(Foto: Divulgação/FX)
Em vez de repetir fórmulas, It's Always Sunny in Philadelphia se reinventa com episódios experimentais que viraram referência
It’s Always Sunny in Philadelphia é frequentemente citada como uma das maiores comédias da história da televisão por um motivo simples e desconfortável para seus concorrentes mais populares. A série ignora quase todas as regras que consagraram o gênero e, ainda assim, se mantém relevante, afiada e criativamente viva após mais de duas décadas no ar.
Enquanto Friends (1994-2004) e Modern Family (2009-2020) apostam em arcos emocionais, aprendizado moral e personagens que evoluem com o tempo, It’s Always Sunny in Philadelphia faz exatamente o oposto. Sua regra central é clara desde o início: não há abraços, não há lições, não há crescimento. O grupo central é formado por pessoas egoístas, narcisistas e moralmente falidas que nunca aprendem nada, o que transforma cada episódio em uma sucessão de fracassos deliciosamente merecidos.
Essa postura radical transforma a série na anti sitcom definitiva. Em vez de buscar identificação confortável, Sunny aposta na catarse do desconforto. O humor nasce da repetição dos erros, da recusa em melhorar e da exposição crua do pior comportamento humano. É uma proposta que envelhece melhor do que as fórmulas clássicas, justamente por não depender de valores que mudam com o tempo.
Outro ponto decisivo está na liberdade criativa. A série nasceu de forma quase artesanal, com um piloto de orçamento irrisório gravado por amigos desempregados, e manteve esse espírito até hoje. Rob Mac, Glenn Howerton e Charlie Day continuam no controle total dos roteiros e da produção, o que permite abordar temas sensíveis como racismo, aborto e política de forma ácida, sem discursos fáceis ou didatismo.
Elenco de It's Always Sunny in Philadelphia
(Foto: Divulgação/FX)
Essa autonomia também explica a longevidade recorde. It’s Always Sunny in Philadelphia é a sitcom live action mais longa da história da TV americana, já soma 17 temporadas e está renovada para a próxima. Em vez de repetir fórmulas, a série se reinventa com episódios experimentais que viraram referência, como o plano sequência quase ininterrupto de Charlie Work, o musical absurdo The Nightman Cometh e o final de temporada Mac Finds His Pride, que surpreendeu ao misturar comédia com uma performance de dança contemporânea emocionalmente poderosa.
A entrada de Danny DeVito na segunda temporada elevou tudo a outro nível. Como Frank Reynolds, o ator não apenas salvou a série do cancelamento, como abraçou o lado mais grotesco do humor, se colocando em situações deliberadamente degradantes. Ver um ícone de Hollywood disposto a sair de dentro de um sofá ou comer lixo virou parte essencial da identidade da série.
Por fim, Sunny construiu uma relação rara com seu público por meio da consistência e da cultura de memes. Piadas internas como Pepe Silvia ou Rum Ham atravessaram temporadas e ganharam vida própria fora da tela. Esse acúmulo de referências cria a sensação de pertencimento e reforça o vínculo com os fãs, algo que poucas comédias conseguem sustentar por tanto tempo.
No fim das contas, enquanto Friends e Modern Family representam o auge da sitcom tradicional, It’s Always Sunny in Philadelphia se impõe como o padrão ouro justamente por rejeitar essa tradição. Ao escolher o caos, a falha moral e a ausência de redenção, a série encontrou uma fórmula que não envelhece e segue humilhando concorrentes mais comportados.
Todas as temporadas de It’s Always Sunny in Philadelphia estão disponíveis no Disney+. Assista abaixo ao trailer da série:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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