FILMES E SÉRIES

Milly Alcock em cena de Supergirl, um dos filmes que pode rivalizar com a Marvel

(Foto: Divulgação/DC Studios)

Análise

Supergirl reacende debate sobre um problema nos filmes de heroínas

O tema ganhou novo fôlego justamente porque o filme da DC voltou a seguir um caminho que muitos acreditavam estar ficando para trás

Victor Cierro
Victor Cierro

Desde que estreou nos cinemas, Supergirl vem dividindo opiniões por diferentes motivos. Além das discussões sobre sua recepção e desempenho, o filme acabou reacendendo um debate mais amplo sobre a forma como Hollywood costuma construir histórias protagonizadas por super-heroínas. E, nesse ponto, a nova produção da DC repete uma tendência que já vinha incomodando parte do público.

Ao longo dos últimos anos, filmes como Mulher-Maravilha (2017), Capitã Marvel (2019) e Viúva Negra (2021) mostraram que ainda são poucas as produções de super-heróis lideradas por mulheres. O problema, porém, não está apenas na quantidade. Em muitos casos, essas histórias acabam recorrendo a traumas, violência de gênero e exploração sexual como elemento central da jornada de suas protagonistas ou de personagens femininas importantes.

Em Supergirl, essa discussão ganha força por causa das mudanças feitas na adaptação de Woman of Tomorrow. Enquanto a HQ original já apresentava Krem como um criminoso brutal, o filme amplia suas motivações ao transformá-lo em um traficante de jovens garotas destinadas a se tornarem “noivas” dos Brigands. A alteração adiciona um tema de violência sexual que não existia dessa forma na obra original e muda significativamente o tom da narrativa.

A escolha lembra outro caso bastante discutido entre os fãs da Marvel. Em Viúva Negra, a história solo de Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) também gira em torno dos abusos sofridos pelas Viúvas, explorando temas como tráfico humano, manipulação e violência contra mulheres. Embora esses elementos façam parte da trajetória da personagem, muitos críticos defendem que Hollywood insiste em associar heroínas a esse tipo de sofrimento, enquanto filmes protagonizados por heróis raramente recorrem a traumas semelhantes.

Milly Alcock e Matthias Schoenaerts em cena de Supergirl

Milly Alcock e Matthias Schoenaerts em cena de Supergirl

(Foto: Divulgação/DC Studios)

Supergirl repete modelo ultrapassado

Esse padrão fica ainda mais evidente quando comparado aos filmes estrelados por personagens masculinos. Superman, Batman, Homem-Aranha e outros heróis enfrentam perdas e desafios pessoais, mas dificilmente suas histórias se apoiam em violência sexual ou exploração de gênero para justificar seus conflitos. Já nas produções protagonizadas por mulheres, esses temas aparecem com frequência muito maior, levantando o debate sobre até que ponto essa escolha narrativa realmente acrescenta algo às personagens.

Isso não significa que filmes de super-heróis não possam abordar assuntos difíceis. O ponto é que muitas pessoas passaram a questionar se histórias protagonizadas por mulheres precisam, repetidamente, recorrer aos mesmos tipos de trauma para transmitir uma mensagem de força ou superação. No caso de Supergirl, há quem defenda que a jornada de Kara Zor-El (Milly Alcock) continuaria funcionando da mesma forma sem essa mudança em relação aos quadrinhos, preservando o caráter inspirador da personagem sem adicionar um elemento tão pesado à trama.

Mais do que uma discussão sobre um único filme, Supergirl acabou recolocando em pauta uma pergunta importante para o futuro do gênero: será que Hollywood conseguirá criar mais histórias de heroínas que inspirem o público sem fazer da violência contra mulheres o principal motor da narrativa? Esse debate, que já acompanhava produções anteriores, ganhou novo fôlego justamente porque o novo filme da DC voltou a seguir um caminho que muitos acreditavam estar ficando para trás.

Assista abaixo ao trailer de Supergirl:

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Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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