(Foto: Divulgação/Netflix)
Ozark sempre reforçou seu compromisso com a lógica interna da história, evitando soluções fáceis ou redentoras
Mesmo após o fim de sua exibição, em 2022, Ozark segue como um dos títulos mais respeitados da história da Netflix. Lançada em 2017, a produção ajudou a consolidar o streaming como uma casa legítima para dramas adultos e densos, capazes de competir diretamente com os maiores clássicos da TV a cabo.
Desde o início, Ozark se destacou por uma abordagem fria e calculada do crime organizado. A trama acompanha a transformação gradual da família Byrde, que sai de uma vida aparentemente comum para se afundar em um esquema criminoso cada vez mais corrosivo. O ritmo deliberadamente mais lento da primeira temporada foi essencial para construir esse mergulho moral, algo que se tornaria marca registrada da série.
Ao longo de quatro temporadas, a produção manteve uma consistência rara. Mesmo com momentos pontuais de humor ácido, o suspense nunca se diluiu. Cada arco narrativo foi pensado para aprofundar as contradições dos personagens, resultando em um retrato cruel e progressivo de ambição, sobrevivência e hipocrisia.
Jason Bateman e Julia Garner em cena de Ozark
(Foto: Divulgação/Netflix)
Um dos grandes trunfos de Ozark sempre foi o elenco. Jason Bateman entregou uma atuação contida e inquietante como Marty Byrde, enquanto Laura Linney construiu uma Wendy cada vez mais implacável. Já Julia Garner se tornou o coração emocional da produção com Ruth Langmore, papel que lhe rendeu três prêmios Emmy. A série da Netflix também somou mais de 40 indicações na premiação.
Embora frequentemente comparada a Breaking Bad (2008-2013), Ozark conseguiu estabelecer identidade própria. Diferente do clássico da AMC, a série da Netflix envolveu toda a família no esquema criminoso, eliminando qualquer separação clara entre cúmplices e vítimas. Essa escolha narrativa ajudou a criar um suspense mais claustrofóbico e imprevisível.
O desfecho dividiu opiniões, mas funcionou como um encerramento coerente com a proposta da série. Ao optar por um final duro e sem concessões, Ozark reforçou seu compromisso com a lógica interna da história, evitando soluções fáceis ou redentoras.
Hoje, longe do auge do hype e sem depender de números recordes de audiência, Ozark permanece como um dos dramas criminais mais celebrados do século 21. Uma série que prova, com o passar do tempo, por que ainda é tratada como obra-prima do suspense no catálogo da Netflix. Assista abaixo ao trailer:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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