(Foto: Divulgação/Netflix)
O cancelamento, que já parecia questionável na época, se torna ainda mais difícil de justificar hoje
A Netflix tem um histórico conhecido de cancelar séries antes da hora, mas poucas decisões envelheceram tão mal quanto a de encerrar GLOW (2017-2019). Com o passar dos anos, a produção não só ganhou status de cult como também passou a soar ainda mais relevante, especialmente em um momento em que o wrestling voltou ao centro da cultura pop.
Lançada originalmente como uma comédia dramática ambientada nos anos 1980, GLOW acompanhava um grupo de mulheres que tentava transformar um projeto improvável em um show de luta livre. Inspirada em uma promoção real da época, a série usava o ringue como ponto de partida para explorar relações, conflitos criativos e dinâmicas de grupo que iam muito além do espetáculo.
O grande trunfo da produção sempre foi o equilíbrio entre humor e drama. Ao mesmo tempo em que entregava momentos absurdos e caricatos típicos do universo do wrestling, GLOW mergulhava nos bastidores, mostrando inseguranças, ambições e rupturas entre as personagens. O resultado era uma narrativa que funcionava tanto como sátira quanto como estudo de personagens.
Outro diferencial importante estava no elenco. Liderada por Alison Brie, a série reunia nomes como Betty Gilpin, Marc Maron e um conjunto de atrizes que construíam uma química rara em tela. A dinâmica entre as personagens era o motor da história, com rivalidades, amizades e conflitos evoluindo de forma orgânica ao longo das temporadas.
Alison Brie em cena de GLOW
Divulgação/Netflix
Mesmo com três temporadas bem recebidas, GLOW acabou cancelada, deixando uma sensação clara de história inacabada. A decisão, que já parecia questionável na época, se torna ainda mais difícil de justificar hoje, principalmente diante do crescimento recente do interesse por conteúdos ligados ao wrestling na própria Netflix.
Esse contexto reforça a impressão de que a série estava à frente do próprio tempo. Elementos que hoje dominam o streaming, como narrativas híbridas, protagonismo feminino e exploração de nichos culturais específicos, já estavam presentes em GLOW anos antes de se tornarem tendência.
No fim, o legado da produção segue intacto. Mesmo sem continuação, GLOW permanece disponível no catálogo da Netflix como uma das experiências mais únicas do gênero, servindo como prova de que nem sempre o sucesso imediato define o impacto real de uma série.
No Rotten Tomatoes, GLOW alcançou 93% de aprovação da crítica. Assista abaixo ao trailer da série:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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