FILMES E SÉRIES

Fachada da Academia de Artes e Ciências Televisivas

Dima Otvertchenko/Wikimedia Commons

Análise

Rússia é banida do Emmy: Saiba como a guerra afeta o entretenimento

Netflix também paralisou produções no país, Fifa tirou times russos dos games e shows e festivais foram cancelados

Tangerina

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Ao se pensar na guerra iniciada pela Rússia contra a Ucrânia, o impacto óbvio que nos vem à cabeça são as vítimas, as vidas perdidas, destruídas, deslocadas ou abaladas pelos conflitos. Estamos acompanhando tudo isso quase ao vivo desde o dia 24 de fevereiro, quando começou o conflito. Mas, em um mundo globalizado, as consequências de um conflito militar extrapolam em muito as fronteiras dos países envolvidos e impactam até o entretenimento de quem está do outro lado do mundo.

Além de shows e estreias de cinema cancelados nos dois países, a Academia Internacional de Televisão, que promove o Emmy, anunciou que produções que tenham ligações com a Rússia não vão poder participar da premiação este ano. Mas não foi só isso, as consequências chegaram também nos games e festivais de cinema, entre outros.

Deixamos a política e as complicadas relações diplomáticas pra quem realmente entende do assunto. Mas, como o entretenimento é a nossa especialidade, estamos aqui pra contar pra você como as consequências da guerra entre Rússia e Ucrânia podem chegar até a sala da sua casa.

Emmy, Netflix, festivais

Como já dissemos, você não verá produções que tenham associação com a Rússia na premiação do Emmy, programada para o segundo semestre (ainda sem data definida). Em comunicado, o presidente da Academia de Televisão afirmou que não podiam, “em sã consciência, fazer negócios com qualquer entidade associada ou financiada pelo governo da Rússia.

Além disso, a Netflix interrompeu produções originais russas e a compra de filmes e séries, segundo a revista Variety. A plataforma de streaming tinha quatro originais russos em andamento, incluindo uma série de suspense policial dirigida por Dasha Zhuk, que já estava sendo filmda e foi suspensa. Seria a segunda produção russa da empresa depois de Anna K, que terminou ano passado.

A Rússia também foi impedida de participar de grandes festivais e premiações da indústria de cinema e TV. O Festival de Cannes, um dos principais do mundo, anunciou na terça-feira (1º) que não receberá delegações russas ou participantes com vínculos com o governo. 

Na segunda (28), a Bienal de Arte de Veneza descartou seu pavilhão russo, enquanto o Festival de Cinema de Veneza continua avaliando como responder aos pedidos de boicote aos filmes russos no evento.

O Festival de Cinema de Glasgow, na Escócia, decidiu retirar dois títulos russos da programação: No Looking Back, de Kirill Sokolov, e The Execution, de Lado Kvataniya. Já o Festival de Cinema de Locarno, da Suíça, anunciou que exibirá filmes russos em sua próxima edição em agosto.

Gigantes do entretenimento como Disney, Warner e Sony também suspenderam temporariamente a distribuição e reprodução de novos filmes na Rússia, devido aos ataques feitos à Ucrânia ao longo dos últimos dias. Assim, nem o novo filme do Batman, nem a animação Red: Crescer É uma Fera serão lançados no país.

E o boicote à produção cultural russa já foi sentido também aqui no Brasil. Uma tradicional mostra de cinema russo e soviético, que aconteceria de 10 a 23 de março em São Paulo, foi cancelada.

A oitava edição da Mostra Mosfilm de Cinema Soviético e Russo iria exibir 16 longas no Cinesesc. Entre eles, Vladivostok (2021), último lançamento da Mosfilm, o estúdio de cinema mais antigo da Europa, inaugurado por Lênin em 1920. Além de uma série de filmes em homenagem aos 200 anos do escritor Fiódor Dostoiévski e aos cem anos do cineasta Yuri Ozerov.

Rússia fora dos campos virtuais de futebol

No mercado de games, um dos principais impactos da invasão russa à Ucrânia se deu em um dos jogos mais populares do país: o Fifa. Em comunicado, a EA Sports, desenvolvedora do jogo, anunciou a remoção da seleção da Rússia e de todos os clubes do país nos seus jogos, incluindo Fifa 22, Fifa Mobile e Fifa Online.

“A EA Sports se solidariza com o povo ucraniano e, assim como tantas vozes por todo o mundo do futebol, pedimos pelo fim da invasão da Ucrânia”, diz o texto publicado pela EA. A medida reflete o que entidades reguladoras do futebol fizeram no mundo real. Em 28 de fevereiro, Fifa e Uefa anunciaram conjuntamente a suspensão da seleção russa e clubes russos de suas competições, em retaliação à guerra russo-ucraniana.

Mapa da Rússia e da Ucrânia

Os países enfrentam guerra pelo nono dia consecutivo

Reprodução

Os dois órgãos são responsáveis pelas principais competições de futebol do planeta, incluindo a Copa do Mundo e a Champions League.

A Ucrânia também é sede de alguns importantes estúdios de jogos na Europa, cuja rotina foi significativamente alterada pela invasão russa.

O caso mais famoso é o do jogo de terror S.T.A.L.K.E.R. 2.: Heart of Chernobyl, que estava previsto para dezembro e teve sua produção interrompida pelo estúdio GSC Game World, baseado em Kiev. As redes sociais do jogo publicaram um comunicado sobre a invasão russa, pedindo doações às forças armadas da Ucrânia.

Alguns estúdios também têm anunciado doações de sua arrecadação para instituições de ajuda humanitária. Uma das maiores campanhas é a da 11 Bit Studios, sediada na Polônia, país vizinho à Ucrânia. A produtora levantou US$ 850 mil (cerca de R$ 4,3 milhões) com as vendas do jogo This War of Mine, que fala sobre os horrores da guerra. O montante foi direcionado à Cruz Vermelha ucraniana.

Outras produtoras anunciaram a suspensão da venda de seus jogos na Rússia, como a CD Projekt RED (The Witcher, Cyberpunk 2077) e a Bloober Team (The Medium). No cenário de esportes eletrônicos, a promotora de torneios ESL baniu organizações russas de suas competições, como a Virtus.pro e a Gambit.

Shows e turnês suspensos

Na música, os reflexos da guerra são mais vistos no cancelamento de shows e turnês, tanto na Rússia quanto na Ucrânia. Iron Maiden, Patti Smith, Green Day, The Killers, Iggy Pop, Nick Cave & The Bad Seeds, Yungblud e Louis Tomlinson estão entre os artistas que já anunciaram que os shows marcados nestes países em 2022 não vão mais acontecer. 

Em seus comunicados, os astros fazem questão de condenar as ações do governo russo e mandar força para o povo ucraniano. “Nossos sentimentos estão com os ucranianos e com todas as pessoas corajosas que se opõem a essa violência e buscam a paz”, publicou Iggy Pop.

A empresa Live Nation, gigante do entretenimento por trás de alguns dos maiores festivais e turnês do mundo, também anunciou sanções. A produtora não vai mais promover shows na Rússia, nem ter qualquer tipo de negócio com o país.

E a Rússia também está oficialmente fora do Eurovision Song Contest, o tradicional festival da canção europeu, que em 2022 será realizado na Itália. O anúncio foi feito no último dia 25. “A decisão reflete a preocupação de que, por conta da crise sem precedentes na Ucrânia, a inclusão de um concorrente russo no concurso traria descrédito à competição”, explicou o European Broadcasting Union, sindicato que organiza o Eurovision. 

Em 2009, o Estádio Olímpico de Moscou chegou a ser sede do concurso. Naquele ano, a música inscrita pela Georgia, We Don’t Wanna Put In, foi banida por conta das alfinetadas ao presidente russo Vladimir Putin. 

Por fim, o Spotify anunciou nesta quinta-feira (2), que fechou seu escritório na Rússia por um prazo indeterminado. Além disso, a empresa removeu todo o conteúdo produzido pelas mídias estatais RT e Sputnik para assinantes que não moram na Rússia. 

Mas o serviço de streaming segue funcionando normalmente no país. Inclusive, a música mais escutada pelos russos na última semana foi Astral Step, do grupo de hip hop russo Shadowraze.

A canção, lançada em outubro de 2021, abre com os seguintes versos, em russo: “Eu dou um passo, eu voo direto para cima/ Meu conjunto vermelho matou todos eles/ Eles têm uma predefinição em sua cabeça/ Eu vou mostrar a luz do túnel”. Em outro trecho, o rapper canta “Todos os seus lucros estão caindo/ Eu atiro direto como um soldado/ Meu passo brilha – isso é um fato”. 

Astral Step tem 19,5 milhões de reproduções no Spotify, 1 milhão delas só na última semana.

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