(Foto: Divulgação/20th Century Studios)
O filme continua sendo um retrato de decisões criativas apressadas e oportunidades perdidas, mas também mostra lampejos de algo muito maior
Em 2006, parecia que a franquia dos mutantes tinha encontrado um limite. Depois de dois filmes que ajudaram a consolidar o cinema moderno de super-heróis, X-Men: O Confronto Final chegou aos cinemas cercado por expectativa e saiu marcado como o capítulo que derrubou a trilogia original. Por muitos anos, virou quase consenso tratar o longa como um dos maiores tropeços do gênero.
Só que duas décadas depois, revisitar o filme no Disney+ produz uma sensação curiosa. O terceiro X-Men continua cheio de problemas estruturais, mas o cenário atual dos filmes de herói acabou mudando a forma como ele é enxergado. Depois de anos de universos compartilhados gigantes, excesso de personagens e histórias comprimidas em um único longa, alguns defeitos de O Confronto Final parecem menos chocantes do que pareciam em 2006.
Isso não significa que o filme virou uma obra injustiçada ou que todos os seus erros desapareceram. Um dos pontos que mais chamam atenção hoje é justamente a ambição exagerada do roteiro. Em vez de desenvolver uma única ideia, o longa tenta adaptar ao mesmo tempo a saga da Fênix e a trama da Cura Mutante. Separadamente, qualquer uma delas teria material suficiente para sustentar um filme inteiro. Juntas, acabam disputando espaço e deixam a narrativa acelerada demais.
Essa pressa também atinge os personagens. Ciclope (James Marsden) praticamente desaparece da história, Vampira (Anna Paquin) perde relevância no clímax, Mística (Rebecca Romijn) sai cedo demais e figuras populares dos quadrinhos, como Psylocke (Meiling Melançon), Colossus (Daniel Cudmore) e Fanático (Vinnie Jones), recebem pouco espaço para realmente existir. O curioso é que o filme reúne em live action os cinco X-Men originais dos quadrinhos, algo que nenhum outro longa da franquia conseguiu fazer, mas quase não aproveita esse encontro histórico.
Famke Janssen e Ian McKellen em cena de X-Men 3
(Foto: Divulgação/20th Century Studios)
Ao mesmo tempo, o filme guarda momentos que continuam funcionando muito bem. Magneto (Ian McKellen) segue sendo um dos grandes destaques da franquia, especialmente nas cenas envolvendo a Ponte Golden Gate e a batalha final em Alcatraz. Fera também ganhou uma interpretação tão marcante que muitos fãs ainda associam o personagem diretamente ao trabalho de Kelsey Grammer. Até o desfecho entre Wolverine (Hugh Jackman) e Jean Grey (Famke Jansse) continua sendo lembrado como uma das cenas mais fortes da era Fox.
Também existe um fator que ajuda a explicar por que a percepção mudou com o tempo: X-Men: O Confronto Final deixou de carregar sozinho o peso de ser o pior filme dos mutantes. Produções posteriores receberam críticas semelhantes por excesso de personagens, confusão narrativa ou adaptações questionáveis. Isso não transforma automaticamente o terceiro filme em um clássico, mas ajuda a colocá-lo em perspectiva.
No fim, talvez a maior conclusão ao rever X-Men 3 hoje seja que ele nunca foi tão ruim quanto a reputação sugeria. O filme continua sendo um retrato de decisões criativas apressadas e oportunidades perdidas, mas também mostra lampejos de algo muito maior. Vinte anos depois, isso já basta para colocá-lo em uma categoria que parecia impossível quando estreou: a dos filmes que envelheceram melhor do que se esperava.
Grande parte dos protagonistas, como Patrick Stewart, Ian McKellen e James Marsden, estão confirmados em Vingadores: Doutor Destino. O novo filme da Marvel estreia em 17 de dezembro nos cinemas. Assista abaixo ao teaser focado nos X-Men:
Victor Cierro
Repórter da Tangerina, Victor Cierro é viciado em quadrinhos e cultura pop e decidiu que seria jornalista aos 9 anos. É cria da casa: antes da Tangerina, estagiou no Notícias da TV, escrevendo sobre filmes e séries.
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