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A atriz Larissa Manoela com um gorro azul marinho, uma franja do lado, olhos com muito lápis e cara de poucos amigos como a Isadora em cena de Além da Ilusão

Reprodução/TV Globo

WELCOME TO MY LIFE

Make Brasil emo again: Isadora em Além da Ilusão é pioneira do miguxês

Em meio a um revival do emocore, Larissa Manoela vira musa do miguxês na nova fase pós-punk de Isadora em Além da Ilusão

Daniel Farad

Os LPs de Linda Batista (1919-1988) não fazem mais a cabeça de Isadora (Larissa Manoela) em Além da Ilusão. Em meados dos anos 1940, a jovem adotou um visual digno de Hayley Williams e até já mandou a real para Violeta (Malu Galli) na novela das seis da Globo. Em bom e sonoro miguxês, claro, o idioma oficial dos emos: “nAum eh sOH 1 fase, mae“.

Ela, até então, seguia uma longa linhagem de patricinhas que teve seu melhor exemplar na Maria Joaquina de Carrossel (2012), do SBT. Num passe de mágica, ou como se tivesse trocado de lugar com a irmã gêmea, ela deixou os babados em troca de muito lápis no olho e a franja de lado.

A culpa? Como sempre, das más companhias. Isadora largou os vestidos e o emprego na Tecelagem Tropical para andar por aí com suas calças de brim na garupa da motocicleta de Nelsinho (Johnny Massaro). Um tipo de fazer inveja a Brendon Urie. 

Larissa Manoela, de repente, virou a ancestral de uma legião de jovens que destruiu os cabelos com uma mistura “atóxica” de água quente com papel crepom. Ou pior, daqueles que marcaram 80% do território brasileiro com o tom inconfundível da violeta genciana.

Muito além de uma franja, a nova fase de Isadora aponta mais do que um simples revival de uma das tendências mais odiadas –e também amadas– do pós-hardcore. Afinal, o emocore não está de volta por aí apenas porque a realidade é mais insuportável do que lidar com traumas causados pela repetição ad nauseam de Alguém que te Faz Sorrir, do Fresno.

Memória afetiva?

A leitura de uma rebeldia a partir de elementos emo significa, sobretudo, a chegada de profissionais millennials a postos de destaque ou de chefia no mercado de trabalho. A imagem do chocante passa por um novo olhar pessoal, que deixa para trás outros filtros. Assim, saem o gótico Reginaldo (Eri Johnson) em Explode Coração (1995); a clubber Simone (Samara Felippo) em Anjo Mau (1997); ou a funkeira de classe média alta Raíssa de América (2005).

Em vez de munhequeiras por todos os lados, o visual de Isadora indica talvez mais a entrada do emo num cânone do que necessariamente caminhar para esse revival. Em posições de poder, fãs tem a capacidade de projetar bandas e movimentos com esse verniz de cult acima do guilty pleasure. Ainda que traídos pela própria memória afetiva.

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Daniel Farad

Repórter. Além do Notícias da TV, também se juntou ao Tangerina para combater a mesmice e o escorbuto. Escreve do Rio de Janeiro, onde se sente eternamente em uma novela do Manoel Carlos. Aqui, porém, a gente fala mexerica. Fale com o Daniel: [email protected]

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