personagem que depende de contenção, timing cômico e frieza calculada, elementos que ajudaram a transformar a produção em um dos maiores fenômenos do streaming.

Em Klara e o Sol, a lógica parece ser outra. Baseado no romance de Kazuo Ishiguro, o longa acompanha Klara, uma “Amiga Artificial” comprada para fazer companhia a Josie (Mia Tharia), uma adolescente doente. Em vez da postura defensiva de Wandinha, Jenna Ortega interpretará uma figura criada para ser acolhedora, observadora e amorosa, alguém que encara o mundo com inocência e fascínio.

A troca de energia entre as duas personagens é quase total. Se Wandinha se define pela recusa ao sentimentalismo, Klara parte do impulso oposto: foi concebida para oferecer afeto e se conectar com os outros. Isso aproxima a nova personagem muito mais de figuras solares e expansivas do que da persona gótica que consagrou Jenna Ortega nos últimos anos. Para uma atriz que já mostrou segurança em papéis de humor ácido e terror, a chance de sustentar uma protagonista movida por ternura e estranhamento pode ser uma das experiências mais ricas de sua filmografia.

Protagonista de Wandinha, Jenna Ortega em cena de Klara e o Sol

Jenna Ortega em cena de Klara e o Sol

(Foto: Divulgação/Sony Pictures)

Jenna Ortega como Wandinha

O papel também parece promissor porque não se resume a um contraste superficial. A força de Jenna Ortega em Wandinha nunca esteve só nas tiradas secas ou no olhar impassível, mas na vulnerabilidade que ela deixava escapar por baixo da armadura da personagem. Em Klara e o Sol, essa camada emocional tende a ganhar ainda mais espaço, já que a trama gira em torno da descoberta do mundo, do vínculo com Josie e do contato com a dor humana. Para uma personagem programada com a maturidade emocional de uma criança, cada nova experiência pode carregar humor, estranheza e tragédia ao mesmo tempo.

É aí que o filme parece ter o melhor material para tirar Jenna Ortega do lugar-comum. Klara não deve funcionar apenas como uma versão “fofa” do arquétipo de robô sensível, mas como alguém obrigada a entender sentimentos complexos sem ter repertório para isso. O resultado pode render tanto cenas de leveza quanto momentos mais pesados, especialmente porque a saúde frágil de Josie coloca a história diante da perda, do medo e da finitude. Em tese, é o tipo de personagem que exige da atriz uma combinação delicada entre ingenuidade, presença cômica e impacto dramático.

Se Wandinha transformou Jenna Ortega em um fenômeno pop, Klara e o Sol tem potencial para reposicioná-la como uma intérprete ainda mais versátil. O novo filme não parece querer repetir a imagem que já funciona, mas justamente desmontá-la. E, em um momento em que Hollywood costuma insistir em reciclar o mesmo persona até o desgaste, ver a atriz assumir uma protagonista tão distante de sua personagem mais famosa pode ser o melhor sinal de que ela está escolhendo crescer em vez de apenas se repetir.

Klara e o Sol estreia em 23 de outubro nos cinemas dos Estados Unidos. No Brasil, o filme ainda não recebeu a previsão de lançamento. Assista abaixo ao trailer:

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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