(Foto: Divulgação/Pixar)
O estúdio viu seus filmes originais perderem força nos cinemas, especialmente pela nova estratégia da Disney no streaming
A Pixar enfrenta um problema que vai além de um único lançamento. Mesmo com décadas de domínio na animação, o estúdio vive hoje uma queda consistente no desempenho de seus filmes originais, algo que escancara uma crise silenciosa em Hollywood.
O sinal mais claro disso está em um recorde que permanece intocado há 23 anos. Lançado em 2003, Procurando Nemo segue como a animação original de maior bilheteria da história da Pixar, com US$ 871 milhões (R$ 4,3 bilhões) arrecadados mundialmente. Desde então, nenhuma produção inédita do estúdio conseguiu superar esse marco.
Nem mesmo sucessos recentes chegaram lá. Divertida Mente (2015) ficou perto, com cerca de US$ 857 milhões (R$ 4,2 bilhões), enquanto Viva – A Vida É uma Festa (2017) somou pouco mais de US$ 814 milhões (R$ 4 bilhões). Ainda assim, todos ficaram abaixo do fenômeno protagonizado pelo peixe-palhaço, que continua como referência máxima da empresa.
Divertida Mente quase bateu o recorde da Pixar
(Foto: Divulgação/Pixar)
O cenário piorou nos últimos anos. Após a pandemia, a Pixar viu seus filmes originais perderem força nos cinemas, muito por conta da estratégia da Disney de lançar títulos diretamente no streaming. Soul (2020), Luca (2021) e Red: Crescer É uma Fera (2022) foram para o Disney+, o que mudou o hábito do público e reduziu o interesse pelas estreias nas telonas.
Os números comprovam a queda. Desde 2020, os filmes originais da Pixar passaram a arrecadar, em média, cerca de US$ 198 milhões (R$ 981 milhões) globalmente, um valor muito inferior ao desempenho histórico do estúdio. Antes disso, entre 1995 e 2017, a média superava US$ 590 milhões (R$ 4,3 bilhões) por produção.
Enquanto isso, as sequências seguem dominando. Divertida Mente 2 (2024), por exemplo, arrecadou mais do que vários filmes originais recentes somados, reforçando a dependência crescente da Pixar por franquias já conhecidas do público.
Nem mesmo Toy Story 5, próximo grande lançamento do estúdio, deve mudar esse cenário. Embora a sequência tenha potencial para ser um sucesso, ela não resolve o problema central: a dificuldade da Pixar em transformar novas histórias em fenômenos globais como foi Procurando Nemo.
Hoje, a realidade é clara. A Pixar continua relevante, mas enfrenta uma mudança profunda no comportamento do público. E, enquanto não conseguir criar um novo sucesso original do mesmo tamanho, seguirá vivendo à sombra de um recorde que já dura mais de duas décadas.
Toy Story 5 estreia em 18 de junho nos cinemas. Assista abaixo ao trailer do novo filme:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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