(Foto: Divulgação/Netflix)
Base da trama levanta curiosidade sobre a viabilidade de tubarões navegarem por áreas residenciais tomadas pela água
Principal filme lançado pela Netflix nesta semana, Ataque Brutal mistura furacão, inundação e tubarões famintos em uma cidade costeira. Sob a direção de Tommy Wirkola (de Noite Infeliz) e produção de Adam McKay (de Não Olhe Para Cima), o longa é aquele tipo de entretenimento sem compromisso e totalmente fictício. No entanto, para quem gosta de imaginar se o que acontece na tela pode de alguma forma ser reproduzido na vida real, a própria Netflix, por meio do seu site Tudum, conversou com especialistas que trabalharam na produção e respondeu a algumas questões.
A trama se passa na cidade fictícia de Annieville, na Carolina do Sul, que é atingida pelo furacão Henry, de nível cinco, uma tempestade de proporções catastróficas que rompe diques e inunda as ruas. Com a subida das águas, tubarões acabam sendo transportados para dentro da zona urbana, transformando o cenário de resgate em uma luta por sobrevivência contra predadores naturais.
Embora a execução de Tommy Wirkola tenha um estilo de filmes B, com momentos de humor ácido e violência exagerada, a base da história levanta curiosidade sobre a viabilidade de tubarões navegarem por áreas residenciais tomadas pela água –a premissa, inclusive, é bem parecida com a de Predadores Assassinos (2019), mas com os tubarões no lugar dos crocodilos.
Segundo o conteúdo divulgado pelo Tudum, os diretores e produtores admitem que, embora o que se veja na tela seja fictício e projetado para o choque visual, a premissa de animais marinhos entrando em cidades após grandes tempestades não é totalmente desconectada da realidade.
“Vimos na Austrália que houve enchentes torrenciais históricas, impulsionadas pelas mudanças climáticas, e essas enchentes despejaram muita água suja no oceano. Tubarões-touro adoram água suja para caçar. Então, houve quatro ataques de tubarão em um período de 48 horas por causa da água turva”, disse o produtor Adam McKay.
Historicamente, existem registros de pequenos tubarões ou peixes encontrados em locais inusitados após inundações severas. O filme, no entanto, eleva essa escala ao extremo, apresentando predadores de grande porte e comportamento agressivo que caçam ativamente em ambientes fechados.
Os produtores destacam que a intenção foi explorar o medo primordial do que está escondido sob a superfície da água, utilizando o cenário de um desastre natural para amplificar a sensação de isolamento dos personagens, como Dakota (Whitney Peak), que sofre de agorafobia, e Lisa (Phoebe Dynevor), uma mulher grávida presa em seu veículo.
Assista ao trailer de Ataque Brutal:
O diretor Tommy Wirkola diz que Ataque Brutal foi feito para ser uma experiência de entretenimento puro, mas que se apoia no realismo da destruição causada por furacões para ancorar a história. A ruptura de diques e o colapso de infraestruturas urbanas são perigos reais enfrentados por comunidades costeiras.
“Grande parte da nossa infraestrutura foi construída com a ideia de que o clima é estático. Quando nossa primeira infraestrutura foi instalada em algumas de nossas cidades mais antigas, ela foi projetada para suportar um clima estável e constante, e esse simplesmente não é o caso. Agora, o clima está em constante mudança. Portanto, além de ser antiga e estar se deteriorando, estamos lidando com tempestades que não conseguem mais se enquadrar nesse limite”, falou o cientista climático Chris Gloninger, outro consultor do filme, ao site da Netflix.
A adição dos tubarões serve como uma metáfora para a natureza implacável que retoma o espaço urbano de forma violenta. Tubarões geralmente evitam a turbulência de grandes tempestades e buscam águas mais profundas para se proteger, o que torna a agressividade coordenada vista no filme uma licença poética necessária para o suspense.
Portanto, enquanto é improvável que um grupo de tubarões comece a caçar sistematicamente em uma cidade inundada, a possibilidade de animais marinhos serem arrastados por ressacas e tempestades é algo que pode acontecer. Ataque Brutal utiliza essa possibilidade real para construir um pesadelo cinematográfico, abordando as mudanças climáticas e a força incontrolável do oceano.
No fim, o filme cumpre seu papel de divertir o público ao transformar um cenário de desastre geográfico em uma arena de sobrevivência sangrenta e divertida. Ideal para assistir com as expectativas baixas.
Vinícius Andrade
Jornalista e Coordenador de Conteúdo da Tangerina. Vinícius Andrade já foi editor do Notícias da TV. Interessado por tudo o que envolve mercado de entretenimento, tem mais de 14 anos de experiência na área e também trabalha com jornalismo local. E-mail: vinicius@tangerina.news
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