MÚSICA

Bad Bunny em foto de divulgação do álbum Debí Tirar Más Fotos.

Foto: Divulgação

Debí Tirar Más Fotos

A força que Bad Bunny trouxe para a música latina ao cantar sobre Porto Rico

Projeto lançado em 2025 consolidou o porto-riquenho como um artista dominante de forma global

Paola Zanon, jornalista da Tangerina
Paola Zanon

Lançado por Bad Bunny no começo de 2025, o álbum Debí Tirar Más Fotos consolidou o cantor como uma das maiores forças latinas na música global, principalmente depois de ser premiado como o Melhor Álbum no Grammy 2026, mas não foi só isso. A própria música latina ganhou ainda mais força diante da realidade de Porto Rico retratada nas letras.

Essas letras retratam questões como gentrificação, crise energética e neocolonialismo, presentes na realidade do país. Apesar das fortes críticas sociais, o álbum soa como uma carta de amor de Bad Bunny à sua terra natal por ressaltar a resiliência de seus conterrâneos diante de políticas públicas que não os beneficiam.

A identidade do álbum, gravado inteiramente em Porto Rico, é uma mistura de ritmos caribenhos: os urbanos reggaeton e dembow com os tradicionais bomba e salsa. Isso deu tão certo que pela primeira vez na história do Grammy uma obra cantada 100% em espanhol levou o prêmio máximo, além de Melhor Álbum de Música Urbana. Essa identidade ainda reforça que não é necessário deixar as raízes para se tornar uma estrela global.

Porto Rico pertence aos Estados Unidos, o que significa que todo porto-riquenho tem, por direito, a cidadania norte-americana, mas isso não os isenta das detenções do ICE (agência de imigração). Logo, a vitória se torna ainda mais forte e simbólica por acontecer em meio a um momento em que o simples fato de falar espanhol nos Estados Unidos pode resultar em ações violentas e deportações por parte dos agentes. É a forma mais pura de resistência através da arte.

A carreira de Bad Bunny

Antes de se tornar o artista mais ouvido do Spotify, conquistar dois Grammys e ser nomeado como atração do Show do Intervalo do Super Bowl, Bad Bunny, que na verdade se chama Benito Antonio Martinez Ocasio, fazia pequenos shows na capital de Porto Rico, publicava em seu Instagram e compartilhava no Soundcloud enquanto trabalhava como empacotador em um supermercado.

O alto número de streams indicava um sucesso em potencial, o que acabou atraindo a atenção de Luian, um produtor musical que estava abrindo sua própria gravadora, a Hear This Music, e o convidou para ser seu primeiro artista. Dois anos mais tarde, Bad Bunny apareceu na parada americana Hot Latin Songs com 15 músicas.

A partir daí, vieram as parcerias internacionais: Becky G, Enrique Iglesias, Drake, entre outros. Mas foi a parceria com Cadri B e J Balvin em “I Like It” que o colocou no topo da Billboard, trazendo reconhecimento internacional e novos ouvintes no Spotify, onde ele conquistou 9 milhões de seguidores na época —hoje, ele já acumula mais de 90 milhões.

Foi assim que um menino que cresceu nas praias da comunidade Vega Baja e sonhava em ser cantor desde os cinco anos de idade conquistou um grande espaço na indústria da música global.

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Paola Zanon, jornalista da Tangerina

Paola Zanon

Jornalista formada pela Cásper Líbero, repórter e redatora com passagens pelo Notícias da TV, R7, UOL Esporte, Lakers Brasil e UmDois Esportes. Apaixonada por cobertura esportiva e cultura pop em geral. E-mail: paola@tangerina.news

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