(Foto: Divulgação/Prime Video)
A nova série prova que derivados do Homem-Aranha podem funcionar perfeitamente sem Peter Parker no centro da história
Depois de anos acumulando fracassos com derivados do Homem-Aranha, a Sony finalmente encontrou uma fórmula que funciona. Spider-Noir estreou cercada de desconfiança no Prime Video, mas rapidamente se transformou em uma das produções mais elogiadas já lançadas pelo estúdio fora do universo principal do herói.
O sucesso da série estrelada por Nicolas Cage não apenas surpreendeu fãs e críticos, como também reacendeu um debate incômodo para a Sony. Afinal, se era possível criar uma adaptação tão bem recebida usando um personagem pouco conhecido, por que Morbius (2022), Madame Teia (2024) e Kraven, o Caçador (2024) fracassaram de forma tão contundente?
A resposta parece estar justamente no compromisso criativo. Enquanto os filmes anteriores tentavam transformar personagens secundários em protagonistas de grandes franquias, Spider-Noir abraça completamente sua própria identidade. A trama mergulha em uma Nova York estilizada dos anos 1930 e assume sem medo o tom de investigação noir que sempre definiu o personagem nos quadrinhos.
A escolha de Nicolas Cage também se mostrou decisiva. Depois de dublar o personagem nas animações do Aranhaverso, o ator ganhou liberdade para construir uma versão única do herói em live-action. O resultado foi um protagonista carismático, excêntrico e distante das abordagens mais genéricas que marcaram outros projetos da Sony.
Nicolas Cage em cena de Spider-Noir
(Foto: Divulgação/Prime Video)
O grande diferencial, no entanto, é que Spider-Noir não perde tempo tentando preparar continuações, universos compartilhados ou conexões desnecessárias. A série existe para contar uma história completa e focada em seu protagonista. Essa simplicidade contrasta diretamente com produções como Morbius e Madame Teia, frequentemente criticadas por parecerem mais preocupadas em construir franquias do que em desenvolver uma narrativa convincente.
O caso de Kraven também reforça essa percepção. Embora o filme tenha recebido elogios pontuais em alguns aspectos, muitos espectadores sentiram que a produção nunca decidiu se o personagem era um vilão, anti-herói ou herói tradicional. Já Madame Teia foi criticado pela falta de direção clara, enquanto Morbius tentou transformar seu protagonista em algo muito diferente daquilo que os fãs conheciam dos quadrinhos.
Até mesmo a trilogia Venom, que conquistou bons resultados comerciais, é vista por muitos como uma oportunidade parcialmente desperdiçada. O consenso é que o carisma de Tom Hardy carregou os filmes, mas que a franquia jamais alcançou todo o potencial de sua premissa.
Por isso, o triunfo de Spider-Noir acaba sendo uma faca de dois gumes para a Sony. A série prova que derivados do Homem-Aranha podem funcionar perfeitamente sem Peter Parker no centro da história. Ao mesmo tempo, deixa ainda mais evidente que o problema nunca foram personagens como Morbius ou Madame Teia. O verdadeiro obstáculo sempre esteve na forma como o estúdio escolheu contar essas histórias.
Todos os oito episódios da primeira temporada já estão disponíveis no catálogo da Amazon. Assista abaixo ao trailer de Spider-Noir:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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