FRESQUINHAS!

Anitta

Divulgação/Marco Ovando

Fresquinhas!

Não é só Anitta: Lançamentos da semana têm Lizzo, Negra Li e MD Chefe

Anitta reina obrigatória entre os lançamentos musicais mais importantes da semana, mas, de Lizzo a Luan Santana, ainda tem muito mais. Prepare os ouvidos para dar play!

Dora Guerra

Dora Guerra

Alô, sexta-feira da Paixão. Como vai? Hoje, claro, pra falar de lançamentos, vamos ter que falar do assunto do momento: não há como viver sem ter ouvido e formado uma opinião sobre o Álbum da Anitta.

Você sai de casa e corre o risco de alguém te parar na rua e exigir, além do comprovante de vacinação, sua opinião sobre o novo da Anitta. Ainda bem que a minha tá pronta.

Mas tem outras coisas, também: as duas Li, Lizzo e Negra Li, que andavam sumidas; a vontade de MD Chefe de agora vestir outra grife; mais VHOOR pra ouvir e dançar, dançar e ouvir. O frescor de feriado está altíssimo, o que pode ter a ver (ou não) com a frente fria vindo aí.

Vem cá:

Frescor de feriado

Anitta – Versions of Me

Parem de prestar atenção na capa. Fechem os olhos

Goste você das Gárgulas da Anitta ou não, é preciso admitir que a capa —e nome— são uma tentativa tardia de salvar o conceito do álbum. Pra além do papo das cirurgias plásticas (que eu genuinamente acho um bom assunto pra artista puxar em entrevistas), sem a ideia de “versões de mim”, ficaria difícil explicar a falta de coesão entre as canções. Mas a intenção do álbum é clara: não é pra ser uma obra conceitual, mas um compilado de lançamentos que devem ser possíveis-futuros-hits.

Nisso, Anitta se sai muito bem. E exalta sua versatilidade: tem reggaeton, tem funk, tem pop com EDM, R&B, tem até o pop-rock inesperado de Boys Don’t Cry. Pessoalmente, eu adoro a Anitta que descobri em Love You, que canta com charme sobre um beat que é praticamente baixo e percussão/palmas.

Nas versões de Anitta, existe uma pra cada um. E aí, você perdoa a mudança de nome principalmente porque Girl From Rio já era fraca e se torna fraquíssima perto do resto. 

Versions of Me dá um check em todas as caixinhas que Anitta pretendia: mostra a artista como uma boa cantora; criadora de hits (afinal, Envolver atingiu #1 outro dia); popstar confiante e sexy; orgulhosamente latina e brasileira; uma artista apoiada por Cardi B, Khalid, Ryan Tedder e mais; e, por fim, como uma pessoa capaz de cantar em três línguas, o que é extremamente impressionante pra gringo que não consegue nem ler legenda.

Vai resultar em um show contagiante, com tempo de sobra pra seduzir quem quer que esteja assistindo.

A real é que Anitta veio aí, mesmo. E eu, que não consigo nem fazer o challenge de Envolver, não sou ninguém pra criticar.

Lizzo – About Damn Time

Tava passando da hora da Lizzo lançar uma nova

Gosto de faixas cujo nome brinca com mais do que só a música: About Damn Time (algo como: tava na hora) inspira frases óbvias, como “tava na hora/tava passando da hora da Lizzo lançar uma música nova”. Bom, tava mesmo e cá está o lançamento.

À primeira audição da faixa, pensei comigo: “todo mundo faz seu Happy uma vez na carreira”. Mas aí lembrei que esse é o perfil de Lizzo, no fim das contas —faixas feel-good, pra se sentir bem consigo mesma, com o espelho, com a vida, ainda que você ande meio deprê. E a música tem um lado melancólico implícito: uma coisa meio “ando pra baixo, eu admito, mas quem sabe hoje não”. Não é a felicidade gratuita de Happy, pelo menos. 

Não vou mentir: About Damn Time é um pop-disco cujo som esbarra no genérico, especialmente num mundo já saturado pelo querido Future Nostalgia. Faz o mesmo tipo de aceno à era Nile Rodgers que um Get Lucky da vida, com talvez menos originalidade.

O lado bom é que Lizzo nunca precisou de um som disruptivo —nem precisa se adequar à música da moda— pra fazer o que faz de melhor. Ela se garante na personalidade transbordando, bom humor, tudo aquilo que a gente já sabe e ama.

A música tem seu ponto alto lá pelos dois minutos, quando ela solta uns versos que deslizam sem o menor esforço e quebra um pouco o refrão cantado-otimista. Mas de modo geral, vai tocar bem nas rádios, sua família vai amar.

Nas palavras de Isabela Boscov: “é inovador e revolucionário? Não. Mas durante aquela meia hora, cria ali pra você um lugar tão aconchegante, tão reconfortante…”.

Cena do clipe de About Damn Time, de Lizzo, um dos lançamentos da semana

Assista ao clipe de About Damn Time

Lizzo entendeu que não dava mais pra deixar a gente esperando

MD Chefe, Kloe – Burberry

Já um ícone da Lacoste, MD Chefe agora mira em outra grife

A voz de MD Chefe é uma entidade inegável —maior que todos nós, dominante, sedutora. É impossível não se render a ela. Mas uma voz dessas não garante todo o sucesso que o artista vem tendo até aqui.

A real é que o cara tem um flow absurdo, do tipo que você assusta e ele já soltou cinco versos em sequência na maior tranquilidade do mundo. E, claro, com o charme do sorrisinho de lado, que transparece na música o tempo todo.

No lançamento desta semana, Burberry, esses pontos se sobressaem sobre um beat repetitivo que quase não incomoda. A brevíssima contribuição da rapper Kloe dá o toque final, criando aquela interação no clima flerte-desafio que só as melhores tem (pensei lá em Promiscuous, veja bem). Dá pra TikTok, também. 

Burberry já é hit e merece ser. E é assim que, depois de conquistar a Lacoste, MD Chefe vai se tornar rei de uma grife de cada vez.

Cena do clipe de Burberry, de MD Chefe feat. Kloe

Assista ao clipe de Burberrry

MD Chefe mostra seu flow e o sorrisinho de lado em flerte com a rapper Kloe

VHOOR – Bass

Não se mexe em time que tá ganhando

Depois do sucesso de Baile, o produtor/beatmaker VHOOR lança Bass, primeira faixa do futuro trabalho Baile & Bass. É uma sucessão natural de tudo que vinha rolando: o produtor é um estudioso de tudo que bota a galera pra remexer, brincando com elementos contemporâneos e sonoridades atemporais.

Bass é assim chamada porque parte do Miami Bass, brincando com um áudio explicativo que se repete pedindo “more bass”. É mais densa —e tensa, aliás— que o trabalho prévio do beatmaker. Em Baile, o beat é pesado, mas a voz de FBC alivia. Bass é boa, mas pede continuidade, te deixa curioso pra ouvir o trabalho completo —pra descobrir como será o trabalho do beatmaker, agora que ele é um dos mais ouvidos do país. 

Outros lançamentos em uma frase

Negra Li – Era Uma Vez Liliane: 
o retorno da Negra Li tá vindo aí, devagar, te prepara.

Luan Santana, Henrique & Juliano – Erro Planejado: 
ah, finalmente, o retorno da música de corno —nem tão manso.

Márcia Fellipe – Vai Tomar no Tu Tu Tu: 
mais uma genial canção sobre o ato de ligar pra alguém, como os neandertais faziam.

E por hoje, acredito que seja só. Não é a semana mais movimentada de todas, a não ser que você esteja indo pro Rock The Mountain ou pro Coachella. E se esse for o caso, que vergonha. Tenho certeza que alguém da sua família está decepcionado que você não estará presente no almoço de Páscoa.

Nos vemos na semana que vem, que também tem um feriado, o que só pode ser compensação divina pelo que vivemos nos últimos anos. E se for, bom, espero que 2023 seja um enorme feriado. 

Até lá, amor.

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QUEM FEZ
Dora Guerra

Dora Guerra

Dora Guerra é pesquisadora musical e pensa mais sobre o tema do que deveria. Na Tangerina, publica a coluna Fresquinhas!, sobre lançamentos musicais. Suas posses incluem: a newsletter Semibreve, o podcast Queijo Quente, uma vira-lata caramelo, alguns vinis e uma vitrola estragada.

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