FILMES E SÉRIES

Pedro Pascal em cena de Star Wars: O Mandaloriano e Grogu

(Foto: Divulgação/Lucasfilm)

Análise

O Mandaloriano e Grogu faz algo que a Disney esqueceu em Star Wars

A franquia precisa fazer aquilo que sempre soube fazer melhor: colocar heróis em perigo, acelerar os motores e apostar na aventura pura

Victor Cierro
Victor Cierro

Durante anos, Star Wars passou por uma transformação que dividiu parte do público. Entre histórias mais sombrias, conexões cada vez maiores entre filmes e séries e a necessidade de fazer cada lançamento parecer um evento que mudaria a galáxia para sempre, a franquia acabou se afastando de um dos seus pilares mais importantes: a sensação de aventura pura.

É justamente aí que O Mandaloriano e Grogu parece encontrar seu diferencial. Em vez de tentar reinventar a fórmula ou aumentar ainda mais as apostas, o filme aposta em algo surpreendentemente simples: entregar espetáculo, ritmo e diversão sem transformar cada minuto em um acontecimento histórico dentro do universo criado por George Lucas.

O momento que melhor representa essa decisão chega na reta final da produção, durante o ataque ao planeta Nal Hutta. A sequência coloca caças X-Wing no centro da ação e recupera uma sensação muito próxima daquela que marcou a trilogia original: velocidade, heroísmo e imagens feitas para serem vistas na tela grande. Em vez de explicar demais ou desacelerar para construir peso dramático, o longa simplesmente deixa a ação acontecer.

Esse talvez seja o aspecto mais interessante do filme. Em um momento em que grandes franquias parecem buscar constantemente finais devastadores, mortes chocantes ou revelações gigantescas, O Mandaloriano e Grogu aposta em algo menos ambicioso, mas potencialmente mais eficiente: lembrar que Star Wars também funciona quando o objetivo principal é encantar.

Pedro Pascal em cena de Star Wars: O Mandaloriano e Grogu

Pedro Pascal em cena de Star Wars: O Mandaloriano e Grogu

(Foto: Divulgação/Lucasfilm)

Star Wars abandona fórmula da Disney

A produção ainda usa referências ao universo expandido com mais naturalidade do que parte dos projetos recentes. Participações especiais aparecem sem interromper o ritmo da história, enquanto figuras conhecidas entram e saem da ação sem transformar cada cena em um exercício de nostalgia. O resultado é um filme Star Wars que tenta valorizar o momento em vez de depender apenas do reconhecimento do público.

Outro acerto está na forma como o longa entende a identidade visual de Star Wars. Os X-Wings deixam de ser apenas um elemento decorativo e voltam a ocupar o lugar de símbolo de aventura que tiveram nos filmes clássicos. Não existe uma tentativa constante de desconstruir o que a franquia representa. Pelo contrário: o filme abraça esse legado sem pedir desculpas por isso.

No fim, O Mandaloriano e Grogu passa a sensação de que a Disney talvez tenha redescoberto algo que parecia esquecido dentro da saga. Nem todo capítulo precisa salvar a galáxia ou reescrever décadas de história. Às vezes, Star Wars só precisa fazer aquilo que sempre soube fazer melhor: colocar heróis em perigo, acelerar os motores e lembrar por que tanta gente se apaixonou por esse universo.

No entanto, O Mandaloriano e Grogu recebeu apenas 62% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. Assista abaixo ao trailer do filme Star Wars:

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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