(Foto: Divulgação/Lucasfilm)
A franquia precisa fazer aquilo que sempre soube fazer melhor: colocar heróis em perigo, acelerar os motores e apostar na aventura pura
Durante anos, Star Wars passou por uma transformação que dividiu parte do público. Entre histórias mais sombrias, conexões cada vez maiores entre filmes e séries e a necessidade de fazer cada lançamento parecer um evento que mudaria a galáxia para sempre, a franquia acabou se afastando de um dos seus pilares mais importantes: a sensação de aventura pura.
É justamente aí que O Mandaloriano e Grogu parece encontrar seu diferencial. Em vez de tentar reinventar a fórmula ou aumentar ainda mais as apostas, o filme aposta em algo surpreendentemente simples: entregar espetáculo, ritmo e diversão sem transformar cada minuto em um acontecimento histórico dentro do universo criado por George Lucas.
O momento que melhor representa essa decisão chega na reta final da produção, durante o ataque ao planeta Nal Hutta. A sequência coloca caças X-Wing no centro da ação e recupera uma sensação muito próxima daquela que marcou a trilogia original: velocidade, heroísmo e imagens feitas para serem vistas na tela grande. Em vez de explicar demais ou desacelerar para construir peso dramático, o longa simplesmente deixa a ação acontecer.
Esse talvez seja o aspecto mais interessante do filme. Em um momento em que grandes franquias parecem buscar constantemente finais devastadores, mortes chocantes ou revelações gigantescas, O Mandaloriano e Grogu aposta em algo menos ambicioso, mas potencialmente mais eficiente: lembrar que Star Wars também funciona quando o objetivo principal é encantar.
Pedro Pascal em cena de Star Wars: O Mandaloriano e Grogu
(Foto: Divulgação/Lucasfilm)
A produção ainda usa referências ao universo expandido com mais naturalidade do que parte dos projetos recentes. Participações especiais aparecem sem interromper o ritmo da história, enquanto figuras conhecidas entram e saem da ação sem transformar cada cena em um exercício de nostalgia. O resultado é um filme Star Wars que tenta valorizar o momento em vez de depender apenas do reconhecimento do público.
Outro acerto está na forma como o longa entende a identidade visual de Star Wars. Os X-Wings deixam de ser apenas um elemento decorativo e voltam a ocupar o lugar de símbolo de aventura que tiveram nos filmes clássicos. Não existe uma tentativa constante de desconstruir o que a franquia representa. Pelo contrário: o filme abraça esse legado sem pedir desculpas por isso.
No fim, O Mandaloriano e Grogu passa a sensação de que a Disney talvez tenha redescoberto algo que parecia esquecido dentro da saga. Nem todo capítulo precisa salvar a galáxia ou reescrever décadas de história. Às vezes, Star Wars só precisa fazer aquilo que sempre soube fazer melhor: colocar heróis em perigo, acelerar os motores e lembrar por que tanta gente se apaixonou por esse universo.
No entanto, O Mandaloriano e Grogu recebeu apenas 62% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. Assista abaixo ao trailer do filme Star Wars:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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