(Foto: Netflix/Divulgação)
A plataforma tinha um filme capaz de entrar para seus grandes destaques, mas acabou entregando apenas um bom passatempo de fim de semana
A Netflix acaba de ganhar mais um suspense de ficção científica para seu catálogo, mas A Última Casa está longe de alcançar todo o potencial de sua excelente premissa. Liderado por Wagner Moura e Greta Lee, o longa constrói uma atmosfera de tensão eficiente e apresenta uma ideia intrigante sobre sobrevivência em um cenário pós-pandemia, mas acaba perdendo força justamente quando precisa entregar respostas.
A trama acompanha uma família que se vê presa dentro de casa após uma chuva misteriosa transformar o mundo exterior em uma ameaça mortal. O isolamento, que inicialmente parece apenas um inconveniente, rapidamente evolui para uma luta desesperadora por comida, recursos e sanidade. A história acerta ao explorar o desgaste psicológico provocado pelo confinamento, sem esconder o impacto emocional que essa realidade causa em cada um dos personagens.
O primeiro ato é, sem dúvida, o ponto mais forte do filme. Há criatividade na forma como a família aprende a sobreviver dentro de casa, improvisando soluções para problemas cotidianos enquanto o tempo passa e os recursos diminuem. A produção também evita romantizar o isolamento e mostra que a convivência forçada cobra um preço alto, tanto física quanto emocionalmente.
Wagner Moura e Greta Lee em cena de A Última Casa
(Foto: Netflix/Divulgação)
Wagner Moura entrega uma atuação sólida como o pai da família e consegue transmitir segurança mesmo quando o roteiro começa a vacilar. O ator sustenta boa parte do peso dramático da narrativa e convence como o líder daquele pequeno grupo. Já Greta Lee recebe um desenvolvimento mais limitado, consequência de um roteiro da Netflix que oferece pouco espaço para aprofundar sua personagem.
O maior problema de A Última Casa surge quando a história deixa de lado o suspense de sobrevivência para tentar explicar seus elementos de ficção científica. O mistério construído ao longo da narrativa perde impacto com respostas superficiais, enquanto o terceiro ato troca a tensão constante por uma conclusão previsível e muito menos envolvente do que o restante do filme.
Nem mesmo o visual das criaturas consegue elevar essa reta final. O design dos monstros é pouco marcante e as sequências de ação carecem do impacto necessário para transformar o clímax em algo memorável. O resultado é um desfecho que enfraquece uma experiência que, até então, parecia caminhar para algo muito maior na Netflix.
Ainda assim, A Última Casa funciona como um bom entretenimento para quem procura um suspense para assistir em casa. A combinação entre uma premissa instigante, momentos de tensão eficientes e a presença de Wagner Moura faz o filme valer a sessão. Fica apenas a sensação de que a Netflix tinha nas mãos um thriller capaz de entrar para seus grandes destaques, mas acabou entregando apenas um bom passatempo de fim de semana.
Assista abaixo ao trailer do filme original da Netflix:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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