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Aubrey Plaza e Dan Stevens em cena de Legion

(Foto: Divulgação/FX)

Legion

Série no Disney+ virou obra-prima sem precisar de heróis conhecidos

Legion usa a linguagem da ficção científica para discutir identidade, trauma, memória e controle

Victor Cierro
Victor Cierro

A Marvel construiu sua força na televisão apostando em rostos famosos, conexões diretas com o cinema e fan service constante. No entanto, uma de suas produções mais elogiadas seguiu o caminho oposto. Disponível no Disney+, Legion (2017-2019) se tornou referência absoluta não por expandir um universo compartilhado, mas por ignorar quase todas as regras do gênero.

Lançada antes da explosão de séries derivadas de franquias, Legion surgiu como um experimento autoral dentro da Marvel. A série é tecnicamente ligada aos X-Men, mas faz questão de tratar essa conexão como pano de fundo. Não há participações especiais, não há preocupação com continuidade, não há necessidade de conhecimento prévio para acompanhar a história.

O protagonista é David Haller (Dan Stevens), um jovem diagnosticado com esquizofrenia desde a adolescência e internado por anos em instituições psiquiátricas. Aos poucos, a série revela que suas alucinações podem não ser sintomas de uma doença, mas manifestações de um poder mutante praticamente ilimitado. A narrativa coloca o espectador dentro da mente instável de David, embaralhando tempo, espaço e realidade.

Dan Stevens em cena de Legion

Dan Stevens em cena de Legion

(Foto: Divulgação/FX)

Legion não é como qualquer série de heróis

Essa escolha não é apenas estética. Legion usa a linguagem da ficção científica para discutir identidade, trauma, memória e controle. Superpoderes funcionam como metáforas, não como ferramentas para cenas de ação. Conflitos são travados mais no campo psicológico do que no físico, criando uma experiência que exige atenção e paciência do público.

O principal antagonista, Amahl Farouk, o Rei das Sombras (Navid Negahban), reforça essa proposta. Em vez de ameaçar o mundo com destruição em massa, ele atua de forma íntima e perturbadora, manipulando pensamentos e emoções. A relação entre vilão e herói é pessoal, desconfortável e cheia de ambiguidades morais, algo raro em adaptações de quadrinhos.

Visualmente, Legion também foge do padrão. A série aposta em design de produção estilizado, coreografias inesperadas, episódios quase oníricos e sequências musicais que fazem parte da narrativa. Nada ali parece pensado para agradar em massa. Cada escolha reforça a sensação de que o espectador está assistindo a algo mais próximo de um thriller psicológico do que de uma série tradicional de super-heróis.

Ao longo de suas três temporadas, Legion construiu uma reputação baseada em ambição criativa e liberdade autoral. É uma produção da Marvel que se sustenta pela ideia, pela execução e pelo risco assumido, não pela força de personagens populares. Justamente por isso, segue sendo lembrada como uma das séries mais ousadas já feitas a partir de um universo de quadrinhos, mesmo anos após seu final.

Legion alcançou 91% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. Assista abaixo ao trailer da série:

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Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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