(Foto: Divulgação/Pixar)
A Pixar reforça o que sempre fez melhor com a franquia: tratar seu legado com carinho, sem abrir mão da diversão
Toy Story 5 encontrou uma forma curiosa de revisitar uma das dúvidas mais antigas da franquia. 31 anos depois do primeiro filme, a nova animação da Pixar finalmente oferece uma resposta para a contradição que sempre cercou Buzz Lightyear: se ele não sabia que era um brinquedo em Toy Story (1995), por que também congelava quando um humano aparecia?
A questão acompanha o personagem desde a estreia do original. No primeiro longa, Buzz acredita ser um patrulheiro espacial de verdade e não um boneco, mas ainda assim segue a principal “regra” do universo da saga: ficar imóvel sempre que uma pessoa entra no ambiente. A lógica sempre pareceu torta, porque o comportamento fazia sentido para Woody e os outros brinquedos, mas não exatamente para alguém que, em tese, se via como um herói intergaláctico real.
Toy Story 5 resolve esse impasse logo na abertura. O filme mostra um grande lote de novos Buzz Lightyear perdido em uma ilha depois que um contêiner cai no mar. Programadas para acreditar que pertencem ao Comando Estelar, as versões do personagem partem em missão sem entender que são brinquedos, até chegarem a um pátio de cargas. É nesse momento que, ao ouvir a aproximação de um trabalhador, todas congelam de forma instantânea.
Woody e Buzz em cena de Toy Story 5
(Foto: Divulgação/Pixar)
A cena fica ainda mais esperta porque o próprio filme verbaliza a dúvida do público. Depois que o humano vai embora, um dos Buzz pergunta por que eles congelaram, como se a Pixar enfim admitisse em voz alta a inconsistência que os fãs apontam desde os anos 1990. Ninguém tem uma resposta objetiva, mas o momento deixa a pista que faltava: o ato de congelar não depende necessariamente de o brinquedo ter consciência da própria natureza.
A solução sugerida por Toy Story 5 é que esse comportamento faz parte de um instinto automático dos brinquedos, quase como uma programação de sobrevivência do universo da franquia. Em vez de transformar a velha incoerência em um grande mistério, o filme prefere tratá-la como um detalhe divertido, incorporando o debate dos fãs à narrativa sem quebrar a lógica interna que sustentou a série por décadas.
A própria Pixar já havia deixado claro que conhecia esse problema. Em 2020, Pete Docter contou que a equipe discutiu bastante a contradição durante a produção do primeiro Toy Story, mas decidiu não se prender a ela porque, na prática, isso não atrapalhava a história. A prioridade era manter a dinâmica do filme funcionando, sem gastar energia com uma explicação que, para o público infantil, nunca foi realmente um obstáculo.
Por isso, o acerto não está só em “tampar um buraco” do passado, mas em fazer isso do jeito certo: com leveza, humor e consciência do peso que a franquia tem para quem cresceu acompanhando Woody e Buzz. Ao recuperar uma discussão de 31 anos e transformá-la em piada dentro do próprio filme, a Pixar reforça o que sempre fez melhor com Toy Story: tratar seu legado com carinho, sem abrir mão da diversão.
Assista abaixo ao trailer de Toy Story 5:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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