(Foto: Divulgação/Prime Video)
Periféricos segue como uma das produções mais subestimadas já lançadas pela Amazon
Em meio à enxurrada de lançamentos dos streamings, algumas produções acabam desaparecendo rápido demais do debate mesmo quando entregam ideias mais ambiciosas do que boa parte dos sucessos do momento. Foi exatamente esse o caso de Periféricos (2022), série do Prime Video que passou quase despercebida, mas continua sendo uma das experiências de ficção científica mais interessantes dos últimos anos.
Com apenas oito episódios, a produção estrelada por Chloë Grace Moretz apostou em um conceito que mistura viagem entre realidades, tecnologia avançada e questionamentos sobre o que realmente define o mundo em que vivemos. O resultado lembra obras que marcaram o gênero em décadas diferentes, mas sem abrir mão da própria identidade.
Baseada em um livro de William Gibson, autor frequentemente associado ao nascimento do cyberpunk moderno, a trama acompanha Flynne Fisher (Chloë Grace Moretz), uma jovem que vive em uma área rural dos Estados Unidos e começa a testar um sistema extremamente avançado de realidade virtual. O que parece apenas um experimento tecnológico rapidamente se transforma em algo muito maior quando ela percebe que não está entrando em uma simulação, mas interagindo com uma linha temporal real situada décadas no futuro.
É justamente nessa construção que a série encontra sua principal força. O visual futurista, dominado por grandes corporações, inteligência artificial e desigualdade social, aproxima Periféricos do imaginário clássico do cyberpunk. Ao mesmo tempo, a narrativa brinca constantemente com percepção, consciência e múltiplos níveis de realidade, criando um quebra-cabeça que exige atenção do espectador.
Chloë Grace Moretz em cena de Periféricos
(Foto: Divulgação/Prime Video)
Ao longo da temporada, a história amplia discussões sobre identidade, controle tecnológico e consequências do avanço científico sem perder o foco emocional nos personagens. Em vez de usar reviravoltas apenas como espetáculo, a série constrói uma sensação constante de instabilidade sobre o que é real e quais escolhas ainda podem mudar o futuro.
Talvez por isso o destino da produção tenha frustrado parte do público. Mesmo posicionando o universo para expandir conceitos maiores e deixando perguntas importantes em aberto, Periféricos acabou cancelada após sua primeira temporada. A decisão interrompeu um projeto que claramente parecia planejado para explorar ainda mais suas ideias sobre consciência digital e realidades alternativas.
Ainda assim, a temporada única funciona como uma maratona completa para quem procura ficção científica mais cerebral sem abrir mão de escala e visual cinematográfico. Em um catálogo cada vez mais dominado por continuações e franquias conhecidas, Periféricos segue como uma das produções mais subestimadas já lançadas pelo Prime Video.
No Rotten Tomatoes, a série do Prime Video alcançou 85% de aprovação do público. Assista abaixo ao trailer de Periféricos:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
Ainda não tem uma conta?
Só o que vale o play
Toda sexta-feira, no seu e-mail, as melhores dicas de filmes e séries para ver em casa