Vilão em O Telefone Preto, Ethan Hawke revela maior medo da vida

FILMES E SÉRIES

Ethan Hawke

Reprodução/Universal Pictures

ENTREVISTA

Vilão em O Telefone Preto, Ethan Hawke revela maior medo da vida

Indicado a quatro Oscars, Ethan Hawke interpreta o vilão Sequestrador no longa dirigido por Scott Derrickson; leia entrevista

André Zuliani

Um dos principais títulos do ano, O Telefone Preto (2022) traz Ethan Hawke em papel quase inédito na carreira. Mais conhecido por viver protagonistas e personagens dramáticos, o ator poucas vezes deu vida a um vilão tão aterrorizante quanto o do longa de Scott Derrickson (Doutor Estranho).

Na pele do “bicho-papão” intitulado apenas como Sequestrador, Hawke sequestrou e matou crianças durante vários anos, tornando-se quase uma assombração para a população de uma comunidade. Sua atuação marcante foi alvo de elogios por parte do público e crítica especializada.

Embora tenha vivido um vilão de destaque nas telonas, o ator de 51 anos é “gente como a gente” fora da ficção. Hawke alimenta sonhos e desejos, mas também sofre com receios como todos os outros. Seu maior medo da vida, no entanto, não é um sequestrador ou um fantasma maligno. Pelo contrário: é algo muito simples, mas com capacidade de afetar negativamente a existência de muitos.

“Pessoas que não escutam os outros. Acho que esses dois últimos anos foram difíceis para todo mundo enquanto tentávamos descobrir como navegar entre nossos medos da pandemia e de nós mesmos”, contou Hawke em entrevista a qual a Tangerina teve acesso com exclusividade. “Há tanta coisa de que temos medo o tempo todo, e acho que as artes podem ajudar a encontrar um ponto de encontro.”

Na trama do longa, o jovem Finney (Mason Thames) se torna a mais nova vítima do Sequestrador, mas é o primeiro a encarar seus próprios medos para enfrentá-lo. Na visão do ator, um filme como O Telefone Preto é capaz de ajudar as pessoas a lidar com receios e inseguranças.

“O medo é uma grande parte de nossas vidas diárias, e muitas vezes simplesmente não sabemos o que fazer com ele. Então, colocá-lo no filme ou no palco tem valor porque, em última análise, nos ensina a como lidar com isso”, acrescentou.

Ethan Hawke

Ethan Hawke com a máscara macabra do Sequestrador

Divulgação/Universal Pictures

A evolução em O Telefone Preto

O Telefone Preto marca a segunda parceria entre Ethan Hawke e Scott Derrickson. Os dois trabalharam juntos pela primeira vez há 10 anos, no elogiadíssimo longa de terror A Entidade (2012). Ao analisar sua experiência ao lado do cineasta, o ator confessou ver o colega mais maduro do que em relação ao primeiro trabalho.

“Acho que este filme é o mais maduro de Scott Derrickson, até agora. Eu amo diretores que fazem os personagens se apresentarem, e ele sabe como fazer a história, os personagens e o cinema se tornarem uma coisa só. Quando você vê um filme de gênero como esse que também parece pessoal, você percebe que há um artista tentando criar algo lá fora. E eu gosto de filmes que te convidam assim.”

“Eu realmente gosto de A Entidade, mesmo que seja frio e escuro, mas há uma elegância e calor em O Telefone Preto que eu não tinha visto em Scott antes. Por isso, acho que ele amadureceu”, completou.

Para Hawke, o sucesso de Derrickson no gênero de terror se deve ao conhecimento e à paixão que o diretor coloca em seus projetos. Segundo o ator, o cineasta entende como ninguém a “geometria” de um longa de horror.

“Ele apenas sabe o que está fazendo e entende a geometria e a matemática do gênero. Por exemplo, algumas pessoas sabem como fazer comédia e outras não. Então, como ator, você pode ser engraçado pra caramba no set, mas se a edição não acertar o timing, está perdido. É a mesma coisa com filmes aterrorizantes. Existe uma ciência para o que desperta o medo em nós e como usá-lo efetivamente para contar uma história”, destacou o artista.

Sobre o Sequestrador de O Telefone Preto, Hawke confessou que tentou interpretar o personagem como um “animal machucado”. Segundo o ator, o vilão tornou-se alguém maligno após sofrer muito no passado e passar a vida carregando estes traumas.

“Ele é obviamente uma pessoa extremamente machucada. Em um filme sobre pais transmitindo seus tormentos e como evitá-los, de várias maneiras, o filme é sobre como uma geração tenta acabar com o amor que está por baixo. Então, achei mais fácil retratá-lo como um animal ferido que poderia fazer o que quisesse porque o mundo, aos seus olhos, era tão cruel com ele.”

“Nesse sentido, acho que ele sente um senso de justiça ao infligir dor aos outros por causa do que foi feito a ele. Geralmente, as pessoas que mentem muito são pessoas que já ouviram muitas mentiras contadas a elas. Então, elas não se sentem culpadas por isso, porque acreditam que é justo”, finalizou.

O Telefone Preto está em exibição nos cinemas do Brasil. Ao todo, o filme já arrecadou mais de US$ 141 milhões (R$ 730 milhões) na bilheteria mundial.

Mason Thames

O Telefone Preto

Trailer legendado

Informar Erro
Falar com a equipe
QUEM FEZ

André Zuliani

Repórter de séries e filmes. Viciado em cultura pop, acompanha o mundo do entretenimento desde 2013. Tem pós-graduação em Jornalismo Digital pela ESPM e foi redator do Omelete.

Ver mais conteúdos de André Zuliani

0 comentário

Tangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.

Acesse sua conta para comentar

Ainda não tem uma conta?

Conteúdo fresco, direto da fruta

Quer ficar por dentro das notícias do mundo pop? É só assinar nosso conteúdo semanal