FILMES E SÉRIES

A Odisseia chegou muito perto de igualar sozinho toda a bilheteria mundial da Warner Bros. em 2026

(Foto: Divulgação/Universal Pictures)

Análise

Warner vive crise em 2026; um único filme quase igualou sua bilheteria

O estúdio enfrenta um dos momentos mais delicados entre fracassos nas bilheterias, fusão bilionária travada e um cenário de incerteza

Victor Cierro
Victor Cierro

A Warner Bros. atravessa um dos períodos mais turbulentos de sua história recente. Além de acumular resultados abaixo do esperado nos cinemas em 2026, a empresa ainda enfrenta um impasse envolvendo sua fusão bilionária com a Paramount. O momento ficou ainda mais evidente após A Odisseia, novo filme de Christopher Nolan, chegar muito perto de igualar sozinho toda a bilheteria mundial somada pelo estúdio neste ano.

O épico estrelado por Matt Damon ultrapassou a marca de US$ 650 milhões (R$ 3,3 bilhões) em apenas 12 dias em cartaz e aparece entre as maiores bilheterias de 2026. No mesmo período, todos os filmes lançados pela Warner no ano somavam cerca de US$ 692 milhões (R$ 3,5 bilhões) mundialmente, uma diferença de pouco menos de US$ 40 milhões (R$ 204 milhões). A comparação virou um retrato do difícil momento vivido pelo estúdio.

Os números ajudam a explicar esse cenário. Enquanto Disney e Universal emplacaram fenômenos como Toy Story 5, Michael, Super Mario Galaxy: O Filme e a própria A Odisseia, a Warner não conseguiu colocar nenhum longa entre os grandes sucessos do ano. Seu maior lançamento até agora é Supergirl, que arrecadou cerca de US$ 125 milhões (R$ 639 milhões) no mundo. Outros títulos importantes, como Mortal Kombat 2, também ficaram abaixo das expectativas, encerrando a carreira nos cinemas com pouco menos de US$ 130 milhões (R$ 664 milhões).

  • Toy Story 5 – US$ 1,024 bilhão (R$ 5,24 bilhões)
  • Michael – US$ 1,016 bilhão (R$ 5,2 bilhões)
  • Super Mario Galaxy: O Filme – US$ 1,011 bilhão (R$ 5,17 bilhões)
  • O Diabo Veste Prada 2 – US$ 690,9 milhões (R$ 3,5 bilhões)
  • Devoradores de Estrelas – US$ 684,2 milhões (R$ 3,4 bilhões)
  • Pegasus 3 – US$ 656,5 milhões (R$ 3,3 bilhões)
  • A Odisseia – US$ 652 milhões (R$ 3,3 bilhões)
  • Obsessão – US$ 458,6 milhões (R$ 2,3 bilhões)
  • Milly Alcock em cena de Supergirl, filme da Warner

    Milly Alcock em cena de Supergirl

    (Foto: Divulgação/DC Studios)

    Fusão da Warner com Paramount

    A situação fica ainda mais delicada porque a empresa vive uma enorme incerteza fora das telas. A fusão de US$ 111 bilhões (R$ 567 bilhões) entre Paramount e Warner Bros. Discovery foi novamente adiada após um processo antitruste movido por procuradores-gerais de vários estados americanos. Para tentar acelerar a disputa judicial, a Paramount aceitou congelar voluntariamente a conclusão do negócio até, no máximo, junho de 2027.

    O atraso, porém, terá um custo elevado. Pelo acordo firmado entre as empresas, a Paramount precisará pagar US$ 650 milhões por trimestre aos acionistas da Warner Bros. Discovery caso a operação continue sem ser concluída a partir de outubro. Se a aquisição acabar barrada definitivamente pela Justiça, a companhia ainda terá de desembolsar uma multa de rescisão de US$ 7 bilhões (R$ 35 bilhões). Enquanto isso, ativos importantes como HBO, CNN e o próprio estúdio de cinema seguem em um cenário de indefinição.

    A batalha jurídica ainda está longe do fim. A Paramount tenta levar o caso a julgamento já em novembro, enquanto os estados que contestam a operação defendem que o processo seja realizado apenas em 2027. Até lá, a Warner continuará convivendo com a incerteza sobre seu futuro corporativo justamente em um momento em que precisa voltar a competir nas bilheterias.

    Os próximos meses serão decisivos para determinar se o estúdio conseguirá mudar o rumo de 2026. Além de recuperar espaço nos cinemas com seus próximos lançamentos, a Warner também depende do avanço da fusão para reduzir a instabilidade que cerca a companhia. Até agora, porém, o ano tem sido marcado por resultados decepcionantes nas telonas, uma disputa judicial bilionária e pela comparação incômoda com A Odisseia, que quase igualou sozinho toda a arrecadação mundial do estúdio em apenas 12 dias.

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    Victor Cierro

    Victor Cierro

    Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.

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