(Fotos: Divulgação/Hotel Ca'd'Oro)
Primeiro hotel cinco estrelas de São Paulo foi demolido para a construção de duas torres com uso misto, inauguradas em 2016
Logo no primeiro episódio do documentário O Testamento, no Globoplay, uma curiosidade mencionada sobre a vida de Anita Harley é que ela morava no então Grand Hotel Ca’d’Oro, o primeiro cinco estrelas de São Paulo e uma das referências em hospitalidade na capital paulista. Para quem ficou curioso sobre o local, a Tangerina explica o que aconteceu com o hotel e o preço de uma diária atualmente.
“O Ca’d’Oro foi o primeiro cinco estrelas de São Paulo, sempre foi endereço de pessoas notáveis, celebridades e políticos. Mesmo a Pernambucanas estando aqui pertinho, ela [Anita] fazia questão de estar aqui. Ela tinha toda a sua estrutura, ela tinha um andar inteiro. Ela tinha lugar para trabalhar, tinha seus funcionários e não abria mão de ter o serviço aqui”, explica Fabricio Guzzoni, gerente do Ca’d’Oro e neto do fundador do hotel, em entrevista ao documentário.
Diretora de O Testamento, Camila Appel relata que Anita Harley, herdeira das Casas Pernambucanas, não levava uma vida convencional. “Dizem que ela acordava às seis da tarde. Trocava o dia pela noite e começava a fazer reuniões madrugada adentro. Ela comandava as Pernambucanas sem sair do hotel”, diz a documentarista, durante o primeiro episódio.
Foto antiga da fachada do então Grand Hotel Ca'd'oro
(Foto: Reprodução/Instagram)
A marca Ca’d’Oro tem mais de 70 anos de existência e foi criada pela família Guzzoni. O Grand Hotel abriu em julho de 1965 na Rua Augusta, na região central de São Paulo, e virou sinônimo de luxo na capital. Hebe Camargo (1929-2012), Luciano Pavarotti (1935-2007), Nelson Mandela (1918-2013), Pablo Neruda (1904-1973), Vinicius de Moraes (1913-1980), Di Cavalcanti (1897-1976), João Batista Figueiredo (1918-1999), Jânio Quadros (1917-1992) e uma grande lista de personalidades já passaram pelo hotel.
De acordo com reportagem de 2011 da revista Exame, Anita Harley morou durante mais de 30 anos no Hotel Ca’d’Oro. Ela precisou deixar o andar inteiro que ocupava por causa de uma reestruturação do empreendimento iniciada em 2009. “Ela [Anita] brigou comigo, mas a gente tinha que fechar as portas. Ela queria ficar no Ca’d’Oro, mas não tinha jeito. Infelizmente”, relembra Fabricio Guzzoni.
Cristine Rodrigues, pessoa de confiança de Anita e uma das envolvidas na disputa pela curatela da empresária, fala ao documentário que a controladora das Pernambucas foi a última pessoa a sair do Ca’d’Oro: “Ela não queria sair em hipótese alguma. Ela mudou para a Aclimação, mas o pensamento dela era voltar para o Ca’d’Oro quandro reabrisse”.
Fotos antigas do Grand Hotel Ca'd'Oro
(Fotos: Divulgação/Ca'd'Oro)
A família Guzzoni vendeu o terreno para a incorporadora Brookfield, mas anunciou a volta do Ca’d’Oro como parte do megaempreendimento com duas torres no mesmo endereço. Além do hotel e restaurante, o espaço passou a ter conjuntos comerciais e apartamentos residenciais. A obra custou R$ 300 milhões, e o funcionamento do hotel começou a ser retomado em outubro de 2016 –o acidente vascular cerebral (AVC) que deixou Anita em coma aconteceu em novembro daquele ano, ou seja, ela não teve tempo de voltar a morar no empreendimento.
A reforma teve como objetivo modernizar o Ca’d’Oro, que passou a ser quatro estrelas. Com piscina aquecida, biblioteca, academia, restaurante e um bar no rooftop, o hotel que fica perto da avenida Paulista segue bem avaliado em plataformas de hospedagem e no Google. Os quartos ficam do 19º ao 27º andar de uma das duas torres. As diárias para um casal custam de R$ 700 a R$ 1800.
Nascida em 1947, Anita cresceu cercada pela tradição e influência da família no varejo nacional: a empresária é filha de Helena Groschke Lundgren e bisneta de Herman Lundgren, fundador da Pernambucanas. Nos anos 1990, após a morte da mãe, assumiu a presidência da companhia.
Cena de O Testamento: O Segredo de Anita Harley
(Reprodução/Globoplay)
No entanto, um evento inesperado mudou o rumo da sua carreira. Desde 2016, está em coma depois de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), desencadeando uma batalha judicial em volta da sua curatela –nome do encargo legal atribuído a uma pessoa para representar alguém civilmente quando este não possui capacidade para fazê-lo, como a administração de seus bens.
O Testamento apresenta os bastidores das disputas envolvendo duas ex-funcionárias da empresária e o filho de uma delas pela herança avaliada em mais de R$ 1 bilhão. De um lado, Cristine Rodrigues, secretária de confiança de Anita e designada como responsável por seus cuidados em testamento vital, documento em que uma pessoa pode expressar desejos caso esteja incapacitada, como em um coma. De outro, Sônia Soares, a Suzuki, funcionária que residia na mansão da herdeira e que se apresenta como companheira de Anita.
O conflito entre elas se intensifica a partir do anulamento do testamento vital, como resultado de uma ação movida por Suzuki que retirou Cristine da curatela e a impediu de visitá-la no hospital. Nessa disputa também entra Arthur, filho de Suzuki e criado desde pequeno na casa da empresária. Ele ganha, judicialmente, o reconhecimento do vínculo de maternidade socioafetiva com Anita, tornando-se seu herdeiro direto e curador. Posteriormente, em um depoimento no tribunal, Cristine revela que Suzuki não poderia ser a esposa de Anita, porque a verdadeira era ela.
O documentário O Testamento: O Segredo de Anita Harley tem cinco episódios e está disponível para assistir na íntegra, no Globoplay.
Vinícius Andrade
Jornalista e colaborador da Tangerina. Vinícius Andrade já foi editor do Notícias da TV e tem especialização em SEO. Interessado por tudo o que envolve mercado de entretenimento, tem mais de 13 anos de experiência na área e também trabalha com jornalismo local. E-mail: vinicius@tangerina.news
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