Charlie Brown Jr: Músicas inéditas, turnê de reunião e mais - Tangerina

MÚSICA

Charlie Brown Jr. com a atual formação

Divulgação/Marcelo Rossi

Entrevista

Charlie Brown Jr: ‘Há inéditas do Chorão, mas não depende só de nós’

Thiago Castanho e Marcão Britto falam sobre turnê de 30 anos de banda: 'Se Chorão e Champignon estivessem aqui, estariam fazendo o mesmo'

Luccas Oliveira
Luccas Oliveira

Em turnê pelo Brasil tocando o repertório do Charlie Brown Jr., os guitarristas Thiago Castanho e Marcão Britto (os dois mais à direita da foto acima, respectivamente) aportam na capital paulista neste sábado (30). O show será no Vibra São Paulo, casa para 7 mil pessoas na Zona Sul da cidade. E os ingressos estão com boas vendas, como tem sido na turnê comemorativa de 30 anos de banda.

Fundadores do grupo de rap rock ao lado do vocalista Chorão (1970-2013), do baixista Champignon (1978-2013) e do baterista Renato Pelado, Marcão e Thiago têm usado os próprios nomes para batizar a turnê. A decisão é parte de uma complicada batalha judicial que eles travam com Alexandre Abrão, filho de Chorão, pelo uso da marca Charlie Brown Jr.

A questão tem, segundo eles, afetado até os fãs, já que gravações inéditas da banda com o vocalista e o baixista mortos em 2013 não conseguem ser lançadas.

“Nada inédito sem o Chorão vai acontecer. Existem coisas inéditas com eles para serem lançadas, mas não depende só de nós”, afirmou Thiago. Marcão completou: “Se dependesse só de nós, tenha certeza que esse material já estaria ali com os fãs do Charlie Brown Jr. Porque o lugar desse material é com eles”.

Enquanto isso, os guitarristas seguem defendendo o repertório criado com os ex-integrantes ao longo da carreira do grupo, que marcou gerações de fãs e vem conquistando novos admiradores até hoje. Nos shows, eles são acompanhados por outros músicos que fizeram parte da história do Charlie Brown Jr.: o baixista Heitor Gomes e os bateristas Bruno Graveto e Pinguim Ruas.

Quem assume os vocais é Egypcio, conhecido por seu trabalho com a banda Tihuana, contemporânea do CBJr, que liderou por 18 anos.

Abaixo, veja outros tópicos do papo da Tangerina com Marcão e Thiago.

Primeiras impressões sobre a turnê

Marcão – Tem sido muito gratificante descobrir que o Charlie Brown Jr. está sendo acessado por várias novas gerações fãs. A banda estava parada há nove anos e tem uma molecada nova que nunca foi a um show indo agora, podendo ver a banda tocar todos esses sons da nossa discografia. É emocionante pra caramba. Temos feito shows de mais de duas horas, quase três horas de duração, com um repertório que passa por todas as fases da banda.

Ter propriedade para tocar o repertório do Charlie Brown Jr.

Thiago – A gente começou a banda, né. Somos fundadores do grupo e temos uma parte essencial aí na construção sonora dele, junto com Chorão, Champignon, Pelado… Quando a gente está tocando essas músicas, sinto que estamos tocando as nossas músicas. Músicas que a gente fez, que eu fiz, que o Marcão fez… A gente tem propriedade para fazer isso.

Marcão – É a celebração de uma história que não é só nossa, mas de todos os fãs também. Uma banda não se faz sozinha, sem público. E o Charlie Brown tem um exército de fãs, um público muito grande que curte nosso trabalho, sabe das informações, quem é quem… Da importância que a gente teve na banda, entende? É a história de uma galera.

‘Eles estariam fazendo o mesmo’

Marcão – A gente viveu, todos nós da banda, uma transformação muito grande, de ver nossa vida mudar e a banda crescer. Foram cinco anos de batalha no underground. Teve muito suor nessa história toda e é muito bom poder celebrar com essa verdade, agora. Sentir isso em cima do palco, acho que é o momento que a gente se sente mais próximo dos caras [Chorão e Champignon]. Fazendo um som, relembrando as músicas da banda. Acho que eles estariam fazendo o mesmo se estivessem aqui, porque se trata da história de vida deles. A coisa que eles mais amavam era estar no palco, gravar discos.

Critérios para a escolha de Egypcio como vocalista

Marcão – Em primeiro lugar, a gente queria um cara que não fosse exatamente um bom imitador do Chorão. A gente sabe que tem imitadores muito bons. Mas a gente queria alguém que cantasse com a própria personalidade. E cantasse bem as músicas, respeitando toda a história do Charlie Brown Jr. O Egypcio é um cara que começou praticamente junto com a gente, fomos lançados pela mesma gravadora muitos anos atrás, quando ele estava no Tihuana. Então já tínhamos uma amizade. E está sendo muito legal, deu uma química muito boa, e a galera está gostando das interpretações dele.

Thiago – Ele faz o lance dele e respeita muito a história da banda também. É um jeito muito verdadeiro, sem querer imitar o Chorão, mas cantando as músicas que ele escreveu, dando uma pitada particular. Isso dá uma legitimidade a mais.

Resistência de parte da opinião público à turnê

Thiago – Eu não sinto isso, cara. O que eu sinto é quando chego no palco e tem milhares de fãs na nossa frente. A gente tem o apoio deles. O que a gente quer é dar oportunidade às pessoas que nunca foram ao show do Charlie Brown Jr. de terem uma noção do que era aquilo, do que a gente fazia. Resistência existe em tudo que a gente faz. Mas a nossa frase, minha e do Marcão, é “respeitando o passado e eternizando o legado”. A gente quer, cada vez mais, ressaltar esse legado e levar nosso som para mais pessoas que a gente puder levar. O mais importante é que a gente está sendo respeitado pelos fãs.

Terem que adivinhar posições políticas e pensamentos que Chorão teria em entrevistas

Thiago – Muita gente pergunta “como é que seria o Chorão hoje?”, “como é que ele estaria nesse mundo moderno que a gente vive?”. Eu acho que o Chorão era um camaleão. Ele tinha um poder de se adaptar a situações e tinha um jogo de cintura muito grande. Ele estaria se adaptando muito bem, como sempre fez em outras situações. Perguntam também de partido, em quem ele votaria… Mas a gente nunca teve uma apologia política, nunca seguiu um candidato ou qualquer coisa do tipo. O Charlie Brown tinha um mundo meio que interno, a nossa verdade, a questão da rua, da sonzera.

Marcão – Vale lembrar que o Chorão nem celular tinha, ele era meio que um outsider. Ele era um cara presente, muito antenado, obviamente, mas não era muito da onda do momento, sabe? Para ligar pra ele num momento de emergência, a gente tinha que dar um jeito de achar o cara.

Planos para o futuro

Marcão – O legal é não ter planos nesse momento. A gente está deixando o lance rolar, é uma turnê que a gente vê como uma edição limitada, uma reunião dos músicos da banda, que construíram isso aí tudo. É uma celebração dos 25 anos do primeiro álbum e de 30 anos da banda.

Thiago – O que a gente quer fazer é tocar. Se a gente puder fazer isso durante bastante tempo, se estiver legal, vai fazer. Enquanto tiver uma vibe legal e a galera querendo ver.

Músicas inéditas do Charlie Brown Jr.

Thiago – Nada inédito sem o Chorão vai acontecer. Existem coisas inéditas com eles para ser lançadas, mas não depende só de nós, infelizmente.

Marcão – Acho até bom dizer que, se dependesse só de nós, tenha certeza que esse material já estaria ali com os fãs do Charlie Brown Jr. Porque o lugar desse material é com eles.

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Luccas Oliveira

Luccas Oliveira

Luccas Oliveira é editor de música na Tangerina e assina a coluna Na Grade, um guia sobre os principais shows e festivais que acontecem pelo país. Ex-jornal O Globo, fuçador do rock ao sertanejo e pai de gatos, trocou o Rio por São Paulo para curtir o fervo da noite paulistana.

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