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Michael B. Jordan em cena de Pecadores

(Foto: Divulgação/Warner Bros.)

Análise

Por que Pecadores corre risco de ser a maior decepção do Oscar

O problema é que o caminho até a estatueta não depende apenas do número de indicações

Victor Cierro
Victor Cierro

Pecadores chegou à temporada de premiações como um dos filmes mais comentados de 2025 e rapidamente se consolidou entre os favoritos ao Oscar 2026. Dirigido por Ryan Coogler, o longa se destacou desde a estreia em abril, ganhou força nos festivais e passou a figurar com frequência nas listas de apostas para Melhor Filme, além de categorias técnicas e de atuação.

A campanha do filme ganhou ainda mais tração com indicações importantes no circuito da indústria. Pecadores apareceu com força no Actor Awards, no PGA e no DGA, além de marcar presença nas listas preliminares do BAFTA. Esse conjunto de sinais costuma indicar um desempenho robusto no Oscar e alimentou expectativas de que o longa poderia até ameaçar o recorde histórico de 14 indicações, dividido por A Malvada (1950), Titanic (1997) e La La Land (2016).

O problema é que o caminho até a estatueta não depende apenas do número de indicações. Um dado específico começa a acender o alerta para o desempenho final de Pecadores na votação da Academia. O filme arrecadou US$ 368,3 milhões (R$ 1,9 bilhão) em todo o mundo, um resultado expressivo para uma produção original. No entanto, cerca de 76% desse total veio exclusivamente dos Estados Unidos e do Canadá, uma concentração rara entre os maiores sucessos do ano.

Pecadores não encantou nas bilheterias

Esse perfil extremamente doméstico transforma Pecadores em um fenômeno essencialmente americano. A história, ambientada em um contexto histórico específico do sul dos Estados Unidos e profundamente ligada a uma tradição musical local, dialoga muito diretamente com o público norte-americano. Em um Oscar cada vez mais internacionalizado, isso pode pesar contra o filme na hora decisiva.

Nos últimos anos, a Academia ampliou significativamente seu corpo de votantes fora dos Estados Unidos. Com isso, produções com maior apelo global passaram a ter vantagem, especialmente quando disputam categorias principais. O BAFTA costuma funcionar como um termômetro desse voto internacional, e embora Pecadores tenha aparecido em várias listas longas, eventuais ausências em indicações-chave podem sinalizar dificuldades semelhantes no Oscar.

Além disso, a concorrência em 2025 é especialmente forte. Outros filmes chegaram embalados por vitórias em festivais internacionais e campanhas mais equilibradas fora do mercado americano. Em disputas apertadas, pequenas diferenças de apelo podem definir vencedores, e derrotas sucessivas em categorias relevantes tendem a se acumular ao longo da noite.

Pecadores dificilmente sairá do Oscar sem nenhum prêmio, mas a expectativa criada em torno de um possível domínio pode não se confirmar. Caso o filme lidere as indicações e converta pouco em vitórias, o resultado pode entrar para a lista de grandes frustrações recentes da premiação, reforçando a ideia de que nem sempre ser o mais indicado significa sair como o grande vencedor.

O filme está disponível na HBO Max. Assista abaixo ao trailer de Pecadores:

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Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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