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Cena do trailer de Pokémon Scarlet e Violet

Divulgação/The Pokémon Company

Análise

Por que os novos Pokémon não estão em português?

Séries e produtos licenciados de Pokémon têm tradução para o nosso idioma há 20 anos. E os games principais da franquia?

Bruno Silva

Bruno Silva

A cena é comum: quando um jogo novo para o Nintendo Switch é anunciado, os fãs da marca no Brasil começam uma campanha para que ele chegue ao país traduzido em português. Os pedidos e as perguntas se repetiram mais uma vez com Pokémon Violet e Pokémon Scarlet, nova geração de games de Pokémon que chega ao aparelho no fim de 2022.

Nesta quarta-feira (2), a campanha ganhou uma aliada inesperada: Juliette, campeã do Big Brother Brasil 2021. “Realmente, eu acho um absurdo que Pokémon não tem uma versão (em português). Primeiro que eu não sei inglês e boneco não tem boca não. Pode ser em qualquer idioma. Isso é uma safadeza. Com quem eu falo? Diga aí onde que eu vou falar”, disse a cantora e influenciadora em seu Instagram.

Essa mobilização enorme —após a entrada de Juliette, a campanha alcançou os trending topics do Twitter— nos leva a uma pergunta que a comunidade gamer conhece há muito tempo: por que os novos jogos de Pokémon não têm uma tradução para português do Brasil? E por que a franquia ainda não tem nenhum jogo para consoles no nosso idioma?

A resposta, por incrível que pareça, é mais complexa do que você imagina.

Quem comanda a franquia Pokémon?

Para começar a respondê-la, precisamos explicar como funciona a estrutura corporativa de Pokémon. Os primeiros jogos saíram em 1996 para o Game Boy, em uma parceria entre as desenvolvedoras japonesas Game Freak e Creatures Inc. com a Nintendo, que cuidou da distribuição do jogo. O sucesso foi imediato e se espalhou para o resto do mundo quando os jogos viraram anime, em 1997.

Para lidar com um fenômeno global que surgiu do dia para a noite, as partes envolvidas na criação de Pokémon estabeleceram, em abril de 1998, uma empresa dedicada exclusivamente a gerenciar a marca: a Pokémon Company. Essa companhia é responsável pela administração de todos os produtos que envolvem Pokémon, da série animada —com direito a canal oficial no YouTube— a brinquedos, o popular jogo de cartas Pokémon TCG e, claro, a série de videogames de Pokémon.

Quando falamos dos produtos licenciados, Pokémon existe em português há pelo menos 21 anos, quando a TV Record trouxe o anime para o país. Desde então, vieram filmes, cartas e um batalhão de brinquedos. Nos games, o Brasil só foi ter seu primeiro jogo de Pokémon traduzido em 2017, quando Pokémon GO recebeu uma versão para português —vale ressaltar, quase um ano após o lançamento do jogo por aqui.

Em seguida, veio Pokémon Unite, jogo de combate em arena que também seguiu o mesmo roteiro: a versão em português veio algum tempo depois do lançamento oficial. Neste caso, também vale ressaltar que isso aconteceu após o lançamento do jogo, que antes era exclusivo do Nintendo Switch, para smartphones.

Tanto Pokémon GO quanto Pokémon Unite, no entanto, são títulos derivados de Pokémon. Não fazem parte da linha de jogos principais da franquia, que começou no Game Boy em 1996 e, desde então, sempre foi exclusiva de plataformas da Nintendo. Esses jogos são considerados os pilares da franquia, pois dão o pontapé para os demais produtos, como novas temporadas do anime e linhas do jogo de cartas.

E, quando se trata da Nintendo no Brasil, entramos em outro assunto complexo.

Cena do trailer de Pokémon Scarlet e Violet

Imagem do avatar em Pokémon Scarlet e Violet

Divulgação/The Pokémon Company

A Nintendo no Brasil

A relação da Nintendo com o Brasil é de altos e baixos. A empresa chegou ao país em 1993, sempre representada por companhias nacionais. O modelo chegou ao fim em 2015, quando a companhia japonesa anunciou sua saída do mercado nacional. A ausência durou até setembro de 2020, quando o Nintendo Switch, atual console da empresa, chegou oficialmente no país.

Ao longo dessa década, o próprio mercado de games brasileiro passou por profundas transformações. Uma das principais diz respeito à localização, que é o processo no qual se adapta os jogos para o nosso mercado. Isso pode acontecer tanto pela inclusão de menus e legendas traduzidos, quanto pela localização completa, que inclui até mesmo a dublagem das falas dos personagens.

O retorno da Nintendo ao país em 2020 levantou dúvidas sobre a atuação da empresa na localização de jogos, já que a prática é comum entre as principais empresas do mercado. A resposta é tímida, mas existe. Em 2021, Mario Party Superstars chegou ao país como o primeiro jogo da Nintendo em português para o Switch. Para este ano, mais dois jogos estão previstos no idioma: Super Mario Strikers e Nintendo Switch Sports.

Procurada pela Tangerina, a Nintendo afirmou que não vai comentar sobre o assunto.

O novo Pokémon pode vir traduzido?

Cena do trailer de Pokémon Scarlet e Violet

Trailer de anúncio de Pokémon Scarlet e Violet

Título está previsto para o fim de 2022

Comandada por duas empresas de atuação recente no mercado nacional quando se trata de traduzir seus jogos para português, a franquia Pokémon vive uma situação curiosa. Boa parte dos produtos que envolvem a franquia já estão traduzidos para o nosso idioma, mas os jogos, que são a base de tudo isso, não.

Os jogos que chegaram ao nosso mercado traduzidos para português têm alguns pontos em comum: ambos têm versões para smartphones, a plataforma mais popular para jogos no Brasil, e têm envolvimento de terceiros em sua produção. Pokémon GO é desenvolvido pela companhia americana Niantic, enquanto Pokémon Unite tem o envolvimento da gigante chinesa Tencent.

Quando se trata dos jogos principais, tanto Nintendo quanto a Pokémon Company preferem dar passos calculados e bem-pensados. A última grande expansão dos jogos principais de Pokémon foi em 2016 e mirou o mercado chinês, quando Pokémon Sun e Moon chegaram ao Nintendo 3DS com versões em mandarim.

Nós entramos em contato com a The Pokémon Company e atualizaremos a matéria em caso de resposta, mas, levando em conta o histórico dos jogos de Pokémon no país, o melhor é manter as expectativas baixas em relação a uma versão traduzida de Pokémon Scarlet e Violet.

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Bruno Silva

Bruno Silva

Editor de games e animes na Tangerina, Bruno Silva é brasiliense e fã de basquete. Jornalista, apresentador e streamer, foi co-criador do The Enemy e já publicou no Omelete, Nerdbunker, Metrópoles e Correio Braziliense.

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