FILMES E SÉRIES

Millie Bobby Brown em Stranger Things

(Foto: Divulgação/Netflix)

Crítica

Stranger Things acaba sem ousar e paga o preço por isso

A série original da Netflix é segura demais para uma produção que já foi sinônimo de ousadia

Victor Cierro
Victor Cierro

O episódio final de Stranger Things chegou à Netflix cercado por uma expectativa rara até mesmo para OS padrões da era do streaming. Após quase uma década no ar, a série criada pelos irmãos Duffer precisava encerrar sua história sem apenas agradar fãs fiéis, mas também justificar o peso cultural que acumulou desde a estreia, em 2016. O resultado, no entanto, ficou preso a um meio-termo difícil de defender.

A quinta temporada já vinha sendo alvo de críticas por se afastar do clima mais contido e misterioso dos primeiros anos, e o desfecho reforça essa percepção. A série troca de vez o terror de cidade pequena por uma estrutura mais próxima de um espetáculo de ação, com direito a confronto final grandioso, falas de efeito e decisões previsíveis. Não é um desastre, mas está longe de ser um encerramento à altura do impacto que Stranger Things já teve.

O confronto derradeiro contra Vecna (Jamie Campbell Bower) segue uma lógica quase mecânica, lembrando mais um chefe de videogame do que uma ameaça verdadeiramente perturbadora. Falta risco, falta surpresa e, principalmente, falta a sensação de que algo irreversível está em jogo. Mesmo quando a série flerta com perdas mais duras, ela recua, mantendo um padrão antigo de evitar consequências definitivas para seus protagonistas.

Jamie Campbell Bower, como Vecna, em Stranger Things

Jamie Campbell Bower, como Vecna, em Stranger Things

(Foto: Divulgação/Netflix)

Stranger Things foi segura demais

Essa cautela excessiva afeta diretamente o peso dramático da conclusão. Ao longo dos anos, Stranger Things construiu personagens complexos e relações intensas, mas o final opta por soluções confortáveis. A indefinição do destino de um personagem importante até funciona como ideia, mas também soa como uma saída conveniente para não assumir escolhas mais radicais.

Curiosamente, é no epílogo que a série mais se aproxima de seu antigo brilho. Ao desacelerar e focar nos vínculos entre os personagens, Stranger Things recupera parte da sensibilidade que marcou suas primeiras temporadas. O tom nostálgico, mesmo flertando com o exagero, ajuda a humanizar a despedida e dá espaço para momentos sinceros entre o grupo central.

Ainda assim, nem todos saem ganhando. Joyce Byers (Winona Ryder), personagem que foi o coração emocional da série no início, passa grande parte do episódio final em segundo plano. Sua importância narrativa é reduzida, o que simboliza um problema maior da temporada. A atenção excessiva a novos personagens acabou esvaziando figuras que ajudaram a transformar Stranger Things em fenômeno.

No fim das contas, o encerramento deixa uma sensação agridoce. Não chega a comprometer totalmente a memória da série na Netflix, mas também não reforça seu legado. Stranger Things termina de forma correta, emocionalmente funcional, porém segura demais para uma produção que já foi sinônimo de ousadia. O preço dessa escolha é um adeus que conforta, mas não marca como poderia.

Pôster de Stranger Things 5

Stranger Things

Ficção Científica
16

Direção

Matt Duffer e Ross Duffer

Produção

Netflix

Onde assistir

Netflix

Elenco

Millie Bobby Brown
Noah Schnapp
Winona Ryder
Jamie Campbell Bower
Finn Wolfhard
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QUEM FEZ
Victor Cierro

Victor Cierro

Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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