FILMES E SÉRIES

Cena de Monstro: A História de Lizzie Borden

(Foto: Divulgação/Netflix)

CASO SEM SOLUÇÃO

O que é real e o que é ficção em Monstro: A História de Lizzie Borden, série da Netflix

Entenda as divergências históricas, os boatos de época e as liberdades criativas adotadas pela quarta temporada da antologia

Tangerina
Tangerina

O lançamento de Monstro: A História de Lizzie Borden na Netflix recolocou no debate um dos episódios mais comentados da crônica policial dos Estados Unidos. A trama desenvolvida por Ryan Murphy e Ian Brennan revisita as mortes violentas de Andrew e Abby Borden, ocorridas em agosto de 1892 em Fall River, Massachusetts.

Embora o enredo se estruture a partir dos autos processuais e de registros da época, o roteiro acrescenta lendas urbanas, conjecturas e recursos narrativos que se distanciam dos registros históricos.

O crime em si e as tensões prévias que cercavam a família têm lastro documental. Andrew Borden acumulou fortuna por meio de investimentos financeiros, comerciais e imobiliários, mas era “mão de vaca” em casa, privando o imóvel da família na Rua Second de recursos modernos, como encanamento interno completo e iluminação a gás.

O estilo de vida motivava atritos com as filhas Lizzie e Emma. O desgaste familiar aumentou em 1887, quando o pai adquiriu uma residência para parentes de sua segunda esposa, Abby.

Na manhã de 4 de agosto de 1892, Abby e Andrew foram mortos por repetidos golpes de objeto cortante. A madrasta morreu primeiro, no andar superior, e o patriarca foi atingido cerca de uma hora e meia depois, enquanto descansava na sala.

Lizzie Borden foi levada a julgamento em junho de 1893. Diante da ausência de testemunhas oculares, da natureza indireta das evidências materiais e do descarte de depoimentos prévios pela corte, o júri proclamou a absolvição da ré. Nenhuma outra pessoa foi condenada pelo duplo homicídio.

Lizzie Borden (à esq.) e capa do Jornal Frank Leslie's illustrated, de 1893, sobre o julgamento

Caso Lizzie Borden na Netflix

Para aumentar o suspense e o drama, a produção da Netflix adota liberdades de roteiro significativas. Abaixo, veja os principais pontos de convergência e divergência entre o caso real e a ficção:

Linda Reiter é Bertha Manchester e Charlie Hunnam é Andrew Borden na série Monstro

Linda Reiter é Bertha Manchester e Charlie Hunnam é Andrew Borden na série Monstro

(Foto: Divulgação/Netflix)

O que é real

  • O descontentamento com a divisão de bens e com a postura econômica do pai existiu de fato, gerando desgaste documentado no convívio familiar.
  • Na fase inicial de apuração policial, Lizzie apresentou versões desencontradas para justificar onde estava no momento do ataque ao pai, mencionando o quintal e o celeiro.
  • A tentativa frustrada de compra de ácido prússico, substância letal, em uma drogaria local ocorreu dias antes das mortes, mas a alegação foi excluída do julgamento por decisão dos magistrados.
  • Um machado sem cabo coberto de cinzas foi recolhido no porão pelos investigadores e apresentado pela promotoria como compatível com os ferimentos cranianos das vítimas.
  • Peças de tecido com sangue foram encontradas no porão e Lizzie queimou um vestido dias após as mortes, fatos que ela justificou por razões biológicas e manchas de tinta.
  • Ella Beatty é Lizzie Borden e Vicky Krieps é Maggie Sullivan na série Monstro, da Netflix

    Ella Beatty é Lizzie Borden e Vicky Krieps é Bridget Maggie Sullivan na série Monstro

    (Foto: Divulgação/Netflix)

    O que é ficção

  • Não existem registros de que a funcionária doméstica Bridget “Maggie” Sullivan tenha mantido relacionamento afetivo com Lizzie ou atuado como cúmplice nas mortes.
  • O envolvimento de Lizzie e Maggie no homicídio de Bertha Manchester não tem respaldo histórico; a investigação daquele caso apontou para motivações distintas e sem conexão com os Borden.
  • A série Monstro: A História de Lizzie Borden mostra uma luta corporal prolongada entre Andrew e suas supostas agressoras, mas o exame pericial e o estado do cômodo indicaram que ele foi atacado sem chance de reação.
  • O tio materno John V. Morse não realizou chantagens financeiras contra a sobrinha, tendo apresentado álibi no período das investigações formais.
  • Emma Borden nunca agrediu fisicamente a irmã nem a acusou abertamente perante a polícia logo após o ocorrido; pelo contrário, Emma depôs a favor da defesa durante as audiências.
  • A aproximação entre Lizzie e a atriz Nance O’Neil deu-se apenas a partir de 1904, mais de dez anos após o veredito final do tribunal.
  • O discurso comemorativo feito pela protagonista na escadaria do fórum após ser inocentada é uma criação artística, pois a acusada deixou o tribunal sem conceder declarações públicas à imprensa.
  • A presença de Aileen Wuornos visitando o endereço dos assassinatos nos anos 1980 também não bate, já que a residência só começou a operar como hospedaria em 1996.
  • LEIA TAMBÉM -> Como foi o julgamento real de Lizzie Borden e o que aconteceu

    Informar Erro
    Falar com a equipe
    QUEM FEZ
    Tangerina

    Tangerina

    A Tangerina é a plataforma de cultura pop que nasceu pra trazer sua dose diária de filmes, séries, games e música. Entretenimento pra refrescar a sua cabeça.

    Ver mais conteúdos de Tangerina

    0 comentário

    Tangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.

    Acesse sua conta para comentar

    Ainda não tem uma conta?

    Só o que vale o play

    Toda sexta-feira, no seu e-mail, as melhores dicas de filmes e séries para ver em casa