(Foto: Divulgação/DC Studios)
O filme chega aos cinemas cercado por concorrentes fortes e sem o impulso de entusiasmo que poderia ajudá-lo a se destacar
A nova fase da DC sofreu seu primeiro grande abalo com Supergirl. O filme estrelado por Milly Alcock estreou com 58% de aprovação no Rotten Tomatoes, índice que o coloca como o pior projeto avaliado desde o início da gestão de James Gunn e Peter Safran. Depois de uma sequência de lançamentos bem recebidos, a recepção morna da heroína muda o tom de um universo que vinha se vendendo como a retomada definitiva da editora.
O tropeço fica mais evidente quando comparado ao desempenho dos primeiros títulos desse recomeço. Comando das Criaturas abriu a nova DC com 95% de aprovação, Pacificador sustentou o embalo com 94% e Superman (2025) consolidou a fase positiva com 83%. Supergirl, por outro lado, surge bem abaixo desse patamar e quebra a sensação de regularidade que a DC tentava construir após anos de instabilidade nos cinemas.
A situação ganha peso extra, já que o longa não está sendo tratado como um desastre absoluto, mas como uma produção frustrante por ficar aquém do que prometia. O problema é justamente esse meio-termo: em vez de dividir opiniões de maneira apaixonada ou conquistar um consenso forte, Supergirl parece ter estacionado no território das obras apenas medianas.
Ao mesmo tempo, a recepção inicial deixa claro que Milly Alcock não é o problema do filme. A atriz aparece como o principal elogio das resenhas por construir uma Kara Zor-El intensa, imperfeita e cheia de personalidade, fugindo da sombra de Superman (David Corenswet) e propondo uma identidade própria para a personagem. A atriz entrega uma versão de Supergirl com potencial suficiente para se tornar peça importante da DC, mesmo que sua estreia solo não tenha encontrado a mesma força.
Milly Alcock em cena de Supergirl
(Foto: Divulgação/DC Studios)
As ressalvas mais recorrentes se concentram no que cerca essa protagonista. A crítica aponta um vilão sem peso, uma trama central pouco marcante e cenas de ação que não sustentam o impacto esperado de uma superprodução desse porte. É um diagnóstico incômodo para um estúdio que vinha apostando justamente na ideia de maior controle criativo e de filmes mais coesos. Se Superman ajudou a vender confiança no planejamento de Gunn, Supergirl abre a primeira rachadura visível nessa narrativa.
Ainda existe margem para a nota mudar, já que a média atual foi calculada com mais de 130 avaliações, um universo pequeno para um blockbuster. O próprio Superman ultrapassou a marca de 500 críticas no Rotten Tomatoes, o que mostra como o número de Supergirl ainda está longe do retrato final. Mesmo assim, a tendência inicial costuma indicar o rumo do consenso, e hoje o cenário mais provável parece ser o de um filme que ficará preso na parte mais baixa da faixa positiva, sem força para virar um fenômeno de crítica.
A dúvida agora é se a recepção morna vai parar no agregador ou se também afetará o desempenho comercial do longa. Supergirl chega aos cinemas cercada por concorrentes fortes e sem o impulso de entusiasmo que poderia ajudá-la a se destacar. Como a personagem já foi posicionada como figura importante do futuro da DC, o filme não precisa ser um fracasso para virar dor de cabeça. Basta render menos do que o esperado para transformar o primeiro deslize da nova era em um teste real para a promessa de reconstrução do estúdio.
Supergirl está em cartaz nos cinemas. Assista abaixo ao trailer do novo filme:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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