(Foto: Divulgação/Vitrine Filmes)
Filme protagonista por Wagner Moura e dirigido por Kleber Mendonça Filho ganhou o Critics Choice Awards e a Trifecta
Se alguém ainda tinha dúvidas de que o cinema brasileiro vive um de seus momentos mais gloriosos internacionalmente, a cerimônia do Critics Choice Awards, realizada na noite de domingo (4), tratou de apimentar a discussão. A vitória de O Agente Secreto e o papel de destaque dado a Wagner Moura representam mais um passo importante na caminhada de uma produção que conquistou a crítica.
A estatueta de Melhor Filme Internacional na cerimônia, reconhecida como o principal termômetro para o Oscar, confirma o que os críticos de Nova York, Los Angeles e da Sociedade Nacional já tinham decretado: o thriller político ambientado no Recife de 1977 é o filme do ano em língua não-inglesa para uma enorme parcela dos amantes do cinema.
Antes do Critics Choice Awards, a produção protagonizada por Wagner Moura já havia realizado um feito raro mundialmente –e inédito para o Brasil: a conquista da Trifecta, que é composta pelos prêmios das três associações de críticos mais prestigiadas dos EUA: o NYFCC (New York Film Critics Circle), a LAFCA (Los Angeles Film Critics Association) e a NSFC (National Society of Film Critics). O Agente Secreto levou Melhor Filme Internacional em todas elas.
Historicamente, filmes que conseguem a unanimidade entre esses três grupos –que costumam ter gostos bem distintos, com Nova York preferindo o tradicionalismo e Los Angeles o experimentalismo– chegam ao Oscar com status de favoritismo. Ao somar essas vitórias ao Critics Choice Awards, O Agente Secreto repete a trajetória de fenômenos como Parasita (2019) e Roma (2018), furando a bolha da categoria internacional para ter força em categorias gerais, como ator, roteiro, direção e filme.
Desde o Festival de Cannes, em maio, quando Wagner Moura foi escolhido Melhor Ator e Kleber Mendonça Filho reconhecido como Melhor Diretor, O Agente Secreto vem construindo uma trajetória sólida rumo ao Oscar.
O filme ambientado nos anos 1970 conta a história de um professor universitário, interpretado por Wagner Moura, que volta para Recife para reencontrar o filho caçula, apesar do risco que corre em plena ditadura militar (1964-1985). A performance do ator, contida e tensa, foi citada repetidamente nas justificativas dos prêmios da crítica, colocando-o como um concorrente real ao Oscar de Melhor Ator –algo inédito para um ator brasileiro falando português em um filme nacional. As atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro já conseguiram o feito.
No Critics Choice 2026, a estatueta de melhor ator ficou para Timothée Chalamet, por Marty Supreme. No entanto, Moura e o diretor Kleber Mendonça Filho subiram ao palco para anunciar o vencedor da principal categoria da noite: melhor filme, que ficou com Uma Batalha Após a Outra.
Agora, todas as atenções se voltam para domingo, 11 de janeiro, quando acontece a cerimônia do Globo de Ouro. No ano passado, Fernanda Torres foi eleita a melhor atriz em filme de drama por seu trabalho em Ainda Estou Aqui. Agora, os brasileiros estão ainda mais atentos ao evento. Prova disso é que a Globo vai transmitir o Globo de Ouro na TV aberta.
Já a lista de indicados ao Oscar será divulgada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas no próximo dia 22. A indicação a Melhor Filme Internacional é dada como certa, mas a verdadeira batalha agora é por vagas nas categorias principais: Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Ator. Se a lógica da “Trifecta” se mantiver, o Brasil não estará apenas na festa para aplaudir, mas para competir com as maiores produções de Hollywood.
Vinícius Andrade
Jornalista e colaborador da Tangerina. Vinícius Andrade já foi editor do Notícias da TV e tem especialização em SEO. Interessado por tudo o que envolve mercado de entretenimento, tem mais de 13 anos de experiência na área e também trabalha com jornalismo local. E-mail: vinicius@tangerina.news
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