MÚSICA

Desfiles de São Paulo: O sambódromo do Anhembi

Divulgação/Rafael Neddermeyer/LIGASP/Fotos Públicas

Carnaval

Conheça os enredos do Carnaval de SP, do high tech ao Preto Velho

Conheça as histórias que as 14 escolas do Grupo Especial vão levar ao Sambódromo do Anhembi

Bernardo Araujo

Bernardo Araujo

Alô, povão, agora é sério! Os desfiles de São Paulo estão de volta em 2022. Nos dias 22 e 23 de abril —sim, depois da Páscoa, de Tiradentes, junto com São Jorge, ou Ogum—, as escolas de samba dos Grupos Especiais de Rio e SP voltam à avenida. O retorno vem mais de dois anos depois dos desfiles de 2020, já às vésperas da pandemia.

Entre os enredos, os temas africanos predominam, principalmente no Rio, mas tem lenda indígena, personagem clássico da literatura teletransportado para o Nordeste, política e figuras importantes das artes brasileiras.

Bem-vindo de volta, Momo! Se cuida!

Desfiles de São Paulo 2022: Os enredos

Acadêmicos do Tucuruvi
Carnavais…De lá pra cá o que mudou? Daqui pra lá o que será?

Depois de garantir seu retorno ao Grupo Especial com o vice-campeonato de 2020, a escola quadricolor mergulha em uma viagem pelos antigos carnavais no enredo dos carnavalescos Dione Leite e Fernando Dias. Embalados pelo intérprete Leonardo Bessa (ex-Salgueiro e São Clemente), em um samba composto por uma turma de pesos-pesados do carnaval do Rio, a escola reflete sobre a evolução da folia e especula sobre seu futuro.

Colorado do Brás
Carolina – A Cinderela Negra do Canindé

A alvirrubra do Brás homenageia a escritora Carolina Maria de Jesus (1914-1977) —que, por coincidência, também está no enredo da Beija-Flor, no Carnaval carioca. O enredo do carnavalesco André Machado lembra a vida pobre de Carolina na Favela do Canindé, onde viveu até se lançar como escritora, com Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada, tornando-se uma das principais expoentes da literatura negra no Brasil.

Mancha Verde
Planeta Água

Depois do vice-campeonato em 2020, a escola ligada ao Palmeiras tenta seguir os passos do time em campo com um título. Para isso, investe em um enredo ecológico (nada mais adequado para uma escola chamada Mancha Verde), em que descreve as diferentes formas da água e alerta para a preservação.

Tom Maior
O Pequeno Príncipe no Sertão

E se o Pequeno Príncipe, personagem clássico da literatura, do francês Antoine de Saint-Exupéry, fosse parar no Nordeste brasileiro? Os cordelistas Josué Limeira e Vladimir Barros fizeram a adaptação, que os carnavalescos Flávio Campello e Judson Salles levam para a avenida, na escola do Sumaré. Criatividade típica do carnaval brasileiro.

Unidos de Vila Maria
O mundo precisa de cada um de nós. A Vila é porta-voz

Uma mensagem de esperança vem da Zona Norte de São Paulo, da tradicional escola verde, azul e branca. A agremiação aproveita a volta do Carnaval após a pandemia para propor uma reflexão, analisando a história da Humanidade até hoje e sugerindo união para que tudo entre nos eixos.

Acadêmicos do Tatuapé
Preto Velho conta a saga do café num canto de fé

A saga de uma iguaria que se confunde com a história do Brasil (na economia, na cultura, na sociedade e em diversos outros aspectos) é o tema da escola da Zona Leste de São Paulo, assinado pelo carnavalesco Wagner Santos. O samba, assinado por 22 compositores —inclusive a lenda Dominguinhos do Estácio, puxador multicampeão morto em 2021, aos 79 anos—, conta a história do grão em uma analogia com a figura mística do Preto Velho.

Dragões da Real
Adonira
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Uma das principais figuras do samba paulista e brasileiro é o tema da escola vermelha, branca e preta. Nascido João Rubinato em Valinhos-SP em 1912, Adoniran Barbosa era um cronista da classe trabalhadora paulistana, cuja vida contou em clássicos como Trem das Onze e Saudosa Maloca, sempre se equilibrando entre o humor e o drama. O samba-enredo tem entre os autores o humorista Marcelo Adnet e o neto de Adoniran, Alfredo Rubinato. Originalmente, a Dragões homenagearia Raul Seixas, mas acabou optando pelo autor de Iracema.

Vai-Vai
Sankofa! Volte e pegue, Vai-Vai

Uma das decanas do Carnaval brasileiro —fundada em 1930 no Bixiga—, a tradicional escola alvinegra volta ao Grupo Especial pelas asas de uma lenda africana. O enredo do carnavalesco Chico Spinoza, velho conhecido dos sambódromos paulistano e carioca, fala de um pássaro mitológico, que tem a cabeça virada para trás, a fim de aprender com o passado. O samba-enredo defendido por Luís Felipe tem Xande de Pilares como um dos autores.

Gaviões da Fiel
Basta!

Tangenciar temas políticos no carnaval é praticamente obrigatório nos tempos atuais, mas a gigantesca escola corintiana é uma das únicas a assumir um tema explicitamente panfletário, ao abordar a desigualdade social. Depois de amargar um décimo primeiro lugar em 2020 (quando era comandada por Paulo Barros), a Gaviões protesta em busca do título —um retrato pouco lisonjeiro do presidente Jair Bolsonaro já criou polêmica às vésperas da folia.

Mocidade Alegre
Quelémentina cadê você?

A escola vermelha e verde do bairro do Limão respeita seu DNA africano com este enredo sobre a cantora Clementina de Jesus (1901-1987), “a cara do Brasil”, segundo a sinopse do carnavalesco Edson Pereira. Além do sucesso como artista, a escola mostra as raízes africanas e a importância de Quelé na aceitação das religiões de matriz africana no Brasil.

Águia de Ouro
Afoxé de Oxalá – No ‘Cortejo de Babá’, Um Canto de Luz em Tempo de Trevas

A atual campeã do Carnaval paulistano é mais uma a mergulhar nos saberes africanos, na busca pelo bicampeonato. Novamente pelas mãos do carnavalesco Sidney França, a escola da Pompeia exalta a diversidade étnica e religiosa —ou seja, o Brasil, ou o que o país deveria ser. O samba é mais um que tem entre seus autores Dominguinhos do Estácio, assim como o do Tatuapé.

Barroca Zona Sul
A evolução está na sua fé… Saravá Seu Zé!

Se não falam de África e de suas religiões tão frequentemente quanto as escolas cariocas em 2022, as paulistanas não deixam de bater cabeça para as principais entidades. O malandro Zé Pelintra é o tema da escola do Jabaquara, em enredo desenvolvido pelos carnavalescos Rodrigo Meiners e Sérgio Sapo. Em um alerta contra a intolerância religiosa, a escola conta a história do pernambucano que se encantou e foi passear de terno branco e chapéu pelas ruas do Rio.

Rosas de Ouro
Sanitatem

Assim como Unidos de Vila Maria e Viradouro, a Rosas embarca no pós-pandemia para contar sua história. O tema do carnavalesco Paulo Menezes é um grande ritual de cura, comandado pelos deuses do Carnaval, sem deixar de exaltar a ciência. Uma sessão de descarrego ao som da bateria de mestre Rafael Oliveira.

Império de Casa Verde
O poder da comunicação: Império, o mensageiro das emoções

Última a desfilar, já na manhã deste domingo de carnaval em abril, a escola da Zona Norte paulistana leva seu Tigre Guerreiro em uma viagem pela história das comunicações, em um enredo high-tech comandado por Mauro Quintaes e Leandro Barboza.

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QUEM FEZ
Bernardo Araujo

Bernardo Araujo

Bernardo Araujo é jornalista e crítico de música há uns trinta anos, embora ninguém diga. Carioca e tricolor, milita no heavy metal desde antes do Rock in Rio de 1985, sendo um orgulhoso traidor do movimento ao escrever sobre samba, MPB e outros absurdos. Apresenta o Panorama, na Rádio Cidade (RJ), edita a revista Traços-RJ e faz jornalismo por aí, sempre tentando acertar as crases.

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