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Matthew Goode em cena de Dept. Q, da Netflix

(Foto: Netflix/Divulgação)

Vale o Play

Série de 9 episódios virou um novo clássico do crime na Netflix

Dept. Q encontrou sua própria identidade no streaming e já tem segunda temporada confirmada, mas retornará com uma ausência importante

Victor Cierro
Victor Cierro

A Netflix encontrou em apenas nove episódios uma de suas séries policiais mais elogiadas dos últimos anos. Dept. Q pegou elementos familiares do gênero, apostou em um protagonista difícil de engolir e construiu uma história que rapidamente passou de aposta discreta a um dos novos destaques do streaming.

Criada por Scott Frank, responsável por O Gambito da Rainha (2020), a produção acompanha o detetive Carl Morck (Matthew Goode), policial brilhante, mas extremamente hostil, que carrega as consequências de um ataque ocorrido durante o trabalho. Ferido no episódio, ele ainda precisa lidar com a morte de um jovem policial e com a condição de seu parceiro, que fica paralisado.

Leah Byrne, Matthew Goode e Alexej Manvelov em Dept. Q, da Netflix

Leah Byrne, Matthew Goode e Alexej Manvelov em Dept. Q

(Foto: Netflix/Divulgação)

A resposta da Netflix a Slow Horses

É justamente a personalidade de Morck que torna inevitáveis as comparações entre Dept. Q e Slow Horses. A série da Apple TV transformou Jackson Lamb (Gary Oldman) em um dos personagens mais marcantes do gênero ao apresentar um agente brilhante que não faz o menor esforço para ser agradável.

Morck segue por um caminho parecido. Sarcástico, agressivo e frequentemente cruel com as pessoas ao redor, o detetive poderia facilmente afastar o público. A diferença é que Dept. Q mergulha mais diretamente nos traumas do personagem para explicar parte desse comportamento sem necessariamente justificá-lo.

O protagonista da Netflix também encontra seu lugar entre outros personagens deslocados. Rose Dickson (Leah Byrne) é uma jovem policial que sofreu um colapso e acabou rebaixada à função de assistente, enquanto Akram Salim (Alexej Manvelov) é um refugiado sírio cujo passado indica habilidades muito maiores do que sua posição dentro da equipe sugere.

O trio trabalha em condições pouco glamourosas, instalado no antigo espaço de banheiros e chuveiros da delegacia. É outra característica que aproxima a produção da dinâmica de Slow Horses, cuja equipe de agentes rejeitados opera na decadente Slough House. No caso da Netflix, porém, o cenário escocês e a investigação de casos arquivados ajudam Dept. Q a construir uma personalidade própria.

Kelly Macdonald em cena de Dept. Q, da Netflix

Kelly Macdonald na série da Netflix

(Foto: Netflix/Divulgação)

Segunda temporada terá mudança importante

O sucesso foi suficiente para a Netflix renovar Dept. Q para a segunda temporada menos de três meses depois da estreia. Os próximos episódios também ganharão reforços importantes no elenco, incluindo Aisling Franciosi, Tony Curran, Alex Ferns e Amy Brenneman.

Ao mesmo tempo, uma personagem importante ficará de fora. Rachel Irving (Kelly Macdonald) não retornará na segunda temporada. A terapeuta de Morck teve papel fundamental no primeiro ano ao confrontar o comportamento do detetive e funcionar como uma das poucas pessoas capazes de atravessar suas barreiras emocionais.

A ausência não está relacionada a uma decisão criativa contra a personagem. Kelly Macdonald não conseguiu conciliar as gravações com seus compromissos em Lanternas, série da DC na HBO. A possibilidade de um retorno futuro permanece aberta caso a agenda da atriz permita.

Prevista para 2027, a segunda temporada colocará Morck e sua equipe diante de um crime escondido nos níveis mais altos da sociedade escocesa. Ainda sem repetir simplesmente a fórmula de Slow Horses, Dept. Q conseguiu usar elementos semelhantes para encontrar sua própria identidade e transformar nove episódios em uma das novas referências policiais da Netflix.

No Rotten Tomatoes, Dept. Q alcançou 88% de aprovação da crítica. Assista abaixo ao trailer da série:

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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