(Foto: Divulgação/Netflix)
Acompanhar a trama absurda mais como comédia do que como suspense pode melhorar a experiência
Quando fiquei sabendo na semana passada que a Netflix iria lançar Ataque Brutal, tive três pensamentos logo depois de ler a sinopse e assistir ao trailer: um foi que eu queria muito ver, outro é que seria Top 1 do serviço de streaming e o último é que havia poucas chances desse filme ser bom. Eu vi, o longa de fato dominou a audiência da plataforma no fim de semana e é muito ruim.
No entanto, eu achei um “ruim divertido”, pois a própria trama dirigida por Tommy Wirkola (de Noite Infeliz) e produzida por Adam McKay (de Não Olhe Para Cima) não se leva nada a sério. Assistir ao filme mais como comédia do que como suspense pode melhorar a experiência.
Ataque Brutal se passa na cidade fictícia de Annieville, na Carolina do Sul, que é atingida pelo furacão Henry, de nível cinco, uma tempestade de proporções catastróficas que rompe diques e inunda as ruas. Com a subida das águas, tubarões acabam sendo transportados para dentro da zona urbana, transformando o cenário de resgate em uma luta por sobrevivência contra predadores naturais.
O resumo por si só já é bem chamativo, mas aí decidiram incluir nesse liquidificador do roteiro uma mulher grávida, uma jovem com agorafobia (transtorno relacionado ao medo intenso de lugares públicos) sem os pais e três crianças que vivem amendrontadas por um padrasto vigarista. Para justificar o interesse dos tubarões em invadir a cidade em meio ao furacão, Ataque Brutal usou um caminhão de açougue, que ficou preso na inundação durante o temporal.
Tudo vai acontecendo de forma rápida e pouco desenvolvida. O longa tem menos de uma hora e meia de duração. O núcleo das crianças não tem nenhuma conexão com o das protagonistas, interpretadas por Phoebe Dynevor (Lisa, a mulher grávida) e Whitney Peak (Dakota, a jovem com agorafobia). Para tentar dar algum contexto do que está acontecendo, inseriram uma equipe de reportagem e uma dupla de cientistas, um deles tio de Dakota.
[A partir daqui, spoiler de cenas finais do filme]
Muita gente pode ter começado a assistir ao filme na Netflix e desistiu no meio do caminho, mas quem resistiu até o final foi “premiado” com a divertida cena do parto, que incluiu a reprodução da música A Thousand Miles –sim, aquela da Vanessa Carlton, que ficou famosa com o Latrell (Terry Crews), em As Branquelas (2004). O bebê veio ao mundo na água da inundação, cercado de tubarões famintos e conseguiu sobreviver graças à chegada de um tubarão maior, o tubarão branco, que salvou as heroínas da trama.
Eu confesso que, durante o parto, eu soltei uma gostosa gargalhada com o que tinha acabado de ver na tela –o suspense Ataque Brutal conseguiu fazer algo que a comédia Anaconda (2025) não havia conseguido: me arracar boas risadas. Um detalhe é que, antes do parto, a personagem de Phoebe Dynevor já havia sobrevivido a uma árvore atravessada em seu carro e ao desabamento de uma casa em sua cabeça. É de fazer inveja a qualquer roteirista de filmes do The Rock.
O filme Netflix mistura dois elementos muito fáceis de transformar qualquer obra audiovisual em algo que chama a atenção da audiência: desastre natural e predadores aquáticos. Antes mesmo de ser lançado, inclusive, Ataque Brutal foi comparado a Predadores Assassinos (2019) –o longa de 2019 tem tempestade e tem inundação, mas os “vilões” são crocodilos.
Os efeitos visuais também, em muitas cenas, deixam a desejar e parecem que foram feitos em plataformas genéricas de inteligência artificial. Eu recomendaria esse filme para um amigo? Sim. E para um inimigo? Também! Ataque Brutal é ruim, mas não é irritante. Pode divertir pelo absurdo.
Vinícius Andrade
Jornalista e Coordenador de Conteúdo da Tangerina. Vinícius Andrade já foi editor do Notícias da TV. Interessado por tudo o que envolve mercado de entretenimento, tem mais de 14 anos de experiência na área e também trabalha com jornalismo local. E-mail: vinicius@tangerina.news
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