(Foto: Divulgação/Universal Pictures)
O estúdio enfrenta um dos momentos mais delicados entre fracassos nas bilheterias, fusão bilionária travada e um cenário de incerteza
A Warner Bros. atravessa um dos períodos mais turbulentos de sua história recente. Além de acumular resultados abaixo do esperado nos cinemas em 2026, a empresa ainda enfrenta um impasse envolvendo sua fusão bilionária com a Paramount. O momento ficou ainda mais evidente após A Odisseia, novo filme de Christopher Nolan, chegar muito perto de igualar sozinho toda a bilheteria mundial somada pelo estúdio neste ano.
O épico estrelado por Matt Damon ultrapassou a marca de US$ 650 milhões (R$ 3,3 bilhões) em apenas 12 dias em cartaz e aparece entre as maiores bilheterias de 2026. No mesmo período, todos os filmes lançados pela Warner no ano somavam cerca de US$ 692 milhões (R$ 3,5 bilhões) mundialmente, uma diferença de pouco menos de US$ 40 milhões (R$ 204 milhões). A comparação virou um retrato do difícil momento vivido pelo estúdio.
Os números ajudam a explicar esse cenário. Enquanto Disney e Universal emplacaram fenômenos como Toy Story 5, Michael, Super Mario Galaxy: O Filme e a própria A Odisseia, a Warner não conseguiu colocar nenhum longa entre os grandes sucessos do ano. Seu maior lançamento até agora é Supergirl, que arrecadou cerca de US$ 125 milhões (R$ 639 milhões) no mundo. Outros títulos importantes, como Mortal Kombat 2, também ficaram abaixo das expectativas, encerrando a carreira nos cinemas com pouco menos de US$ 130 milhões (R$ 664 milhões).
Milly Alcock em cena de Supergirl
(Foto: Divulgação/DC Studios)
A situação fica ainda mais delicada porque a empresa vive uma enorme incerteza fora das telas. A fusão de US$ 111 bilhões (R$ 567 bilhões) entre Paramount e Warner Bros. Discovery foi novamente adiada após um processo antitruste movido por procuradores-gerais de vários estados americanos. Para tentar acelerar a disputa judicial, a Paramount aceitou congelar voluntariamente a conclusão do negócio até, no máximo, junho de 2027.
O atraso, porém, terá um custo elevado. Pelo acordo firmado entre as empresas, a Paramount precisará pagar US$ 650 milhões por trimestre aos acionistas da Warner Bros. Discovery caso a operação continue sem ser concluída a partir de outubro. Se a aquisição acabar barrada definitivamente pela Justiça, a companhia ainda terá de desembolsar uma multa de rescisão de US$ 7 bilhões (R$ 35 bilhões). Enquanto isso, ativos importantes como HBO, CNN e o próprio estúdio de cinema seguem em um cenário de indefinição.
A batalha jurídica ainda está longe do fim. A Paramount tenta levar o caso a julgamento já em novembro, enquanto os estados que contestam a operação defendem que o processo seja realizado apenas em 2027. Até lá, a Warner continuará convivendo com a incerteza sobre seu futuro corporativo justamente em um momento em que precisa voltar a competir nas bilheterias.
Os próximos meses serão decisivos para determinar se o estúdio conseguirá mudar o rumo de 2026. Além de recuperar espaço nos cinemas com seus próximos lançamentos, a Warner também depende do avanço da fusão para reduzir a instabilidade que cerca a companhia. Até agora, porém, o ano tem sido marcado por resultados decepcionantes nas telonas, uma disputa judicial bilionária e pela comparação incômoda com A Odisseia, que quase igualou sozinho toda a arrecadação mundial do estúdio em apenas 12 dias.
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
Ver mais conteúdos de Victor CierroTangerina é um lugar aberto para troca de ideias. Por isso, pra gente é super importante que os comentários sejam respeitosos. Comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, com palavrões, que incitam a violência, discurso de ódio ou contenham links vão ser deletados.
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