(Foto: Divulgação/Netflix)
A Queda da Casa de Usher se consolidou como um caso emblemático do streaming recente
Nem sempre a aclamação especializada é suficiente para transformar uma série em fenômeno. Um exemplo claro disso é A Queda da Casa de Usher (2023). A produção de terror da Netflix alcançou cerca de 90% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, mas ainda assim passou longe de ocupar o espaço que merecia no debate popular.
Criada por Mike Flanagan, a minissérie marcou o projeto mais ousado e divisivo da carreira do cineasta no streaming. Mesmo reconhecido como um dos grandes nomes do terror contemporâneo, Flanagan viu a série receber uma resposta bem mais morna do público, com índices inferiores aos de seus trabalhos anteriores.
Parte dessa reação está ligada à mudança radical de tom na Netflix. Diferentemente do terror emocional e mais contido de A Maldição da Residência Hill (2018), Usher aposta em uma mistura agressiva de horror gráfico, sátira política e humor ácido, abraçando o exagero e o grotesco como linguagem central.
A narrativa acompanha a queda de uma poderosa família ligada à indústria farmacêutica, costurando comentários sobre ganância corporativa, impunidade e poder. Cada episódio adapta livremente contos clássicos de Edgar Allan Poe (1809-1849), transformando histórias como O Gato Preto e O Coração Delator em peças de um mesmo quebra-cabeça trágico.
Willa Fitzgerald em cena de A Queda da Casa de Usher
(Foto: Divulgação/Netflix)
Essa abordagem fragmentada e menos sentimental afastou parte do público que esperava outro drama introspectivo no molde das séries anteriores de Flanagan. O início mais lento da temporada também contribuiu para a percepção de que se tratava de uma obra difícil de engatar, mesmo quando a proposta fica mais clara ao longo dos episódios.
Ainda assim, a recepção crítica deixou evidente o valor do projeto. A série da Netflix foi elogiada justamente pela coragem de reinventar Poe, pelo visual e pela disposição em retratar personagens deliberadamente repulsivos, algo raro no terror televisivo atual.
No fim, A Queda da Casa de Usher se consolidou como um caso emblemático da Netflix. Uma produção elogiada, provocativa e autoral que reforça uma verdade incômoda: nem mesmo 90% de aprovação da crítica garante reconhecimento imediato quando a obra decide desafiar expectativas.
Assista abaixo ao trailer da série da Netflix:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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