(Foto: Divulgação/HBO Max)
Quanto mais a adaptação tratar o material original com seriedade, maiores são as chances de aceitação
O anúncio da nova série de Harry Potter pela HBO sempre veio acompanhado de expectativa e desconfiança na mesma medida. Afinal, a saga criada por J.K. Rowling não é apenas uma das mais populares da história do entretenimento, mas também um fenômeno cultural fortemente associado aos oito filmes lançados entre 2001 e 2011. Recontar essa história em formato de série parecia, até pouco tempo atrás, um risco enorme.
Esse cenário começou a mudar com o desempenho de Percy Jackson e os Olimpianos, produção do Disney+ que conseguiu algo raro em Hollywood: corrigir uma franquia mal-adaptada no cinema e reconquistar a confiança do público. Diferente dos filmes lançados na década de 2010, a série apostou em fidelidade ao material original e em uma construção mais paciente da narrativa, fatores que rapidamente se refletiram na recepção positiva.
A comparação entre as duas franquias se tornou inevitável. Enquanto Percy Jackson provou que a televisão é o formato ideal para explorar universos literários complexos, Harry Potter surge agora com a chance de aprofundar tramas, personagens secundários e momentos que os filmes precisaram condensar. A lógica é simples: o que funcionou para um pode, com os cuidados certos, funcionar para o outro.
Walker Scobell em cena de Percy Jackson
(Foto: Divulgação/Disney+)
Um dos principais acertos do Disney+ foi respeitar a idade e a essência dos personagens. Percy Jackson (Walker Scobell) é apresentado como um garoto confuso, impulsivo e em formação, exatamente como nos livros. A escolha ajudou a recuperar o tom de amadurecimento gradual da história, algo que a adaptação cinematográfica havia descartado ao envelhecer seus protagonistas.
A série também se beneficiou do envolvimento direto de Rick Riordan no processo criativo. O acompanhamento do autor assegurou uma coerência narrativa, respeito à mitologia e um equilíbrio mais consistente entre humor, aventura e drama. Para Harry Potter, essa lição é central: quanto mais a adaptação tratar o material original com seriedade, maiores são as chances de aceitação.
Outro ponto decisivo está no formato. Ao longo dos episódios, Percy Jackson conseguiu desenvolver relações como a de Annabeth Chase (Leah Jeffries) e Grover Underwood (Aryan Simhadri) sem pressa, permitindo que o público se conectasse emocionalmente com os personagens. Em uma saga tão extensa quanto Harry Potter, esse espaço narrativo pode fazer toda a diferença.
É verdade que o desafio da HBO é maior. Diferente de Percy Jackson, cujos filmes deixaram pouca saudade, Harry Potter carrega um legado cinematográfico ainda muito vivo na memória do público. Justamente por isso, o sucesso recente da série do Disney+ muda o jogo: ele mostra que o público está disposto a revisitar mundos amados, desde que a adaptação tenha paciência, respeito e uma visão clara do que está contando.
A série do Harry Potter estreia apenas em 2027. Já o próximo episódio de Percy Jackson chega ao streaming nesta quarta-feira (7). Assista abaixo ao trailer da produção do Disney+:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
Ainda não tem uma conta?
Só o que vale o play
Toda sexta-feira, no seu e-mail, as melhores dicas de filmes e séries para ver em casa