MÚSICA

Capa de Skank, disco homônimo da banda

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Seis discos brasileiros de 1992 que provam que o tempo voa

Do axé ao reggae, relembramos seis álbuns que marcaram a história da música brasileira —e que você não vai acreditar que já têm 30 anos

Nicolle Cabral

Nicolle Cabral

Em 2022, alguns discos históricos brasileiros celebram a marca de 30 anos — talvez, a partir deste fato, você dê largada à crise da meia-idade e comece a dizer frases como “na minha época…”. Porque sim, foi em 1992 mesmo que Daniela Mercury deu forma pop ao axé com O Canto da Cidade.

Aposto que você pensou: “não é possível que já fazem 30 anos!”. Então pega essa: também foi em 1992 que o Skank lançou seu primeiro disco e estouro com sucessos como In(dig)Nação e O Homem Q Sabia Demais. E Sandy & Junior lançaram seu segundo disco, Sábado à Noite.

No mesmo ano, o Mastruz com Leite também o primeiro aceno ao forró eletrônico (presente hoje nos hits virais e atuais de João Gomes e Zé Vaqueiro), com Arrocha o Nó.

O que podemos dizer? 30 anos passam voando. Mas não se desespere! Aproveite esse momento para relembrar com carinho o puro suco dos discos brasileiros lançados em 1992. Com direito a curiosidades sobre cada um deles.

Daniela Mercury – O Canto da Cidade

“O canto dessa cidade sou eu, o canto dessa cidade é meu”, exclama Daniela Mercury no poderoso refrão que marcou a explosão de um novo gênero musical no Brasil, a axé music. Não que ela tenha sido pioneira: outros artistas deram os primeiros passos do que seria chamado axé, mas a cantora foi a figura responsável por “traduzir” os elementos desse gênero para o público geral.

A faixa-título, interpretada por Mercury, é de autoria de Tote Gira. O artista é compositor e frequentador ávido dos blocos afro, que surgiram em Salvador durante o período da ditadura militar. Inteiramente inspirada na celebração da cultura negra, a composição, contudo, passou pelo processador mercadológico da época e ganhou elementos da música pop.

Na obra Canto da Cidade: da Matriz Afro-Baiana à Axé Music de Daniela Mercury, o jornalista e produtor cultural Luciano Matos discorre sobre o embranquecimento da canção. Apesar disso, o disco chegou em um momento histórico e inflamado politicamente no Brasil. A canções viraram hino nas rádios brasileiras, como um compilado de canções fortes, afirmativas e originais da cultura de Salvador. O Canto da Cidade marca o início da supervalorização dos verões baianos refrescados pelo axé.

Daniela Mercury em capa de O Canto da Cidade

O Canto da Cidade, de Daniela Mercury

O disco de Mercury ganhou a certificação de Diamante

Skank – Skank

Sem o apoio das gravadoras, o Skank lançou o primeiro disco de estúdio de forma independente. Eles foram o primeiro grupo mineiro foi o primeiro a ter um lançamento em CD sem apoio comercial.

As 11 faixas focaram em ritmos caribenhos, especialmente o ska e o reggae. As gravações ocorreram no extinto estúdio JG, em Belo Horizonte, em 1992.

A primeira tiragem do disco tinha 3 mil cópias, das quais 1,5 mil foram destinadas às rádios e a outra metade para venda física. Salto no Asfalto, Gentil Loucura e Macaco Prego ocuparam as rádios mineiras e, nos primeiros 45 dias, 1,2 mil cópias do disco foram vendidas. A relevância local do grupo crescia, até o momento em que a Sony convidou o Skank a estrear o novo selo Chaos.

Após a assinatura do contrato, o disco foi remixado pelo engenheiro Paulo Junqueiro e relançado em 1993, com mais de 250 mil cópias vendidas.

In(dig)Nação foi adotada pelo movimento dos caras-pintadas nas ruas do país, enquanto O Homem Q Sabia Demais marcou o início de uma longa relação entre o Skank e as trilhas sonoras de novelas da TV Globo.

Capa de Skank, disco homônimo da banda

O Homem Q Sabia Demais, de Skank

Todas as composições são assinadas por Samuel Rosa e Chico Amaral

Sandy & Junior – Sábado À Noite

Com participações de artistas históricos como Ney Matogrosso (em O Vira) e Chitãozinho & Xororó (em Vamos Construir), o segundo disco da dupla mais carismática do Brasil abriga um de seus maiores hits, A Resposta da Mariquinha —cuja letra, considerada machista nos dias de hoje, foi revista pelos irmãos na turnê de reunião, em 2019.

Sábado à Noite teve o material inteiramente produzido em Nashville, berço da música country dos Estados Unidos, da capa ao encarte. A sonoridade seguiu a mesma linha do disco de estreia: repleta de elementos sertanejos e da música country.

Capa de Sábado A Noite da dupla Sandy & Juniro

Vamos Construir, de Sandy & Junior feat. Chitãozinho & Xororó

O disco rendeu uma participação no Natal da Xuxa, em 199

Cássia Eller – O Marginal

Segundo dos cinco discos que Cássia Eller (1962-2001) lançou em vida, O Marginal é o menos comercial deles. Dessa forma, pode ser considerado o que mais traz a cara, os gostos e as vontades da cantora e compositora carioca.

Lançado em julho de 1992, pela PolyGram, o álbum conta com composições de autores amados por Cássia, desde Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé e Luiz Melodia a Rita Lee/Lúcia Turnbull e Jimi Hendrix.

Com rótulo punk e pouco radiofônico, O Marginal é, de longe, o álbum menos vendido e escutado da discografia de Cássia, mas sua importância vai além dos números. Retrato musical da personalidade da carioca, ele também incentivou uma maior abertura pop da cantora, frustrada com o resultado comercial do trabalho.

Na prática, sem ele não existiria Cássia Eller, disco de 1994 que a revelou de vez para o país, com o hit Malandragem.

Capa de O Marginal, disco de Cássia Eller

Caso Você Queira Saber, de Cássia Eller

O registro mostra uma Eller sem compromissos com o mercado

Mastruz com Leite – Arrocha o Nó

Precursor de tudo o que se sabe sobre forró eletrônico, o disco Arrocha o Nó, de Mastruz com Leite, apresentou a simbiose entre a sanfona, a bateria, o contrabaixo e o saxofone. Quando lançado, em 1992, vendeu 400 mil cópias, e ocupou o quarto lugar do pódio de discos brasileiros mais vendidos, que contava com Maria Bethânia (3º), o grupo Raça Negra (2º) e a dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano no topo.

Amado Batista, Roberta Miranda, Leandro & Leonardo e a dupla de sertanejo tradicional Cascatinha & Inhana reproduziram as canções do disco posteriormente.

Como empresário e guia do grupo, Emanoel Gurgel foi responsável por cooptar os integrantes da Mastruz com Leite e criar um império no Nordeste com o Grupo Som Zoom, a partir do sucesso deles. O retorno foi tanto que Gurgel construiu um estúdio de gravação próprio no valor de US$ 150 mil (em valores da época), além de criar uma rádio de transmissão via satélite com mais de 100 afiliadas para transmitir as vozes do forró.

Sem o sucesso do Mastruz com Leite, não existiria Barões da Pisadinha, Tarcísio do Acordeon, João Gomes nem Mari Fernandez.

Capa de Mastruz com Leite, Arrocha o Nó

Sonho Real, de Mastruz com Leite

A banda é conhecida como a "mãe do forró eletrônico"

Exaltasamba – Perto do Amanhecer

O carro-chefe do primeiro disco do grupo de samba foi Quero Sentir de Novo, composta por Péricles. Vocalista do grupo na época, compôs o hit em parceria com Juninho. Para os arranjos, não só do single, contou com o toque do Maestro Jobam e a produção fonográfica do selo Ritmo Quente.

A estreia do grupo conta também conta com a participação especial do sambista Royce do Cavaco, em Cartilha do Amor. Ao longo de todo o disco, Péricles divide os vocais com Pinha.

Ainda que o grupo tenha sofrido alterações na formação ao longo da carreira, o cenário artístico nacional da época era propício para o pagode. Com isso, a influência do Exaltasamba permaneceu intacta para os grupos que vieram depois. Perto do Amanhecer é um dos discos brasileiros que marcam o início de um novo momento da música.

Capa de Exaltasamba, Perto do Amanhecer

Eterno Amanhecer, de Exaltasamba

Além das 10 faixas, o disco conta com três pot-pourris

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Antes de ser repórter da Tangerina, Nicolle Cabral passou por Rolling Stone, Revista Noize e Monkeybuzz. Nas horas vagas, banca a masterchef para os amigos, testa maquiagens e cantarola hits do TikTok.

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