(Foto: Divulgação/MUBI)
Morra, Amor e Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria não apenas ampliam o debate no cinema, como também reafirmam o poder da arte
A corrida pelo Oscar entra em sua semana decisiva com a divulgação da lista de indicados marcada para esta quinta-feira (22). Em meio a campanhas barulhentas e títulos mais tradicionais, dois filmes intensos e profundamente incômodos despontam como obras que representam um tipo de cinema raramente abraçado pela Academia, mas absolutamente necessário.
Morra, Amor e Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria formam, quase por acaso, um retrato devastador da maternidade longe de qualquer idealização. São histórias diferentes, conduzidas por diretoras com vozes autorais muito marcantes, mas unidas pela disposição de expor o esgotamento emocional, psicológico e social de mulheres levadas ao limite.
Em Morra, Amor, Jennifer Lawrence vive Grace, uma mulher que se muda para o campo com o companheiro e rapidamente se vê aprisionada por uma rotina doméstica sufocante. Após o nascimento do filho, a personagem mergulha em uma depressão pós-parto violenta e inquietante, apresentada sem concessões pela direção de Lynne Ramsay. O filme aposta em imagens sensoriais, silêncios desconfortáveis e explosões emocionais que tornam a experiência tão bela quanto perturbadora.
A atuação de Jennifer Lawrence é uma das mais corajosas de sua carreira. A atriz transita com precisão entre fragilidade, desejo e fúria, construindo uma personagem imprevisível e dolorosamente humana. Em uma temporada em que performances femininas fortes ganham destaque, é difícil ignorar o impacto do trabalho entregue aqui.
Já Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria acompanha Linda, personagem de Rose Byrne, uma terapeuta que tenta manter a própria sanidade enquanto enfrenta a doença da filha, a ausência constante do marido e o colapso literal de seu apartamento. A narrativa transforma pequenos acontecimentos cotidianos em gatilhos de ansiedade crescente, criando um retrato sufocante de exaustão materna.
Rose Byrne em Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
(Foto: Divulgação/A24)
Rose Byrne entrega um desempenho amplamente elogiado pela crítica, construindo uma protagonista difícil, irritante em certos momentos, mas sempre reconhecível. O filme se recusa a oferecer alívio emocional fácil e aposta em um mergulho contínuo no estado mental da personagem, algo que costuma dividir o público, mas reforça sua força artística. A australiana venceu o Globo de Ouro de Melhor atriz em filme – musical ou comédia.
Com o anúncio dos indicados ao Oscar se aproximando, a grande questão é se a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas estará disposta a reconhecer histórias tão duras quanto urgentes. Morra, Amor e Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria não apenas ampliam o debate sobre maternidade no cinema, como também reafirmam o poder da arte em provocar empatia real. Ignorá-los seria perder a chance de celebrar dois dos retratos mais honestos e impactantes do ano.
Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria está em cartaz nos cinemas. Assista abaixo ao trailer do filme:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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