FILMES E SÉRIES

Catherine Laga'aia e The Rock em cena de Moana, da Disney

(Foto: Divulgação/Disney)

Live-Action

Novo Moana coloca à prova estratégia que já faturou bilhões na Disney

O estúdio precisa provar que ainda consegue transformar nostalgia em fenômeno

Victor Cierro
Victor Cierro

A Disney chega a um ponto crítico com o live-action de Moana. Após anos lucrando com remakes, o estúdio agora encara um cenário bem mais delicado, impulsionado pelo fracasso recente de Branca de Neve (2025), que saiu dos cinemas cercado de polêmicas, críticas negativas e desempenho decepcionante nas bilheterias.

A estratégia que sustentou essa fase da empresa sempre foi clara: revisitar histórias consagradas, ampliar o espetáculo visual e apostar no poder da nostalgia. Esse modelo levou A Bela e a Fera (2017) e O Rei Leão (2019) a arrecadações bilionárias, mesmo diante de avaliações divididas. O público comprava a ideia de reviver clássicos em uma nova escala.

Mas o cenário mudou. Antes visto como aposta segura, o formato começou a mostrar sinais de desgaste. Produções recentes passaram a ser criticadas por falta de alma, e Branca de Neve virou o caso mais emblemático desse esgotamento, reforçando a percepção de que a fórmula já não é suficiente para sustentar grandes sucessos.

É nesse contexto que Moana surge como o teste mais arriscado do estúdio até agora. Diferente de outros títulos revisitados após décadas, a animação de 2016 continua extremamente presente. O filme segue entre os mais assistidos do Disney+ e mantém forte conexão com o público, com músicas que ainda circulam amplamente e atravessam gerações.

Esse fator aumenta a pressão. Refazer uma história que nunca saiu de evidência reduz o espaço para inovação e amplia as comparações diretas. Qualquer alteração pode gerar rejeição imediata, enquanto uma abordagem muito fiel corre o risco de parecer redundante.

The Rock em cena de Moana

The Rock em cena de Moana

(Foto: Divulgação/Disney)

Moana chega cercado de pressão na Disney

A Disney tenta preservar o que funcionou. Lin-Manuel Miranda retorna como produtor, Mark Mancina assina novamente a trilha sonora, e há um esforço claro para manter a identidade musical e emocional do original. Ainda assim, a transição para o live-action muda completamente a dinâmica, já que elementos estilizados da animação precisam funcionar dentro de um registro mais realista.

O elenco reforça essa mudança. Auliʻi Cravalho, voz original da protagonista, dá lugar a Catherine Lagaʻaia, enquanto Dwayne Johnson volta como Maui, agora em versão física. A troca simboliza o principal desafio do projeto: adaptar personagens icônicos para um formato que limita exageros e exige outra abordagem de atuação.

Dirigido por Thomas Kail, o filme chega aos cinemas em 9 de julho cercado por expectativa e desconfiança. A meta de atingir US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) ganha um peso ainda maior após o tropeço de Branca de Neve, que colocou em xeque a sustentabilidade dessa estratégia.

Mais do que um novo remake, Moana virou um termômetro para o futuro da Disney. Depois de um fracasso que expôs os limites da fórmula, o estúdio agora precisa provar que ainda consegue transformar nostalgia em fenômeno ou admitir que o público já espera algo diferente.

Assista abaixo ao trailer do live-action de Moana:

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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