FILMES E SÉRIES

Ryan Gosling em cena de Devoradores de Estrelas

(Foto: Divulgação/Amazon MGM)

Astro do Momento

Ryan Gosling entende a geração Z melhor que Hollywood

O ator não apenas se mantém relevante, como se reposiciona como um dos raros astros capazes de dialogar diretamente com diferentes audiências

Victor Cierro
Victor Cierro

Por muito tempo, Hollywood apostou no mesmo modelo de astro masculino: silencioso, distante e emocionalmente contido. Esse arquétipo funcionou por décadas, inclusive na carreira de Ryan Gosling, que se consolidou nos anos 2000 e 2010 como o galã introspectivo capaz de dominar a tela quase sem falar. O cenário mudou, e o ator parece ter sido um dos primeiros a perceber isso.

Durante boa parte de sua trajetória, Ryan Gosling foi associado a personagens marcados pela rigidez emocional e pela aura de mistério. Filmes como Drive (2011) ajudaram a fixar a imagem do herói calado, cuja força vinha mais do controle do que da conexão com os outros. Esse tipo de masculinidade, porém, começa a perder espaço entre os públicos mais jovens.

A virada mais evidente acontece com Barbie (2023). Ao interpretar Ken, Ryan Gosling usa tudo o que o público já conhecia sobre seu star system para desmontá-lo por dentro. O personagem é frágil, carente, exagerado e, muitas vezes, patético. A força da atuação está justamente em expor essas inseguranças, abrindo espaço para uma masculinidade menos defensiva e mais emocional.

Ryan Gosling em cena de Devoradores de Estrelas

Ryan Gosling em cena de Devoradores de Estrelas

(Foto: Divulgação/Amazon MGM)

Ryan Gosling é o astro do momento

Essa mudança dialoga diretamente com uma transformação clara no gosto da geração Z e da geração Alpha. Pesquisas recentes da Universidade da Califórnia em Los Angeles sobre hábitos de consumo indicam que esses públicos buscam personagens masculinos mais empáticos, dispostos a demonstrar afeto, pedir ajuda e se relacionar de forma genuína com os outros. O antigo “herói distante” já não representa o ideal dominante.

Os projetos recentes do ator seguem essa mesma lógica. Em O Dublê (2024), Gosling brinca com o próprio status de astro de ação ao viver um personagem que começa derrotado, inseguro e emocionalmente exposto. Já em Devoradores de Estrelas, ele interpreta um professor comum colocado diante de uma missão impossível, cuja sobrevivência depende mais da cooperação e da sensibilidade do que da força bruta.

Enquanto muitos estúdios ainda tentam entender por que certos modelos deixaram de funcionar, Ryan Gosling parece um passo à frente. Ao ajustar sua imagem pública e seus personagens a uma ideia de masculinidade mais conectada e humana, ele não apenas se mantém relevante, como se reposiciona como um dos raros astros capazes de dialogar diretamente com as novas gerações.

Em um momento em que Hollywood ainda insiste em fórmulas antigas, a leitura de Ryan Gosling sobre o público jovem mostra que a verdadeira reinvenção não está no espetáculo, mas na capacidade de escutar o que mudou fora da tela.

Devoradores de Estrelas estreia em 19 de março nos cinemas. Assista abaixo ao trailer do filme:

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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