(Foto: Divulgação/Pixar)
A história explora a vida selvagem de forma mais próxima do cotidiano, reforçando a ideia da fase mais celebrada do estúdio
Depois de alguns anos irregulares, a Pixar parece ter reencontrado a essência que transformou o estúdio em um dos mais admirados de Hollywood. O novo filme Cara de Um, Focinho de Outro surge como um sinal claro desse retorno criativo, apostando novamente na combinação que marcou clássicos do estúdio: uma ideia divertida na superfície que esconde reflexões mais profundas sobre a experiência humana.
Durante décadas, a Pixar construiu sua reputação justamente com essa fórmula. Filmes aparentemente simples conseguiam abordar temas universais com enorme sensibilidade. Obras como Up: Altas Aventuras (2009) e Viva – A Vida é uma Festa (2017), por exemplo, usaram conceitos fantasiosos para discutir família, memória e amadurecimento, conquistando públicos de todas as idades.
Nos últimos anos, porém, o estúdio passou por uma fase mais irregular. Algumas produções não encontraram o mesmo impacto entre público e crítica. Um dos exemplos citados é Lightyear (2022), spin-off de Toy Story, que apostou mais no espetáculo visual e em uma aventura espacial grandiosa, mas acabou deixando de lado a profundidade emocional que se tornou marca registrada da Pixar.
É justamente nesse contexto que Cara de Um, Focinho de Outro chama atenção. O novo longa retoma a estratégia clássica do estúdio: partir de uma premissa curiosa e aparentemente leve para explorar questões mais amplas sobre identidade e pertencimento. A história acompanha uma garota que acaba vivendo dentro da mente de um castor, mergulhando em uma jornada ligada ao mundo animal.
Cara de Um, Focinho de Outro já é referência na Pixar
(Foto: Divulgação/Pixar)
A proposta lembra outros sucessos da Pixar que usaram conceitos inusitados para discutir emoções e relações humanas. O objetivo não é apenas impressionar visualmente ou provocar risadas, mas criar uma narrativa capaz de tocar diferentes gerações ao mesmo tempo.
O filme também aposta em um ambiente diferente de muitas animações recentes. Em vez de cenários grandiosos como desertos ou selvas exóticas, a história explora a vida selvagem de forma mais próxima do cotidiano, reforçando a ideia de simplicidade que marcou a fase mais celebrada do estúdio.
Com direção de Daniel Chong, Cara de Um, Focinho de Outro tem 1 hora e 45 minutos de duração e conta com vozes como Piper Curda e Bobby Moynihan no elenco original. A aposta é que o longa não seja apenas um sucesso isolado, mas o início de uma nova fase criativa para a Pixar.
Se essa tendência se confirmar, o filme pode representar algo maior que um simples lançamento. Cara de Um, Focinho de Outro pode marcar o momento em que o estúdio voltou a apostar naquilo que sempre o diferenciou: histórias universais, personagens carismáticos e ideias simples que escondem sentimentos profundos.
Cara de Um, Focinho de Outro, inclusive, alcançou 96% de aprovação no Rotten Tomatoes. Assista abaixo ao trailer do filme:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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