FILMES E SÉRIES

Nell Fisher em Stranger Things 5

Foto: Reprodução/Netflix

Referências

Stranger Things 5: Esses detalhes importantes passaram despercebidos

Particularidades ajudaram a construir a narrativa de forma bastante sutil, mas eficiente

Paola Zanon, jornalista da Tangerina
Paola Zanon

Além das diversas semelhanças com o universo de Harry Potter, o começo da quinta temporada de Stranger Things coleciona detalhes bastante sutis que ajudam a construir e explicar melhor a narrativa tanto dos personagens, quanto do próprio enredo. Não existe coincidência quando se trata dos irmãos Duffer, criadores da série da Netflix.

Muitas das referências, inclusive, podem não ter sido compreendida pelos fãs da produção, especialmente no Brasil, já que elas vêm de uma peça de teatro chamada A Primeira Sombra, escrita a partir de Stranger Things, contando a origem de Vecna/Henry/Um (Jamie Campbell Bower). Por enquanto, as apresentações foram feitas apenas nos Estados Unidos.

[Atenção: Contém spoilers da 5ª temporada de Stranger Things a seguir]

Referências sutis de Stranger Things 5

Dustin e o Clube dos Cinco

Logo em sua primeira cena, Dustin (Gaten Matarazzo) aparece no colégio com uma camiseta do Hellfire Club em homenagem ao Eddie (Joseph Quinn), que morreu na temporada anterior enquanto todos acreditavam que ele era o responsável pelos assassinatos. Mas a camiseta não é o único detalhe; todo o visual de Dustin é uma homenagem ao seu falecido amigo, como o cabelo comprido e um casaco que lembra John Bender (Judd Nelson), de O Clube dos Cinco (1985).

Assim como o personagem do filme, Eddie também era um rebelde “desajustado” e, ao mesmo tempo, consciente. E Dustin, traumatizado, anda pelo mesmo caminho. Sua caracterização é parte dessa nova personalidade revoltada que ele mostrou nos quatro primeiros episódios; ele não é mais aquela criança otimista e empolgada do começo de Stranger Things, o que também afeta sua amizade com Steve (Joe Keery), que ainda não sabe lidar com o comportamento do adolescente.

Gaten Matarazzo em cena de Stranger Things 5. Foto: Reprodução/Netflix

Gaten Matarazzo em cena de Stranger Things 5. Foto: Reprodução/Netflix

Gaten Matarazzo em cena de Stranger Things 5. Foto: Reprodução/Netflix

Uma Dobra no Tempo

O livro que Holly (Nell Fisher) está lendo no começo da temporada é bastante simbólico, já que é dele que vem o nome do Sr. Fulano (Vecna): Uma Dobra no Tempo. E não é só isso, a história é sobre uma viagem entre tempo e planetas para o resgate do pai de Meg, personagem central do livro, que também é uma criança.

Ela e seus amigos usam força interior e inteligência para derrotar o poderoso vilão It, que aprisiona as pessoas em Camazotz —nome que Holly e Max (Sadie Sink) usam para definir a dimensão na qual Vecna as prendeu. Esse detalhe também vem carregado de referências do universo de Pennywise, que virou até série na HBO Max.

Mundo Invertido x País das Maravilhas

Quando Will (Noah Schnapp), primeira vítima de Vecna, é levado ao Mundo Invertido, ele se depara com uma dimensão assustadora, sem luz e repleta de monstros, tendo que lutar pela própria sobrevivência. Holly, no entanto, é colocada em um mundo perfeito, que existe dentro das memórias de Henry. Até mesmo o vestido azul que ela escolhe remete ao conto de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

Essa diferença é porque Vecna não pretendia manter Will no Mundo Invertido; pelo contrário, ele queria que o garoto voltasse ao mundo real para servir como um portal de acesso ao vilão. Para Holly e outras crianças, no entanto, ele tem outros planos; Vecna precisa que os pequenos confiem nele, então suas memórias se tornam um lugar convidativo, apesar dos perigos, assim como o País das Maravilhas era para Alice.

Mais uma vez a trilha sonora

A música sempre esteve presente de forma essencial em Stranger Things, e na quinta temporada não é diferente. Lucas (Caleb McLaughlin) continua usando Kate Bush para tentar despertar Max do coma. O que ele não imagina, no entanto, é que isso é o que a mantém sã e viva dentro das memórias de Vecna. Tanto que, para atrair Holly e se revelar, a ruivinha desenha um mapa e escreve “walk up hill” (suba a colina), uma referência clara à música Running Up That Hill, que já salvou Max diversas vezes.

Em outro momento, ao descrever o Vecna, Mike (Finn Wolfhard) diz que ele é como se fosse um “master of puppets” (mestre dos fantoches) com os Demogorgons. Esse é o nome da música que Eddie toca no Mundo Invertido para atrair os morcegos.

Peça x Série

Convite que Max encontra na memória de Vecna. Foto: Reprodução/Netflix

Convite que Max encontra na memória de Vecna. Foto: Reprodução/Netflix

Convite que Max encontra na memória de Vecna. Foto: Reprodução/Netflix

Na quarta temporada, há inúmeras referências à peça teatral A Primeira Sombra, como a rádio WSQK e a constatação de que Joyce (Winona Ryder) conhece Henry do passado. No teatro, inclusive, os personagens são os mesmos que estão descritos no convite que a mãe de Will entrega no colégio, divulgando a própria peça. No elenco, o nome real de Vecna aparece como uma novidade no grupo teatral.

Em A Primeira Sombra, Henry sofre Bullying na escola, inclusive por parte da própria Joyce. A peça também desvenda o medo que Vecna sente da caverna que Max usa para se esconder: quando criança, ele foi parar lá por engano e acabou entrando em outra dimensão, onde conseguiu seus poderes e conheceu o Devorador de Mentes enquanto ainda era a sombra preta.

Mas a própria narrativa da série apresenta inconsistências com os roteiros da peça; na quarta temporada, por exemplo, o vilão conta que viu a sombra pela primeira vez quando Eleven/Onze (Millie Bobby Brown) o desintegrou e mandou para uma nova dimensão —ele acreditava até que havia morrido e estava no inferno, deixando claro que aquela foi sua primeira vez no Mundo Invertido, onde ele, em suas próprias palavras, se tornou um explorador.

Então, apesar das referências, não dá para confiar completamente que o enredo da série é uma continuação da peça que mostra a origem de Vecna.

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Paola Zanon, jornalista da Tangerina

Paola Zanon

Jornalista formada pela Cásper Líbero, repórter e redatora com passagens pelo Notícias da TV, R7, UOL Esporte, Lakers Brasil e UmDois Esportes. Apaixonada por cobertura esportiva e cultura pop em geral. E-mail: paola@tangerina.news

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