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Festival MITA

De novidade virtual a headliner do MITA: Como o Gorillaz segue em alta

Banda liderada por Damon Albarn surgiu com macacos animados e hits mundiais há mais de 20 anos, mas só virou o foco criativo principal do músico britânico na última década

Luccas Oliveira

Luccas Oliveira

No início de tudo, para o Gorillaz, havia os macacos. Criada em 1998 como uma banda virtual protagonizada por animais animados, a atração principal do festival MITA chacoalhou a música pop em 2001, com hits como Clint Eastwood e 19-2000. Mais de 20 anos depois, o projeto criado pelo músico de múltiplas habilidades Damon Albarn e o artista visual Jamie Hewlett segue mais forte do que nunca.

Como headliner do MITA, o Gorillaz toca pela segunda vez no Brasil —a primeira foi em 2018. Liderada por Albarn, a banda de carne e osso, que não mais se esconde atrás das projeções dos macacos virtuais em telões, se apresenta em São Paulo no próximo domingo, 15, e no Rio de Janeiro no sábado seguinte, 21. E faz show solo em Curitiba, na quarta-feira (18). Ainda há ingressos à venda para os três shows.

A Tangerina resume essa história que começou virtual, mas virou real à beça.

Desafogo criativo

Do ponto de vista musical, o Gorillaz nasceu e segue alimentado por uma necessidade artística de Damon Albarn. Conhecido primeiramente por ser líder do grupo de britpop Blur, o músico se sentia limitado pelas sonoridades que explorava com a banda.

O projeto, então, apareceu como o desafogo criativo perfeito. Através da banda virtual, Albarn pôde explorar sua paixão por elementos do hip-hop, usando e abusando de samples, da música eletrônica e de ritmos latinos, como o dub, e africanos.

O resultado é uma mistura muito única que não se amarra a gêneros, mas que também tem uma “cara de Gorillaz”. Resumidamente, o projeto faz um pop extremamente rebuscado, com uma paleta de influências que depende, basicamente, da mente criativa de Albarn.

Marketing visual de milhões

Em 2001, quando o acesso às tecnologias ainda era restrito, foi um impacto e tanto a existência de uma banda virtual. Oficialmente, o Gorillaz é formado por 2-D (voz e teclados), Murdoc Niccals (baixo), Noodle (guitarra, teclado e voz) e Russel Hobbs (bateria). São quatro macacos cheios de estilo e capacidade musical quase sobre-humana.

Até hoje, são eles que figuram nos materiais visuais do Gorillaz, seja capas de discos, imagens de divulgação, clipes e projeções nos telões durante os shows. Mas, na última década, a banda que protagoniza o MITA é cada vez menos dependente do apelo visual.

Nos primeiros anos do projeto, os músicos “de verdade” quase não apareciam nos shows do Gorillaz, e os telões eram os protagonistas. No entanto, isso foi mudando com o tempo e Albarn passou a dosar melhor o real e o virtual.

O sucesso do Gorillaz estimulou a criação de outras iniciativas musicais virtuais, como o viral Crazy Frog e o brasileiro Dogão.

Gorillaz: Projeto paralelo levado a sério

É curioso notar que o Gorillaz tem quase o mesmo número de álbuns de estúdio lançados que o Blur, a banda que revelou Damon Albarn. É que nos últimos cinco anos o projeto “paralelo” passou a ser prioritário para o genial músico britânico. A partir de 2017, saíram os discos Humanz (2017), The Now Now (2018) e Song Machine, Season One: Strange Timez (2020).

E mais um está previsto para 2022, com nome provisório de The Static Channel. Albarn revelou, inclusive, que o primeiro single deve ser um feat com o astro porto-riquenho Bad Bunny. Eles gravaram juntos na Jamaica em 2021.

A virada de chave do Gorillaz também é notada nas turnês. Até 2010, o grupo tinha feito apenas 42 performances ao vivo. Desde então, foram 175 apresentação. Se não fosse a pandemia, daria para considerar que o Gorillaz não parou de fazer shows desde 2017.

Hub para parcerias e revelação de artistas

Outro destaque desta fase mais recente do Gorillaz, que o grupo traz ao MITA, é a sequência de parcerias com outros artistas. Song Machine, Season One: Strange Timez, por exemplo, é um projeto constituído apenas por feats. E as dobradinhas vão desde Elton John, Beck, Peter Hook e Robert Smith a Georgia, Slowthai, JPEGMAFIA e Kano.

É uma demonstração clara de como Damon Albarn sabe circular por diferentes eras e movimentos da música pop mundial e, a partir disso, incorpora uma sonoridade plural que diferencia o Gorillaz até hoje.

É quase como se o músico fosse um curador do que você deveria ouvir, e dá amostras disso pelas canções do Gorillaz.

O que esperar do Gorillaz no MITA?

A partir dos seis shows que o Gorillaz já fez na América Latina nas últimas semanas, é possível ter uma noção do que vai ser apresentado no MITA. O esqueleto do setlist é parecido, apesar do espaço para pequenas novidades, como houve no México (Saturnz Barz), Chile (The Pink Phantom), Uruguai (Cracker Island, Silent Running, Rockit e mais).

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Banda tocou em Buenos Aires no último dia 30

Mas é muito provável, por exemplo, que os rappers Pos, um dos integrantes do lendário trio de hip-hop De La Soul, e Bootie Brown acompanhem o Gorillaz no MITA. Foi assim em diversos shows da turnê —no México, os demais integrantes do De La Soul também deram as caras.

Também há uma expectativa por uma colaboração inusitada com algum rapper brasileiro. Em Buenos Aires, por exemplo, o argentino Trueno subiu ao palco para participar de Clint Eastwood, a última do show. No MITA, em São Paulo, Matuê e Marcelo D2 se apresentam horas antes do Gorillaz.

Músicas que o Gorillaz deve tocar no MITA

  • M1 A1
  • Strange Timez
  • Last Living Souls
  • Tranz
  • Aries
  • Tomorrow Comes Today
  • Rhinestone Eyes
  • 19-2000
  • O Green World
  • Pirate Jet
  • On Melancholy Hill
  • El Mañana
  • Stylo
  • Kids with Guns
  • Andromeda
  • Momentary Bliss
  • Dirty Harry
  • Feel Good Inc.
  • Superfast Jellyfish
  • Clint Eastwood
  • Glitter Freeze
  • Rockit
  • Demon Days
  • Don’t Get Lost in Heaven
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Luccas Oliveira

Luccas Oliveira

Luccas Oliveira é editor de música na Tangerina e assina a coluna Na Grade, um guia sobre os principais shows e festivais que acontecem pelo país. Ex-jornal O Globo, fuçador do rock ao sertanejo e pai de gatos, trocou o Rio por São Paulo para curtir o fervo da noite paulistana.

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