FILMES E SÉRIES

Meg Ryan e Billy Crystal em cena de Harry e Sally - Feitos um Para o Outro, filme de Rob Reiner

(Foto: Divulgação/Columbia Pictures)

Harry e Sally

Como Rob Reiner mudou as comédias românticas para sempre

Décadas depois, Harry e Sally segue influenciando filmes e séries ao mostrar que histórias de amor podem ser complexas

Victor Cierro
Victor Cierro

Há 36 anos, Rob Reiner (1947-2025) lançou um filme que transformou de forma definitiva a lógica das comédias românticas em Hollywood. Harry e Sally – Feitos Um para o Outro (1989) chegou aos cinemas propondo uma história menos idealizada e mais madura sobre amor e amizade, o gênero passou a enxergar novos caminhos possíveis para além dos clichês tradicionais.

Até então, a maioria das comédias românticas seguia fórmulas bem definidas, com encontros previsíveis e conflitos fáceis de resolver. Bob Reiner, ao lado da roteirista Nora Ephron (1941-2012), decidiu inverter expectativas ao apresentar dois personagens que não se apaixonam à primeira vista e que passam anos construindo uma relação de amizade antes de qualquer envolvimento amoroso.

A mudança foi decisiva. Em vez de focar apenas na conquista, o filme explorou dúvidas, inseguranças e a dificuldade de admitir sentimentos quando a intimidade já está estabelecida. A abordagem adulta fez com que o público se reconhecesse nos diálogos e nas situações, algo pouco comum no gênero até aquele momento.

O próprio desfecho da história reflete essa virada criativa. Rob Reiner já revelou que o final original não previa que Harry e Sally terminassem juntos, influenciado por sua visão cética sobre relacionamentos naquele período da vida. Durante as filmagens, porém, o diretor se apaixonou por Michele Singer (1957-2025) e passou a enxergar o amor de outra forma, o que levou à mudança no encerramento do longa.

Michele Singer Reiner e Rob Reiner no tapete vermelho

Michele Singer Reiner e Rob Reiner no tapete vermelho em Hollywood

(Foto: Jason LaVeris/FilmMagic)

Influência de Rob Reiner

O impacto do filme também redefiniu carreiras. Meg Ryan se consolidou como um dos principais nomes das comédias românticas a partir daquele momento, abrindo caminho para uma sequência de sucessos nos anos 1990. O roteiro de Nora Ephron rendeu indicação ao Oscar, reforçando o prestígio da produção dentro e fora da indústria.

Entre as cenas mais lembradas está o momento no restaurante em que Sally demonstra como pode fingir um orgasmo. A frase final da sequência, dita por uma mulher sentada em outra mesa, entrou para a história do cinema e ganhou ainda mais significado ao ser interpretada por Estelle Reiner (1914-2008), mãe do diretor, eternizando a participação da família no clássico.

Décadas depois, Harry e Sally segue influenciando filmes e séries ao mostrar que histórias de amor podem ser complexas, imperfeitas e profundamente humanas. Ao apostar em personagens adultos e em sentimentos construídos com o tempo, Rob Reiner ajudou a redefinir o gênero e deixou um legado que continua vivo no cinema contemporâneo.

Harry e Sally – Feitos Um para o Outro está disponível no MUBI e MGM+. Assista abaixo ao trailer do clássico romântico:

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Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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