FILMES E SÉRIES

Colin Ford e Sophie Simnett em Daybreak, série da Netflix

(Foto: Divulgação/Netflix)

Daybreak

Série da Netflix expôs um desperdício do streaming com histórias promissoras

Depois de quase sete anos, Daybreak segue lembrada menos pelo que mostrou e mais pelo que poderia ter desenvolvido

Victor Cierro
Victor Cierro

Cancelada pouco depois da estreia, Daybreak virou um dos exemplos mais claros de como a Netflix abandona ideias fortes antes de explorar todo o seu potencial. Lançada em 2019, a série terminou a primeira temporada com um gancho ousado e cheio de possibilidades narrativas, mas nunca teve a chance de desenvolver essa virada.

Ambientada em um mundo pós-apocalíptico dominado por adolescentes, a produção acompanha a jornada de Josh Wheeler (Colin Ford), que se enxerga como o herói da própria história enquanto tenta reencontrar Sam Dean (Sophie Simnett). A proposta inicial parece seguir um caminho conhecido, mas aos poucos a série passa a questionar esse ponto de vista e a brincar com a ideia de narrador não confiável.

O episódio final deixa claro que a história estava apenas começando. Sam rejeita a versão idealizada que Josh construiu dela e assume uma posição de poder inesperada, sentando-se no trono como nova líder de um dos grupos dominantes. A cena reposiciona completamente a personagem e muda o eixo da série, abrindo espaço para conflitos mais complexos.

[Atenção: Contém spoilers de Daybreak a seguir]

A virada ganha ainda mais força por envolver personagens centrais da dinâmica de poder. Após a queda de Baron Triumph (Matthew Broderick), a liderança antes exercida com violência por Turbo Bro Jock (Cody Kearsley) passa a ser disputada em outro nível. A reação de Josh, Angelica (Alyvia Alyn Lind), Ms. Crumble (Krysta Rodriguez) e Wesley (Austin Crute) reforça que aquela mudança não era apenas simbólica, mas um ponto de ruptura real na narrativa.

Netflix tinha um grande sucesso com Daybreak

Parte do impacto do gancho vinha justamente da ambiguidade. A ascensão de Sam poderia indicar uma futura vilã ou apenas revelar como Josh distorce os acontecimentos ao perder o controle da história. A presença de Mona Lisa (Jeanté Godlock) ao seu lado e o apoio imediato dos atletas sugeriam um novo jogo político, muito mais instável e imprevisível.

Ao optar pelo cancelamento precoce, a Netflix encerrou essa discussão antes que ela amadurecesse. A decisão reforçou uma crítica recorrente ao modelo do streaming, que frequentemente abandona séries no momento em que elas encontram uma identidade mais ousada e disposta a subverter expectativas.

Anos depois, Daybreak segue lembrada menos pelo que mostrou e mais pelo que poderia ter desenvolvido. O desfecho inacabado transformou a série em símbolo de um desperdício clássico da Netflix, quando histórias promissoras são interrompidas justamente na hora em que começam a se reinventar.

Assista abaixo ao trailer de Daybreak:

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Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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