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Anne Hathaway, Meryl Streep e Stanley Tucci em O Diabo Veste Prada 2

(Foto: Divulgação/20th Century Studios)

Opinião

O Diabo Veste Prada 2 acerta ao abandonar fórmula vazia de Hollywood

O filme respeita o legado do original, entrega referências que o público queria ver, mas também apresenta uma trama atual e necessária

Victor Cierro
Victor Cierro

Hollywood vive uma fase dominada por continuações, spin-offs e adaptações de franquias conhecidas. O problema é que grande parte dessas produções acaba presa à nostalgia, repetindo fórmulas sem apresentar evolução real para personagens ou histórias. Em muitos casos, os novos filmes parecem existir apenas para explorar marcas famosas e arrecadar bilhões nas bilheterias. O Diabo Veste Prada 2 poderia facilmente cair nessa armadilha, mas escolhe seguir outro caminho.

A continuação entende exatamente por que o longa original virou um fenômeno cultural. Em vez de apenas recriar cenas icônicas ou apostar em referências vazias, o novo filme expande o universo da moda de maneira natural. O roteiro mergulha ainda mais nesse ambiente competitivo e glamouroso, trazendo participações relevantes para quem acompanha tanto o universo fashion da ficção quanto o da vida real.

Ao mesmo tempo, O Diabo Veste Prada 2 consegue recuperar a química que transformou Miranda Priestly e Andy Sachs em personagens inesquecíveis. Meryl Streep e Anne Hathaway voltam a dividir cenas com a mesma força do filme original, mas agora dentro de uma dinâmica diferente. A protagonista já não ocupa a posição insegura da jovem jornalista que tenta sobreviver ao caos da Runway. A personagem aparece mais madura, confiante e consolidada dentro daquele universo.

Anne Hathaway em O Diabo Veste Prada 2

Anne Hathaway em O Diabo Veste Prada 2

(Foto: Divulgação/20th Century Studios)

O Diabo Veste Prada 2 deu aula para Hollywood

Essa mudança também impede que o filme repita a estrutura do primeiro longa. A história utiliza a evolução da protagonista para abordar um conflito muito mais atual, ligado às transformações bruscas do jornalismo moderno. O roteiro trabalha a obsessão da indústria por números, investimentos e capital, além das consequências das demissões em massa dentro do setor de mídia.

É justamente nesse ponto que O Diabo Veste Prada 2 encontra sua principal força. Enquanto muitos filmes que exploram IPs conhecidos existem sem uma justificativa narrativa clara, a continuação encontra relevância ao discutir mudanças reais do mercado atual. O longa entende que revisitar personagens queridos só funciona quando existe algo novo a ser dito.

O resultado é uma continuação que usa a nostalgia da maneira certa. O filme respeita o legado do original, entrega referências que o público queria ver, mas também apresenta uma trama própria, atual e necessária. Em uma era dominada por franquias que muitas vezes parecem vazias, O Diabo Veste Prada 2 mostra que Hollywood ainda pode produzir continuações com propósito.

Dirigido por David Frankel, O Diabo Veste Prada 2 também conta com Emily Blunt, Stanley Tucci, Simone Ashley e Kenneth Branagh no elenco. Assista abaixo ao trailer da continuação:

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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