(Foto: DC/Divulgação)
Cara-de-Barro mergulha no terror e reforça estratégia do estúdio de explorar diferentes gêneros no mesmo universo
A DC não parece interessada em transformar seu novo universo em uma sequência de filmes e séries com a mesma fórmula. Depois do faroeste espacial de Supergirl e da mistura de ficção científica com suspense policial de Lanternas, o próximo lançamento nos cinemas vai promover outra mudança radical: Cara-de-Barro será uma produção de terror.
Com estreia marcada para 22 de outubro, o filme será protagonizado por Tom Rhys Harries como Matt Hagen, conhecido vilão do Batman. A história voltará ao passado do personagem para mostrar sua transformação na criatura, mas fará isso por meio do body horror, subgênero que explora justamente as alterações e deformações do corpo como fonte de horror.
As prévias já deixam evidente o tamanho da mudança. Em vez de tratar os poderes de Hagen apenas como ferramentas para cenas de ação, Cara-de-Barro explora o aspecto perturbador de seu corpo em transformação. O personagem aparece com o rosto se desfazendo e, em outro momento, precisa lidar com a própria pele cobrindo seus olhos. É um nível de horror que nenhuma das produções anteriores da nova DC havia explorado.
Tom Rhys Harries em cena de Cara-De-Barro
(Foto: DC/Divulgação)
A sequência de lançamentos ajuda a revelar uma das características mais interessantes da estratégia de James Gunn para a franquia. Supergirl levou a DC para uma aventura espacial com elementos de faroeste. Lanternas manteve a ficção científica, mas acrescentou uma investigação criminal, atmosfera sombria e inspiração em True Detective. Agora, Cara-de-Barro abandona novamente esse caminho para entrar de vez no terror.
A proposta também distancia a DC da ideia de que todas as histórias de um universo compartilhado precisam seguir o mesmo tom. Desde Comando das Criaturas, lançado em 2024, a franquia já passou por animação adulta, aventura tradicional de super-heróis, comédia mais pesada, faroeste espacial e suspense policial. Cara-de-Barro adicionará o body horror a essa lista.
O terror ainda combina com uma característica importante do projeto: seu orçamento relativamente baixo. Cara-de-Barro custou US$ 40 milhões (R$ 204 milhões), enquanto Supergirl teve orçamento reportado de US$ 170 milhões (R$ 870 milhões). O gênero permite que recursos como próteses, efeitos práticos, iluminação e sombras sejam usados para construir tensão sem depender o tempo inteiro de uma versão do personagem criada por computação gráfica.
Se Cara-de-Barro confirmar o que suas primeiras prévias prometem, a maior conexão entre os projetos do DCU talvez não seja uma identidade visual ou um gênero específico, mas justamente a liberdade para não repeti-los. Em poucos lançamentos, a DC saiu de uma aventura espacial para um suspense policial e agora chegará ao body horror. A estratégia dá a cada personagem a oportunidade de protagonizar uma produção com identidade própria, mesmo que todos façam parte do mesmo universo.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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